terça-feira, setembro 22, 2026

22 DE SETEMBRO: DIA NACIONAL DE PROTESTO... O ENSAIO GERAL DA "SETEMBRADA" CONTRA A DITADURA


Quando rememoramos os "anos de chumbo", período em que o Brasil passou por uma ditadura militar, é comum falarmos das passeatas e confrontos dos setores de resistência ao golpe, com as forças militares, sobretudo no final da década de 1960.

E frente a tal contexto, temos em nossa história, uma espécie de "ensaio geral de lutas", que se deu com um conjunto de manifestações organizadas em setembro de 1966, que mobilizaram estudantes de vários cantos do Brasil, tomando as ruas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e outras capitais.

Era a primeira vez desde o advento da ditadura, que os estudantes decidiram ocupar os espaços públicos de forma coordenada, o que culminaria no então denominado Dia Nacional de Protesto, criado então pela União Nacional dos Estudantes, realizado em 22 de setembro.

Alguns historiadores relembram esse episódio sob alcunha de "setembrada", que significou, mais que uma simples data, um relevante quadro de maturidade do então movimento estudantil, que por meio de suas organizações, passou a compreender o quanto seria estratégico empreender a luta pela educação de maneira associada aos anseios pelo fim da Ditadura e por liberdade política no país.

Ou seja, toda aquela marcante resistência, ocorrida sobretudo em 1968, foi gerada, testada e organizada no suor e na coragem dos manifestantes de 1966, principalmente na "setembrada" da UNE, quando os estudantes articularam suas pautas específicas e acadêmicas, com denúncias mais estruturais de ordem democrárica e anti-imperialista.

Nas ruas, a defesa intransigente da União Nacional dos Estudantes (UNE), a exigência por um ensino verdadeiramente gratuito e a luta pela autonomia universitária vinham de mãos dadas com críticas contundentes à interferência estrangeira, como a rejeição à vinculação de universidades a órgãos norte-americanos. 

Tudo isso, no entanto, ganhava contornos de um projeto político muito mais amplo quando sintetizado na palavra de ordem que ecoava de norte a sul do país: "Abaixo a Ditadura". Não era apenas uma disputa por verbas ou vagas nas faculdades; era um xeque-mate simbólico na legitimidade de um regime que tentava silenciar a sociedade a partir de todo sistema institucional de repressão e violência.

E hoje, justamente nesse 22 de setembro, rememoro a setembrada de 1966 e o dia nacional de protesto, na inteção de assim refletir sobre os rumos que almeajamos para o Brasil, visto os verdadeiros interesses do seu povo. E que episódios como a ditadura militar estejam enterrados em nossa história e que das suas memórias, somente possamos extrair lições valorosas, principalmente acerca da relevância da democracia, dos direitos humanos e da soberania nacional. Mil vivas à resistência! 

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domingo, setembro 20, 2026

ENQUANTO AQUI, PERSISTE A JORNADA 6x1, CUBA GARANTE MAIS TEMPO PARA OS TRABALHADORES E SUAS FAMÍLIAS


A discussão acerca da relação entre o tempo que dedicamos ao mundo do trabalho e os momentos que restam para dedicarmos a família, a saúde e ao lazer tem tomando relevo no debate público, sobretudo em virtude tramitação da Proposta de Emenda à Constituição, que visa sepultar a exaustiva escala de trabalho 6x1 - aquela em que o trabalhador labora seis dias, para ter direito a apenas um de descanso.

De um lado, temos o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aposta politicamente no alívio dessa carga horária, avaliando como uma pauta incontornável de justiça social e dignidade. Entretanto, doutra banda, percebe-se a resistência ferrenha de setores empresariais tradicionais e de grande parte da oposição no Congresso, ecoando o mantra de que limitar a exploração da força de trabalho seria um tiro no pé da economia.

Os que se posicionam contra a PEC, argumentam prejuízos, engessamento e inviabilidade operacional, repetindo a mesma cartilha que historicamente tentou barrar cada direito conquistado pela classe trabalhadora — desde as férias remuneradas até a própria consolidação das leis laborais.

Uma postura já conhecida pela história, e que, infelizente se repete e em dadas circunstâncias ganham forças, sobretudo dentro da atual retórica eleitoral brasileira.

Porém, enquanto o Brasil patina nas engrenagens de um Congresso muitas vezes travado por interesses corporativos e conservadores, outras latitudes reformulam seus horizontes normativos sob premissas bem distintas. É o caso recente de Cuba, que com a aprovação da Lei 189, seu novo Código do Trabalho, deu passos importantes na modernização e humanização das relações laborais. 

A legislação cubana, ao enfrentar os desafios de um mundo globalizado e em transformação, buscou reforçar garantias que colocam o ser humano no centro da equação econômica. Entre suas diretrizes, a norma restringe o uso abusivo de contratos temporários para funções permanentes, combate a precarização e introduz salvaguardas que dialogam diretamente com a necessidade de conciliação entre a vida profissional e a atenção familiar — como licenças específicas e flexibilidades reguladas para o teletrabalho e jornadas compatíveis com a produtividade real.

Um contraste que expõe uma ironia dolorosa. No gigante sul-americano, o motor de um capitalismo periférico ainda insiste em espremer o trabalhador em jornadas que dizimam sua saúde mental e seu convívio familiar, sob o pretexto de modernidade.

Em contrapartida, na pequena ilha caribenha, mesmo sob o peso de severas restrições econômicas e bloqueios externos, o arcabouço jurídico avança no sentido de blindar o trabalhador contra a sobrecarga desmedida. 

Um fato, que pode até parecer menor, mas que alimenta singularmete a discussão sobre o fim da escala 6x1 no Brasil, percebendo esse tema, não meramente técnico ou contábil, mas como um debate de ordem social (e moral) sobre o tipo de sociedade que desejamos construir.

A resistência da direita e do empresariado em abrir mão de um modelo de exploração quase medieval revela o medo de redimensionar o lucro em favor da vida. E quando olhamos para as mudanças ocorridas na Cuba socialista, lembramos que as leis do trabalho são, sobretudo, escolhas políticas e que podem - e devem - em seus predicados axiomáticos, priorizar o direito imprescritível da classe trabalhadora ter tempo para viver, descansar e ser feliz. 

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terça-feira, setembro 01, 2026

NÃO CABE MAIS SILÊNCIO, EM PERNAMBUCO, RAQUEL LYRA É O NOME DO BOLSONARISMO

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Durante boa parte da sua gestão, e até mesmo no início do processo eleitoral, a governadora Raquel Lyra (PSD) sustentou a estratégia pautada pela neutralidade e equidistância ideológica ao bolsonarismo.

Contudo, esse “silêncio tático”, fundamentado num discurso técnico, administrativo e institucional serviu praticamete como um "escudo" visando mitigar rejeições e dialogar com o eleitorado de centro.

Mas, com o afunilamento do calendário eleitoral de 2026, direta e indiretamente, o atual contexto de polarização, entre Lula e o bolsonarismo aflora-se no estado, e mesmo negando ou criando novas retóricas, a governadora tem se consolidado, de fato e de direito, como a representação da extrema-direita e do bolsonarismo no estado.

Por mais que Raquel crie neologismos, como "pernabuquista" ou "pernambuquismo", ou abuse da imagem do deputado Túlio Gadelha como elemento do seu cenário, as evidências tem mostrado que sua candidatura é produto do projeto bolsonarista no estado.

Das anotações de Flávio Bolsonaro, aos videos de apoio emitido pelo vice da chapa do PL, Alfredo Gaspar, dificilmente a governadora Raquel poderá fugir da extrema-direita em seu palanque.

E a medida que os processos eleitorais vão se consolidando, as margens para uma neutralidade de Raquel vai minguando e aos poucos sua imagem vai preencheendo o vácuo da extrema-direita e dos setores do conservadorismo no agreste, sertão e região metropolitana.

Dessa maneira, querendo ou não, Raquel Lyra encerra a fase de uma via independente da polarização nacional, e agora ancora sua sustentação política em lideranças e estruturas identificadas ao bolsonarismo, sobretudo para contrapor as forças progressistas que estão no palanque antagônico.

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