sábado, dezembro 08, 2012

Se Liga Nessa Onda!


FONTE: Jornal do Senado.
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Elogiando as Utopias & Cortejando o Absurdo - Danton.

"Ninguém leva a pátria na sola de seus sapatos". 

"Não há nada mais difícil do que definir um crime político".

"O que nos falta para vencer é audácia, audácia, sempre au­dácia"!

"Muitas vezes a testa que esperava receber uma coroa de louros, se vê ensanguentada por uma coroa de espinhos.



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Coluna: Os Malvados.


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quinta-feira, dezembro 06, 2012

Exercício Sobre Lógica Argumentativa (II).

01. A árvore é um ser vivo. Tem metabolismo e reproduz-se. O ser humano também. Nisto são semelhantes. Ora se são semelhantes nestas coisas e a árvore cresce podemos concluir que o ser humano também cresce. O raciocínio utilizado no texto lido é:
a) Dedutivo.
b) Indutivo. 
c) Hipotético. 
d) Falacioso. 
e) Analógico.

02. Um grupo de três pessoas segue em um veículo à noite pela rodovia. Em determinado ponto, o tráfego se torna lento. É possível ver dois veículos parados na pista, sendo que um deles é uma viatura da polícia. Um policial está do lado de fora do carro conversando com dois homens. As três pessoas que estão no interior do carro, enquanto passam pelo local começam a apresentar as seguintes opiniões: seria um acidente? seria uma blitz policial em um veículo suspeito? Ou o motorista do veículo estaria apenas pedindo informações ao policial?
O tipo de raciocínio lógico utilizado no discurso foi:

a) Dedutivo. 
b) Indutivo. 
c) Hipotético. 
d) Falacioso. 
e) Analógico. 

03. (NE10 - 03/12/12) A ceia de Natal vai custar, em média, 18,6% a mais neste ano, do que no ano passado. O levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a inflação dos produtos usados na ceia é três vezes maior do que a registrada na média acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no período de dezembro de 2011 a novembro de 2012, que foi de 5,77%. Entre os itens que apresentaram maior aumento de preço estão o arroz (33,49%), a cebola (48,37%), batata inglesa (51,82%) e as frutas como mamão papaya (66,88%), manga (26,17%), abacaxi (23,52%) e maçã (22,13%). Outros produtos também registraram alta acima da inflação, como a azeitona em conserva (11,79%), o frango (10,45%), os pães e biscoitos (8,55%) e o bacalhau (5,96%).
O raciocínio utilizado no texto lido é:

a) Dedutivo. 
b) Indutivo.
c) Hipotético. 
d) Falacioso. 
e) Analógico. 

04. (UOL Notícias - 01/12/12). A seca no Estado de Pernambuco já deixa 128 municípios em estado de emergência, atingindo cerca de quatro milhões de pessoas, do Sertão à Zona da Mata. A seca ameaça as produções de cana de açúcar e de leite nas regiões atingidas. O município de Altinho,situado no agreste pernambucano, já está com os seus açudes com o nível bem abaixo do normal.O raciocínio utilizado no texto lido é:

a) Dedutivo. 
b) Indutivo. 
c) Hipotético. 
d) Falacioso. 
e) Analógico.

05. (Correio Braziliense - 20/07/2012). Precisão dos tiros, rapidez no ataque e posição das mãos da vítima antes do disparos levam os investigadores da morte do agente federal Severino Apolinário, a acreditar na possibilidade de uma ação planejada e executada por profissional, já que a arma usada no crime é a preferida dos pistoleiros.
O raciocínio lógico utilizado no texto é:

a) Dedutivo. 
b) Indutivo. 
c) Hipotético. 
d) Falacioso. 
e) Analógico.

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Coluna: Manuel Correia de Andrade.

Encontrando o Brasil
Publicado em 11.02.2007

O Seminário Redescobrindo o Brasil III foi promovido pela Cátedra Gilberto Freyre, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE, nos dias 12, 13 e 14 de dezembro passado. Foi um verdadeiro encontro entre a inteligência brasileira e a realidade, de vez que dele participaram profissionais dos vários ramos do saber, como políticos, jornalistas, escritores, professores e estudantes universitários, e de regiões diversas do território nacional. Foram discutidos os vários problemas que afligem ao Brasil, como Estado, Nação e o Nordeste como região.

Se a questão nacional abriu o ciclo de mesas-redondas, mostrando as franquezas e as afirmativas federalistas e republicanas do pensamento nacional, levou em conta também o problema da região dentro da Nação, e a Nação no espaço terrestre diante da globalização. Levou-se em conta o cruzamento dos problemas oriundos das bases naturais e da exploração do meio ambiente, ao mesmo tempo das tensões regionais entre Estados federados e aspirações regionais.

Na mesa-redonda sobre Euclides da Cunha, foram debatidos os problemas do Nordeste e da Amazônia, com as suas variedades e suas identificações, observando-se o cruzamento das pressões naturais e sociais. Deve-se levar em conta também o problema da raça e do racismo, que dominou no início do século 20, quando a elite colonial em grande parte pensava que o Brasil tendia a se tornar um país branco, face à imigração européia, tornando-se uma autêntica Europa tropical.

Pensamento que seria mais acentuado ainda em Oliveira Viana, partidário de um sistema corporativo e unitário para o Brasil, procurando fazer esquecer os traços federativos implantados com a República e que levaria o Brasil à ditadura do Estado Novo. Ele foi tão rancoroso em relação à sua filosofia que, ao ser publicado o livro de Gilberto Freyre Casa-grande & senzala, ele não só o condenou, como oficialmente recusou-se a ler. E este livro provocou forte reação dos neo-fascistas do Estado Novo, a ponto de uma revista do Recife afirmar que o seu título deveria ser Casa-grande sem sala e não Casa-grande & senzala.

A figura de Nabuco que foi debatida é aquela projetada pelo aristocrata-abolicionista que, abandonando as facilidades da oligarquia, defendeu com unhas e dentes a abolição da escravatura, com a complementação da obra da escravidão, a profundidade e a perpetuidade do latifúndio, através do que chamou de democracia social. E Nabuco tentou conciliar os impossíveis, a monarquia com a federação, o trabalho livre com a colonização estrangeira, européia, batendo-se contra a imigração asiática, que chamava de mongol, não por razões raciais, mas porque ela trazia embutida formas simuladas de escravidão periódica.

Mas o seminário se preocupou também com o ensino, utilizando como veículo a geografia, ciência fundamental ao conhecimento do Brasil e de sua realidade, destacando a ação do geógrafo e cientista político Delgado de Carvalho, e do didata e geógrafo Aroldo de Azevedo. Por que essa preocupação de ordem didática ou paradidática? Primeiro para fortalecer o conhecimento do Brasil e de uma realidade que está em permanente transformação, segundo, com a finalidade de comprometer os professores de ensino médio e superior no trabalho de permanente reconstrução do Brasil, levando o professor a refletir sobre a realidade em que ele vive e que transmite aos estudantes.

Assim, ao levar o ouvinte a meditar sobre a obra de Aroldo de Azevedo, busca-se afastar o aluno do ato da memorização e substituí-lo pelo da reflexão. Para que o aluno não só leia os livros didáticos, que ao meu ver são essenciais, como também outros textos como romances, poesias, crônicas, ensaios que refletem a realidade que os cerca e que é a realidade em que eles vivem.

A Cátedra Gilberto Freyre espera ter unido no seminário que promoveu em dezembro um congraçamento da intelectualidade pernambucana em torno do tema brasileiro, a fim de poder contribuir para a construção do Brasil.
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sexta-feira, novembro 30, 2012

Revista de História: Datilógrafa


Hoje, comunicação escrita é sinônimo de silêncio, transmitida por meio eletrônico. Mas, há poucas décadas, antes da presença dos computadores e da web, a escrita era ruidosa e dependia de um enorme contingente de especialistas: os datilógrafos.

Hoje, comunicação escrita é sinônimo de silêncio, produzida em macios teclados, transmitida por meio eletrônico. Mas, há poucas décadas, antes da presença maciça dos computadores e da Internet, a escrita era animadamente ruidosa e dependia de um enorme contingente de especialistas: os datilógrafos.

A máquina de escrever, industrializada a partir da segunda metade do século XIX, era presença marcante em redações de jornais, repartições públicas, escritórios e mesmo nos lares. O barulho da engenhoca – produzido não só pelas teclas metálicas, mas também por “instrumentos” como o tabulador, a fita de tinta e o “sininho” do parágrafo – ditava o ritmo do trabalho no mundo inteiro. Aquele ambiente e seus profissionais fazem parte do universo literário de muitos autores – como Nelson Rodrigues, que povoava suas crônicas com datilógrafas, quase sempre testemunhas das perversões dos protagonistas. Ou o satírico Barão de Itararé, autor de tiradas impagáveis, como o famoso anúncio falso: “Precisa-se de boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa”.

Parte dessas brincadeiras vinha do fato de ser um ofício praticamente monopolizado por mulheres. Em tempos bem mais machistas do que hoje, elas se tornavam alvos óbvios. Seja como for, deixaram saudade. A modernidade vê a profissão desaparecer: a última fábrica dessas máquinas mecânicas, que funcionava na Índia, fechou em 2011, após ter vendido apenas 1.000 unidades naquele ano. Por enquanto, a datilografia, com seus sons e personagens, parece fadada a ficar no passado.

Por Rodrigo Elias.
Fonte: Revista de História.
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quinta-feira, novembro 29, 2012

Um Historiador Vale Tanto Quanto um Médico ou um Advogado, Não é?

O Senado brasileiro vem de aprovar lei regulamentando a profissão de Historiador. A partir de agora, algumas tarefas específicas passarão a ser privilégio profissional de quem tiver formação acadêmica na área. Não é a primeira carreira de nível superior que merece essa regulamentação. Mesmo no campo das Ciências Humanas, Sociólogos e Geógrafos já desfrutam há alguns anos de condição similar. 


Participo do debate sobre a questão, na área de História, ao menos desde os anos 80 do século XX. Lembro de colegas que sustentavam a falta de necessidade de regulamentação em nosso espaço profissional, considerando que importantes historiadores brasileiros do século XX (Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio Prado Jr.) não tinham formação em curso superior de História. Esse argumento apresentava duas graves fragilidades: 1) quando os três fizeram cursos superiores, não havia bacharelado em História no Brasil; 2) Freyre, Buarque de Hollanda e Prado Jr. tiveram condições pessoais ou familiares para requintadas formações humanísticas fora do Brasil - respectivamente, Estados Unidos, Alemanha e Grã-Bretanha.

A situação é muito diferente para um jovem brasileiro de classe média ou menos que, nos dias de hoje, estuda História e se lança num mercado de trabalho fortemente regulamentado noutras áreas. Permanecer nesse mercado fora de suas regras dominantes é assistir à consolidação dos direitos alheios sem garantia de direitos próprios.

Regulamentar uma profissão é definir exclusividades de exercício, sim. Isso não se confunde com impedir o direito ao pensamento. A História, como tema, sempre será objeto de livre acesso para jornalistas, ficcionistas, advogados, médicos, cidadãos em geral... O desempenho profissional na área, diferentemente, dependerá de uma comprovada capacidade técnica e teórica, obtida em formação acadêmica - como ocorre em relação a médicos, engenheiros, dentistas...

Há quem legitime a regulamentação de algumas carreiras (Medicina e Direito, particularmente) e reivindique a liberdade de prática profissional para as demais: Medicina lida com vidas humanas, Direito zela pelas garantias individuais e coletivas diante da Lei. Quer dizer que falar sobre o tempo humano (fazer, memória) não possui igual magnitude? Quer dizer que pesquisar e ensinar o Holocausto Nazista ou a Ditadura brasileira de 1964/1984 não é tão minucioso quanto interpretar uma lei ou fazer uma cirurgia? Não vejo hierarquia entre essas práticas. Respeito muito os colegas profissionais de outras áreas regulamentadas. Tenho muito respeito por mim mesmo e pelos demais colegas de minha área profissional.

Enquanto houver regulamentação de algumas profissões, não vejo legitimidade em exigir desregulamentação de outras. Agora, podemos conversar sobre desregulamentação geral das profissões no Brasil. Quem se habilita?

Por Marcos Silva - Professor Titular de Metodologia da História, FFLCH/USP.
FONTE: ANPUH


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quarta-feira, novembro 28, 2012

Eduardo Galeano: “Quem Deu a Israel o Direito de Negar Todos os Direitos?”

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E, como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

Por Eduardo Galeano.
Fonte: Pragmatismo Político/Revista Fórum.
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Um Milhão de Pessoas Deixaram a Pobreza na América Latina, diz Cepal.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) estimou que 1 milhão de pessoas saíram da pobreza entre 2011 e 2012, segundo o Relatório Panorama Social da América Latina 2012. O total de pessoas nessa faixa socioeconômica caiu de 168 milhões, no ano passado, para 167 milhões este ano – o que quer dizer que cerca de 28% das mais de 580 milhões de pessoas na América Latina ainda estão em situação de pobreza.

Nesse percentual, não são considerados os casos de extrema pobreza – ou indigência, como classifica a Cepal -, que somam aproximadamente 66 milhões de pessoas (11,5% da população total). Para essa faixa, a expectativa da comissão das Nações Unidas é a que seja mantido o percentual de 2012.

Na análise da Cepal, são consideradas pobres as pessoas que recebem mensalmente menos de R$ 112 per capita e extremamente pobres as que ganham menos de R$ 98. As estimativas da comissão são calculadas com base no consumo calórico de uma cesta de alimentos de determinada população. São considerados preços urbanos e rurais. De acordo com o estudo, sete dos 12 países latino-americanos avaliados tiveram quedas mais expressivas nos índices de pobreza entre 2011 e 2012. Os destaques foram o Paraguai, onde 5,2% da população saiu da situação de pobreza;o Equador (4,7%) e o Peru (3,5%). No Brasil, o percentual foi 2%.

A Venezuela teve aumento de 1,7% da população em situação de pobreza. No entanto, o país está em destaque com o Uruguai entre as nações que mais diminuíram a desigualdade nos últimos anos. Dados do relatório apontam que, na Venezuela, aproximadamente 20% da renda estão concentrados entre os mais pobres e 23% entre os mais ricos. No Brasil, por exemplo, um dos países da região em que foram identificados os maiores níveis de desigualdade, cerca de 40% da renda estão em poder dos mais ricos, e entre 11% e 15%, com os mais pobres.

Segundo a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, a redução da desigualdade na Venezuela foi resultado de uma combinação de esforços entre áreas como transferência de renda, subsídios a alimentos, programas educacionais e aumento de postos de trabalho.

Para Alicia, outro fator que contribuiu foi a redução da taxa de dependência entre a população. Essa taxa se refere às pessoas economicamente ativas em um domicílio. Anteriormente, havia mais dependência em relação a um chefe de família, que chegava a sustentar várias pessoas. Agora, mais pessoas estão trabalhando, o que aumenta a renda e diminui o peso sobre uma só pessoa.

O relatório da Cepal sobre a América Latina faz parte de uma série de estudos que iniciaram em 2010 sobre os aspectos sociais e a dinâmica da desigualdade na região. Os dados são uma compilação das informações semelhantes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de cada país.


Por Carolina Sarres.
Edição de Carolina Pimentel.
Fonte: Agência Brasil .

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terça-feira, novembro 27, 2012

27 de Novembro - Levante Militar na Praia Vermelha: A Intentona Comunista.


Frente as mudanças ocorridas no Brasil durante a década de 1930, haja vista a modernização dos centros urbanos e o processo de industrialização da economia brasileira, liderada pelo governo de Getúlio Vargas, o Partido Comunista, sempre se manifestou como uma força política atuante no país, independente se a organização estivesse na clandestinidade ou não.

Nesse período a principal organização de esquerda no país era a Aliança Nacional Libertadora que tinha como princípio o lema: "Terra, Pão e Liberdade". Na intenção de derrubar o governo de Getúlio Vargas, os comunistas que faziam parte da ANL, junto com outros setores sociais, como tenentes, jovens acadêmicos, jornalistas e intelectuais, promoveram uma série de insurreições militares no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro. O objetivo principal dessas ações era iniciar uma greve geral no país e assim acumular forças para implantar uma república democrática, popular e socialista no Brasil. Foi nesse período que o líder tenentista Luís Carlos Prestes, retorna da Espanha, e junto com sua mulher, Olga Benário, passam a organizar o processo de resistência e rebelião no Rio de Janeiro. 

No entanto, em todas as regiões que ocorreram as sublevações, as tropas governistas conseguiram sufocar os revoltosos, conseguindo de maneira exitosa perseguir, prender, torturar e até assassinar vários líderes e simpatizantes por esses movimentos.

Logicamente que a Intentona Comunista teve nas tropas militares um relevante apoio, haja vista que os cenários principais das sublevações eram os quarteis. Também pudera, durante a década de 1930 havia uma notória insatisfação dos militares em relação as políticas federais direcionadas as forças armadas. Os salários dos oficiais não eram atrativos e a expectativa de um reajuste era quase que inexistente. Sem contar que, depois de algumas modificações no regulamento militar, foi reintroduzido um antigo dispositivo existente nos primeiros anos da república que jubilava o militar se, em um período de dez anos, o mesmo não conseguisse atingir o oficialato. Esses dois fatores contribuíram para que muitos militares passassem a ter posições críticas ao governo getulísta e defendesse abertamente as bandeiras da ANL.

Dentro desse clima de crise econômica, os quarteis passaram a ser o cenário perfeito para os levantes almejados pelos comunistas. Eram nesses locais que as contradições do sistema implantado no país, pós-Revolução de 1930 se manifestava abertamente. 

Na madrugada do dia 27 de novembro de 1935, depois dos levantes ocorridos no Rio Grande do Norte e no Recife, o 3º Regimento de Infantaria, localizado na praia Vermelha - Rio de Janeiro, deu início a uma nova insurreição. Entretanto, mesmo essa sendo uma rebelião de maior proporção, se comparada com as anteriores, não podemos dizer o mesmo sobre a sua duração, uma vez que, o governo já estava praticamente preparado para enfrentar essa revolta e contou com a lealdade das Forças Armadas em geral. A artilharia dos demais quarteis dominaram no mesmo dia os insurretos, colocando assim um ponto final nos planos revolucionários da ANL.

O saldo de mortos deixado pela Intentona Comunista no Rio de Janeiro foi de aproximadamente 48 mortos, entre revoltosos e militares. E devido a esse e os fatos anteriores, Getúlio Vargas iniciou um período de perseguição aos comunistas e aos demais membros da Aliança Nacional Libertadora, preparando o caminho para que em 1937 decretasse o Estado Novo.

Segundo Boris Fausto:
O episódio de 1935 teve sérias consequências, pois abriu caminho para amplas medidas repressivas e para escalada autoritária. O fantasma do comunismo internacional ganhou enormes proporções, tanto mais porque o Comitern havia enviado ao Brasil alguns quadros dirigentes estrangeiros para coordenar os preparativos da insurreição. (p.198).
Após a Intentona, o PCB foi colocado na clandestinidade e o governo Vargas não poupou esforços para reprimir as ações dos comunistas no Brasil. "Durante o ano de 1936, o Congresso aprovou todas as medidas excepcionais solicitadas pelo Poder Executivo para reprimir os comunistas de esquerda em geral". (FAUSTO). Foi criado um tribunal de exceção - Tribunal de Segurança Nacional, para julgar os envolvidos no levante de 1935 e o Ministério da Justiça formou a Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo.

Ou seja, a partir das revoltas comunistas, Vargas ganhou um forte pretexto para se manter no poder. Esse processo culminou com um golpe de Estado e em novembro de 1937, com o Congresso Nacional fechado e as eleições canceladas, o presidente conseguiu se manter no poder, ficando nessa condição até o ano de 1945.

Referências:
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2006. 
LINHARES, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil. 9ªed. Rio de Janeiro: Campus.
PANDOLFI, Dulce Chaves. A Revolta Comunista de 1935. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/RevoltaComunista. Acesso em 27 de Novembro de 2012.

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