quarta-feira, março 14, 2012

Resumo Sobre o Brasil Pré-Colonial (1500-1530).


Em um primeiro momento, a posse das terras no Novo Mundo não provocou grande entusiásmo para o portugueses, uma vez que, seus interesses se concentravam no Oriente, pois com a chegada de Vasco da Gama à Calicute a coroa portuguesa passou a ter um lucro exorbitante, principalmente com o comércio de especiarias. Assim, o descobrimento do Brasil não despetava tanto interesse para o projeto mercantil de Portugal. 
O Brasil aparece como uma terra cujas possibilidades de exploração e contornos geográficos eram desconhecidos. Por vários anos, pensou-se que não passava de uma grande ilha. As atrações exóticas - índios, papagaios, araras - prevaleceram, a ponto de alguns informantes, particularmente italianos, lhe darem o nome de Terra dos Papagaios. O rei Dom Manuel preferiu chamá-la de Vera Cruz e, logo depois, de Santa Cruz. O nome Brasil começou a aparecer em 1503. Ele tem sido associado à principal riqueza da terra em seus primeiros tempos, o pau-brasil. Seu cerne muito vermelho, era usado como corante e a madeira, de grande resistência, era utilizada na construção de móveis e de navios. (FAUSTO).
Contudo, era preciso proteger o novo território das invasões estrangeiras, principalmente dos franceses. Em 1501 Portugal enviou a primeira expedição com a finalidade de explorar e reconhecer o litoral brasileiro. E segundo o próprio Américo Vespúcio, após a expedição não foi encontrado nada de aproveitável. Porém, ainda havia a exploração do Pau Brasil, que pode ser considerada como a principal atividade econômica promovida pelos lusitanos dentro da região.

Assim, as primeiras tentativas de exploração do litoral brasileiro se basearam no sistema de feitorias, (lugares fortificados que funcionavam como uma espécie de depósito, para armazenar as possíveis riquezas encontradas na região, principalmente o pau-brasil). Em 1502 o território foi arrendado por três anos, por meio de um consórcio de mercadores de Lisboa, chefiado pelo cristão-novo Fernão de Noronha. O consórcio realizou algumas viagens, mas aparentemente, quando, em 1505, o arrendamento terminou, a Coroa portuguesa tomou a exploração da nova terra em suas mãos. Nesses anos iniciais, entre 1500 a 1535, a principal atividade econômica foi a extração do pau-brasil, obtido principalmente mediante troca com os índios.

Exercícios:

01. Uma das metas da expansão marítima e comercial da Europa nos séculos XV e XVI era a procura das chamadas especiarias do oriente médio. São exemplos dessas especiarias:
a) erva mate e guaraná;
b) mandioca e batata;
c) café e avelã;
d) pimenta e salsa;
e) mostarda e cravo-da-Índia

02. As relações comerciais entre Portugal e o Brasil-Colônia eram controladas pelo mercantilismo, que estabeleceu o sistema de:
a) metalismo;
b) livre - comércio;
c) monopólio;
d) controle metalista;
e) tarifas protecionistas.

03.No período pré-colonial brasileiro, a extração do pau-brasil foi responsável pela instalação, no litoral, das...
a) vilas;
b) cidades;
c) Feitorias;
d) fazendas;
e) Igrejas.

04. Assinale a alternativa INCORRETA no que diz respeito à conquista das terras do Novo Mundo:
a) Um dos princípios dos colonizadores foi o da tolerância religiosa que facilitou a propagação dos dogmas e valores cristãos na colônia.
b) Os colonizadores adotaram a pratica de trabalho compulsório e consolidaram sua dominação no território.
c) A rivalidade entre nações foi incentivada como forma de enfraquecer a resistência dos povos nativos e favorecer os conquistadores.
d) As epidemias geradas pelo contato do nativo com o europeu cooperaram para o extermínio de muitos povos.
e) NDA.

05. Destaca-se como resultado das descobertas e da expansão luso-espanhola nos tempos modernos a:
a) diminuição do comércio entre Europa e Novo Mundo, com a hegemonia do mar Mediterrâneo;
b) formação de novos impérios na África e na Ásia, com a ampliação do comércio entre os dois continentes;
c) defesa das culturas nativas das Américas pelo Clero e pelo Estado;
d) abertura de uma nova era de navegação e comércio, não mais concentrada no Mediterrâneo e sim no Oceano Atlântico;
e) preservação da autonomia política das nações conquistadas, a exemplo do México e do Peru.

06. As feitorias portuguesas no Novo Mundo foram formas de assegurar, aos conquistadores, as terras descobertas. Sobre essas feitorias, é correto afirmar que:
a) a feitoria foi uma forma de colonização, empregada por portugueses na África, na Ásia e no Brasil, com pleno êxito para a atividade agrícola.
b) as feitorias substituíram as capitanias hereditárias durante o Governo Geral de Mem de Sá, como proposta mais moderna de administração colonial.
c) as feitorias foram estabelecimentos fundados por portugueses no litoral das terras conquistadas e serviam para armazenamento de produtos da terra, que deveriam seguir para o mercado europeu.
d) tanto as feitorias portuguesas fundadas ao longo do litoral brasileiro quanto as fundadas nas
Índias tinham idêntico caráter: a presença do Estado português e a ausência de interesses de particulares.
e) o êxito das feitorias afastou a presença de corsários franceses e estimulou a criação das capitanias hereditária

07. O contato estabelecido entre o índio, que trazia o pau-brasil para o navio do branco, e o branco, que lhe dava quinquilharias, é definido como forma de comércio do tipo:
a) Mercantilista.
b) De escambo.
c) Capitalista.
d) De monopólio estatal.
e) Indireto.
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Novo Telecurso - História - Aula 21. (Trabalho e Escravidão na América Portuguesa).



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segunda-feira, março 12, 2012

12 de Março: 477 Anos de Olinda.


Foi no ano de 1535 que Duarte Coelho, em virtude dos projetos mercantilistas de Portugal nas terras brasileiras, funda a Vila das Sete Colinas, que posteriormente passará a se chamar de Olinda que será o cenário vivo da formação donordeste brasileiro. A história do Brasil se confunde, em muitos aspectos, com a própria história de Olinda, uma vez que, não estamos falando de uma simples vila ou feitoria, e sim, do lugar que foi por muito tempo, o mais importante centro econômico e político da colônia.

Cenário da primeira câmara municipal e da primeira manifestação republicana no Brasil e na América, Olinda,  também foi palco da famosa guerra dos Mascates. Além disso, a cidade também é considerada como Patrimônio Cultural da Humanidade, e Primeira Capital Brasileira da Cultura. Eis uma cidade que encanta, tanto pelas suas belas paisagens, como também pela grandeza da sua história, pela beleza da sua arte e pela a força da sua cultura. Sendo assim, é difícil descordar das palavras de Carlos Pena Filho ao proferir que, "Olinda é só para os olhos; Não se apalpa, é só desejo. Ninguém diz é lá que eu moro; diz somente: É lá que eu vejo".
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domingo, março 11, 2012

Resumo Sobre os Conflitos Entre Árabes e Israelenses.


Dentre os atuais conflitos do mundo este é o de maior repercussão. Diariamente ouvimos noticias sobre atentados, mortes e buscas de novos acordos de paz. Embora não seja simples a origem deste problema é importante ficar claro dois pontos:
  • Esta é uma disputa por território, um povo (os palestinos) quer a formação do seu Estado no território que hoje pertence a Israel.
  • A atuação de extremistas, dos dois lados, que não aceitam a convivência pacifica de dois Estados (palestinos e judeu) dificulta as negociações pela paz. Tal conflito, que surge com a formação do Estado judeu e a não efetivação do Estado judeu e a não efetivação do Estado palestino no pós-guerra, cada vez mais se distancia da paz. Após o assassinato do ministro israelense Yitzhar Rabin, por um judeu radical em 1995 que não concordava com os acordos feitos com a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), recentemente o governo israelense determinou a construção de um muro separando os territórios palestinos na Cisjordânia de Israel para evitar a passagem dos homens-bomba árabes.
O Conflito israelo-palestino é a designação dada à luta armada entre israelenses e palestinos, sendo parte de um contexto maior, o conflito árabe-israelense. Seu início de fato remonta ao imediato período do pós-Segunda Guerra Mundial quando instruídos pelos Aliados, inúmeros judeus mudaram-se da região da Alemanha e Polônia e Áustria na Europa para a região da "Terra Prometida" por Deus com a intenção de viverem uma nova fase na milenar Palestina. Isto fez o fluxo migratório para esta região crescer consideravelmente e logo aumentaram os atritos entre os emigrantes e os administradores ingleses que dominavam a região, que coincidindo com fim do mandato britânico na Palestina, o atrito transferiu-se aos residentes palestinos que logo transformou-se em uma confrontação militar entre os povos nativos de direito e os recém-chegados israelenses que logo dominaram a região.

O Conflito Árabe – Israelense:

Os conflitos no Oriente Médio são milenares, tiveram inicio nos primeiros tempos da antiguidade. As lutas pela a ocupação da Palestina provocaram varias guerras ao longo dos seis mil anos de historia. As forças em conflitos naquela região sempre foram muito complexas, e o entendimento sobre o que se passa naquela região torna-se ainda mais difícil para nós por causa da diferença cultural entre o ocidente e o oriente.

 Durante a Idade Média, a região foi dominada por povos islâmicos, criando uma nova forma de antagonismo: O conflito religioso entre cristãos e mulçumanos. A tentativa dos cristãos de recuperar os lugares sagrados, onde Cristo teria vivido e morrido, justificar o movimento das Cruzadas, a partir do Séc. XI.

A partir da segunda metade do Séc. XIX, a expansão imperialista européia acentuou a complexidade da situação, porque as potencias imperialistas passaram a interferir nas questões locais. Esse contexto conflituoso se agravou após a segunda Guerra Mundial.

A formação do Estado de Israel:

Os hebreus, antepassado dos judeus habitaram a Palestina na Antiguidade. No ano de 70 D.C, quando a região era dominada pelo império romano, os judeus saíram de sua terra depois que Jerusalém foi destruída pelos romanos e se espalharam por vários pontos do Império. Esse acontecimento é conhecido como Diáspora. Os judeus passaram a ser, então, uma nação sem pátria. As especificidades de sua cultura e de sua religião impediram a assimilação por outras sociedades, como aconteceu com vários povos da Antiguidade. Com a saída dos judeus, a Palestina foi ocupada por povos de origem árabe.

O massacre protagonizado pelos nazistas contra os judeus comoveu o mundo quando a existência dos campos de concentração foi tornada publica. É preciso salientar que a existência dos campos de concentração não era uma informação de domínio publico, mas não era desconhecida das autoridades internacionais.

Os dirigentes de vários paises da Europa tinham informações sobre o que se passava na Alemanha antes mesmo da eclosão da Guerra em 1939. a espionagem foi uma marca das relações internacionais no séc XX. Existem documentos provando que o Vaticano também foi informado dos crimes cometidos contra aquele povo.

Embora tivessem se calado quando ainda poderiam ter salvado milhões de pessoas, as autoridades internacionais reunidas na ONU decidiram, ao final da Segunda Guerra Mundial, promover a criação do Estado de Israel para que os judeus voltassem a ter uma pátria.

A idéia da criação do Estado de Israel já estava sendo discutida e amadurecida desde o começo do séc. XX. Em 1917, a Inglaterra já se mostrava favorável a criação de Israel, mas a pressão árabe e a grande imigração de judeus, provocada pela perseguição nazista, não permitiram a conclusão de um acordo sobre o assunto. No dia 14 de maio de 1948 o líder judeu Davi Bem Gurion proclamou a fundação do estado de Israel. Imediatamente começou o primeiro confronto entre palestinos apoiados pelos outros árabes, e israelense, apoiados pelos norte-americanos. Nessa guerra, o território de Israel e a região não anexada foi unida à Cisjordânia para a formação da Jordânia. Dessa forma, os palestinos é que passaram a ser o povo sem pátria, como os judeus havia sido durante quase dois mil anos.

A Geopolítica no Oriente Médio:

O conflito tornou-se o padrão da relação entre árabes e israelenses no Oriente Médio. Qualquer movimento de cada um dos dois lados é entendido como fator de agressão, e talvez a intenção seja mesma. Dessa forma, ocasiões para o enfrentamento bélico não faltam.

Na origem do atual estado de Israel está o movimento sionista do séc. XX. Discriminados e perseguidos em inúmeros paises europeus, especialmente na Rússia Czarista, judeus iniciaram um movimento de internacional dirigido para o retorno a pátria. O movimento Sionista, através de organizações judaicas que financiavam a viagem dos colonos, produziu importantes fluxos migratórios na direção da Palestina. Em 1914, cerca de cem mil judeus imigrados já trabalhavam em colônias agrícolas na palestina.

Durante a Primeira Guerra Mundial a Palestina passa ao controle inglês. Em 1917, Lord Balfour, secretario dos negócios estrangeiros de Londres, anunciava a futura criação de um “lar nacional” judaico na região. Em 1922, a recém-criada Liga das Nações entregava a Palestina à administração britânica e aprovava a Declaração Balfour.

Entretanto, o plano não prosperou no conturbado período entre as duas guerras mundiais. A Palestina tornou-se palco de conflitos entre os judeus imigrados, cada vez em maior número, contra a a população árabe autóctone, assim como, entre judeus e os britânicos, que retardavam a aplicação da Declaração Balfour.

A Segunda Guerra Mundial com seu cortejo de horrores cometidos pelo nazismo contra os judeus colocou-se novamente em pauta a questão do “lar nacional” na palestina. Cresciam os conflitos entre as populações judia na região. A 29 de novembro de 1947, com o voto favorável da ex-URSS e dos EUA, a ONU aprovava um plano de partilha da Palestina que previa a criação de um estado árabe. O estado judeu, com cartoze mil quilômetros. E o estado árabe com onze mil quilômetros. A proporção maior e mais rica para os judeus o que os palestinos rejeitam. 

Em 1948 os britânicos saem da região e os judeus proclamam o Estado de Israel, apartir daí que o conflito se amplia. Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque atacam a região do Estado de Israel para conquistar algum espaço. O Egito consegue a região da Faixa de Gaza e a Jordânia consegue as regiões da Cisjordânia e Jerusalém oriental e os Palestinos acabam sem território. Em 1964 os Palestinos criam a OLP e a partir de 1967 inicia a Guerra dos Seis Dias onde Israel ocupa as regiões da Faixa de Gaza, Monte Sinai, Colinas de Golã, Cisjordânia e Jerusalém Oriental e muitas pessoas entre Palestinos são refugiados em outros países. 

Em 1973 começa a Guerra do Yom Kippur e entre 1977 a 1979 Israel e Egito fazem um acordo de paz e a região de Sinai é devolvida para o Egito. Em 1982 Israel invade o Líbano. Em 1987 explode a Intifada. Em 1988 o Conselho Palestino renuncia a Intifada e aceita o Plano de Partilha da ONU. Em 1993 com o Acordo de Paz de Oslo foi criada a Autoridade Palestina com o comando de Yasser Arafat. A partir de 2000 iniciou-se o segundo levante da Intifada, em 2001 Ariel Sharon é eleito primeiro ministro do Estado de Israel, onde ocupa territórios Palestinos e dá o início da construção do Muro da Cisjordânia, em 2004 Yasser Arafat morre e deixa o cargo da Autoridade Palestina para o eleito Mahmud Abbas e Israel destrói assentamentos palestinos na Faixa de Gaza e Cisjordânia. A organização para a libertação da Palestina (OLP) criada em 1964, por iniciativa da Liga Árabe é a principal representante dos palestinos. Depois de promover o terrorismo por vários anos, o grupo segue um cessar-fogo com Israel desde o acordo de paz em 1993, contudo a organização ainda cita, em seu estatuto a necessidade de destruição do estado de Israel.

E diante de tal realidade, podemos compreender que, do ponto de vista da política internacional, os fatores que viabilizaram a fundação de Israel no território da Palestina, provocou um dos mais prolongados e dramáticos conflitos da história contemporânea. A criação de Israel, decidida na ONU, em 1947, violou os direitos fundamentais do povo árabe palestino (70% do total da população nesse ano), garantidos pela Carta das Nações Unidas e pelo Pacto da Sociedade das Nações, ambos fontes do Direito Internacional, e violou o título jurídico adquirido pelos árabes através do acordo firmado com os países da Tríplice Entente, durante a Primeira Guerra Mundial, que garantia a independência da Palestina, causando revolta generalizada no mundo árabe, já profundamente ressentido do imperialismo ocidental na região.


Referência Bibliográfica:
GOMES, Aura Rejane, A Questão da Palestina e a Fundação de Israel. São Paulo: EDUSP, 2001.
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Elogiando as Utopias & Cortejando o Absurdo - José Ortega Y Gasset.

"Não é a fome, mas, pelo contrário, a abundância, o excesso de energias, que provocam a guerra".

"Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive".

"Se ensinares, ensina ao mesmo tempo a duvidar daquilo que estás a ensinar".

José Ortega Y Gasset.




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quinta-feira, março 08, 2012

08 de Março: Dia Internacional da Mulher.


O dia Internacional da Mulher é fruto de um conjunto de fatores históricos e sociais marcados pela luta protagonizadas por várias mulheres no mundo, em busca da sua emancipação. Não há dúvidas que essa data, representa não somente uma comemoração ou uma justa homenagem, pelo contrário, é o momento onde a reflexão e o debate se manifestam como condições necessárias para que o simbolismo desse dia permaneça vivo no cotidiano de todas as pessoas.

Historicamente, o dia 08 de março, decido pela Organização das Nações Unidadas (ONU), como o dia Internacional da Mulher, é um tema que promove bastante debate, não apenas ao seo teor sociológico e político, mas também, a sua justificativa histórica. Alguns mencionam a data, como o dia em que várias tecelãs americanas morreram em um incêndio proposital na fábrica em que elas trabalhavam, devido as manifestações que essas trabalhadores organizaram, a fim de, isonomia salarial e melhores condições de trabalho no ano de 1857. Contudo, alguns pesquisadores afirmam que o dia Internacional da Mulher só ganhou a sua devida relevância em 1917, devido a uma greve protagonizada por trabalhadoras russas contra a entrada do país na Primeira Guerra e contra a crise social e econômica que o país estava passando.

Enfim, diante dessas e de outras justificativas histórica, fica muito nítido, tendo em vista a verossimilhança entre esses fatos, que o dia Internacional da Mulher não é uma simples data comemorativa. Seus objetivos são claros e não são voltado apenas a uma singela homenagem ao sexo frágil. Pelo contrário, estamos diante de um momento salutar para que o debate sobre a grandiosa  responsabilidade e relevância que as mulheres detém para o desenvolvimento da sociedade e também sobre o fim do preconceito e violência que o sexo feminino ainda se encontra exposto. Enfim, dentre tantos elementos que alicerçam o debate sobre o papel da mulher, é válido afirmar que, concretizar e diversificar esse debate, nos vários espaços da sociedade, também não deixa de ser, um virtuoso papel cidadão, no que diz repeito a construção de uma nova sociedade, pautada pela igualdade, solidariedade e justiça. Por fim, quero lembrar as sábias palavras da francesa Simone de Beauvoir, !é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta".
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quarta-feira, março 07, 2012

Reflexão: O Sábio e a Vaquinha.

“ Era uma vez, numa terra distante, um sábio chinês e seu discípulo. Certo dia, em suas andanças, avistaram ao longe um casebre. Ao se aproximarem, notaram que, a despeito da extrema pobreza do lugar, a casinha era habitada. Naquela área desolada, sem plantações nem árvores, viviam um homem, uma mulher, seus três fi lhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada.

Com fome e sede, o sábio e o discípulo pediram abrigo por algumas horas. Foram bem recebidos. A certa altura, enquanto se alimentava, o sábio perguntou:
- Este é um lugar muito pobre, longe de tudo. Como vocês sobrevivem?
- O senhor vê aquela vaca? Dela tiramos todo o nosso sustento - disse o chefe da família.
- Ela nos dá o leite, que bebemos e também transformamos em queijo e coalhada.
Quando sobra, vamos à cidade e trocamos o leite e o queijo por outros alimentos. É assim que vivemos.

O sábio agradeceu a hospitalidade e partiu. Nem bem fez a primeira curva da estrada, disse ao discípulo:
- Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente e atire-a lá pra baixo.
O discípulo não acreditou.
- Não posso fazer isso, mestre! Como pode ser tão ingrato? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se eu jogá-la no precipício, eles não terão como sobreviver. Sem a vaca, eles morrem!

O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem:
- Vá lá e empurre a vaca no precipício.
Indignado, porém resignado, o discípulo voltou ao casebre e, sorrateiramente, conduziu o animal até a beira do abismo e o empurrou. A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.

Alguns anos se passaram e durante esse tempo o remorso nunca abandonou o discípulo. Num certo dia de primavera, moído pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ver o que tinha acontecido com a família, ajudá-la, pedir desculpas, reparar seu erro de alguma maneira.

Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com muitas árvores, piscina, carro importado na garagem, antena parabólica. Perto da churrasqueira, estavam três adolescentes robustos comemorando com os pais a conquista do primeiro milhão de dólares. O coração do discípulo gelou. O que teria acontecido com a família? Decerto, vencidos pela fome, haviam sido obrigados a vender o terreno e ir embora. Nesse momento, pensou o aprendiz, devem estar mendigando em alguma cidade. Aproximou-se, então, do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá há alguns anos.
- Claro que sei. Você está olhando para ela! - disse o caseiro, apontando para as pessoas ao redor da churrasqueira.

Incrédulo, o discípulo afastou o portão, deu alguns passos e, chegando perto da piscina, reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte e altivo, a mulher mais feliz, as crianças, que haviam se tornado adolescentes saudáveis. Espantado, dirigiu-se ao homem e disse:
- Mas o que aconteceu? Eu estive aqui com meu mestre uns anos atrás e este era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar tanto de vida em tão pouco tempo?

O homem olhou para o discípulo, sorriu e respondeu:
- Nós tínhamos uma vaquinha, de onde tirávamos nosso sustento. Era tudo o que possuíamos, mas um dia ela caiu no precipício e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. E foi assim, buscando novas soluções, que hoje estamos muito melhor que antes.
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segunda-feira, março 05, 2012

Entre o Conflito e a Negociação: A Experiência Negra no Brasil Escravista.


Por, Daniel Antonio Coelho Silva


A obra desses excelentes pesquisadores João José Reis e Eduardo Silva, denominada Negociação e conflito, vem ratificar uma tendência bastante saudável da historiografia brasileira de fazer releituras do período escravocrata que buscam desmistificar e corrigir uns tantos equívocos produzidos a respeito da atuação dos negros durante a vigência do regime de escravidão no Brasil. Revêem-se, assim, ao menos em parte, inclusive formulações de autores célebres como Nina Rodrigues, Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, na medida em que não consideraram devidamente o escravo como ator político capaz de resistir, no dia-a-dia, ainda que a seu modo, aos desmandos e à exploração física e psicológica a que os controladores do sistema escravista os submetiam.

A tese central do livro é de que, muito mais do que lutarem abertamente contra o sistema, os escravos participaram de um sem-número de negociações com seus senhores,.ou seja, mesmo que os negros não tivessem organizado em conjunto uma luta direta para suprimir o sistema de escravidão, eles procuraram em diversas ocasiões negociar direitos ou condições mínimas de sobrevivência..

Indo além, segundo os autores de Negociação e conflito, o período escravocrata foi marcado não somente pelo conflito entre escravos e senhores, mas igualmente pela negociação e muitas vezes pela acomodação entre os agentes dentro do sistema. Afinal, não é possível que os escravos resistissem 24 horas à dominação e muito menos era possível que os senhores pudessem empregar a força de maneira contínua para subjugar os cativos. Em meio a idas e vindas no processo de lutas e negociações, a chamada “brecha camponesa” foi um artifício engenhoso que teve sua utilidade comprovada, levando os escravos, em certos casos, a ter satisfeitas suas reivindicações, como, por exemplo, produzirem para si dentro dos limites das terras do senhor. Em circunstâncias de descontentamento ostensivo, chegou-se até a pleitear a participação na escolha de feitores, além de obterem outras conquistas para mitigar a brutal exploração que se abatia sobre eles.

As fugas de escravos no período colonial e durante o império eram, sem dúvida, um recurso extremo para livrar-se do cativeiro.Elas, no entanto, não aconteceram em grande número, quando comparadas ao imenso contingente de escravos presentes nos país. De mais a mais, como frisam João José Reis e Eduardo Silva, o Brasil escravocrata vivia o chamado paradigma ideológico colonial: a simples fuga do escravo ou a alforria não o tornava um homem livre, já que o conjunto da sociedade não o considerava como um ser igual a qualquer homem branco.

Entre os escravos havia diferenças de ordem étnica e de nascimento que alimentavam rivalidades que na vida cotidiana eram utilizadas pelos senhores para evitar uma união entre os mesmos que pudesse pôr em xeque o poder senhorial – tal era o caso da rivalidade existente entre os pretos mina (africanos) e os crioulos (nascidos no Brasil) –, porém os escravos também se aproveitavam das diferenças e das inimizades entre os senhores para fugir, obter manumissões e negociar direitos.

A invasão do candomblé do Accú, descrita no capitulo 3, coloca à mostra uma perseguição bastante comum naquela época, ao mesmo tempo em que revela a capacidade dos negros de conseguir apoio político entre os brancos que divergiam daqueles que queriam acabar com os ritos de origem africana. Este fato é exemplar por comprovar que os escravos tiravam proveito das divisões internas que havia entre senhores para alcançar suas conquistas, isto é, os negros não foram somente agentes passivos dentro da lógica escravista, mas atuaram de forma a minimizar sua situação de dominados dentro da estrutura econômica da sociedade brasileira. Tanto não eram meros sujeitos passivos que freqüentemente os escravos despertavam temores junto a seus dominadores.

O episódio do Dois de Julho, acontecido na Bahia em 1823, é bastante significativo. Como se sabe, ele resultou da oposição e do desentendimento entre brancos nascidos na província baiana e os portugueses que lá moravam. A elite baiana, enquanto lutava para afastar os portugueses dos negócios e do poder político na província, temia que os negros adicionassem à causa em questão o fim da escravidão. O que ela pretendia era uma “revolução” que não interferisse e nem modificasse o que lhe parecia fundamental, o regime de escravidão. Portanto, se fazia necessário desmobilizar o “partido negro” e sua pretensão de instituição da liberdade dos cativos, juntamente com a libertação da dominação portuguesa. Nesse sentido, a Bahia, foi pioneira no que poucos meses mais tarde iria se tornar à independência brasileira: uma solução de compromisso que não modificou o principal pilar da economia do Brasil na época, o modo de produção escravista.

Já o último capítulo do livro aborda o levante do malês ocorrido na Bahia em 1835. Este acontecimento histórico evidencia a luta empreendida por escravos africanos de religiosidade mulçumana que demonstraram capacidade de organização para impulsionar seu projeto de superação da sua condição escrava.

João José Reis e Eduardo Silva sustentam que a revolta do malês, ao contrário do que pensadores e intelectuais como Nina Rodrigues diziam, está relacionada com a luta pelo fim da escravidão, ou seja, a revolta que se deu na Bahia não foi simplesmente um conflito de cunho religioso, mas uma rebelião escrava que procurou derrotar a classe senhorial e o domínio por ela exercida.

Logo se vê que a experiência negra, tal qual emerge nessa obra, não é algo que possa ser enquadrado numa forma. Ela comporta muitas dimensões, que vão além da acomodação dos negros, do assassinato de feitores e senhores, passando pela negociação no interior das fazendas e pela fuga, seguida ou não da formação de quilombos, onde também despontaram ex-escravos escravizando negros.

Afinal, a análise dos autores busca construir uma visão dialética a respeito das relações entre escravos e senhores, procurando simultaneamente fugir dos dogmatismos e das visões parciais e estanques dos fenômenos históricos. Nisso consiste sua contribuição, o que não é pouco, muito pelo contrário.
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Download - Fernando Morais.


MORAIS, Fernando.
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A famosa obra escrita pelo escritor Fernando Morais, nada mais é que uma espécie de diário de bordo de uma viagem feita pelo autor à Cuba, em plena Guerra Fria, vivenciando de perto toda ideologia do país socialista e revolucionario.
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quinta-feira, março 01, 2012

Coluna: Manuel Correia de Andrade.

A Geografia Científica no Brasil
Publicado em 25.02.2007

O desenvolvimento dos estudos científicos da geografia no Brasil ganharam grande impulso com a criação das universidades (sobretudo a Universidade de São Paulo), que passaram a ministrar cursos em nível superior, o surgimento da Associação dos Geógrafos Brasileiros, por iniciativa de Pierre Deffontaines, e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este com a missão de realizar, em 1940, o recenseamento da população e o levantamento do mapa do Brasil ao milionésimo. Essas instituições, aglutinando especialistas em geografia, procuraram, ao mesmo tempo, formar geógrafos e fazer pesquisas em várias regiões do País, para que melhor se conhecesse o espaço geográfico de regiões ainda pouco exploradas e se consolidasse o conhecimento do território, permitindo que as áreas marginais, fronteiriças, se integrassem às porções já ocupadas.

Daí a grande campanha feita pelo governo Vargas de ocupação do Oeste, com a chamada Marcha para o Oeste, e o desmembramento de grandes Estados, como o Pará, o Amazonas e Mato Grosso, com a criação de territórios federais, como ocorreu como os atuais Estados do Amapá, de Roraima, então denominado de Rio Branco, de Rondônia, inicialmente denominado de Guaporé, e dos extintos territórios de Ponta Porã e de Iguaçu, este desmembrado do Paraná e de Santa Catarina.

Esse tipo de geografia, profundamente descritivo e interpretativo, baseava-se, sobretudo, nos moldes importados da França por mestres que aqui se fixaram por anos, como o já citado Deffontaines, Pierre Mombeig e Francis Ruellan. Ao mesmo tempo, vários jovens geógrafos foram enviados para fazer cursos de pós-graduação em universidades européias e norte-americanas, modernizando a geografia brasileira, professores também foram convidados a ministrar cursos de curta duração no Brasil, como correu por ocasião da realização do Congresso Internacional de Geografia, no Rio de Janeiro, em 1956. Ao mesmo tempo que ocorriam esses fatos no ensino secundário, a geografia, dominada pelos especialistas na apologia das nomenclaturas, foi sendo substituída pela geografia moderna, descritiva e interpretativa. Assistimos, na utilização de livros didáticos, à substituição dos elaborados por Mário da Veiga Cabral, pelos de Delgado de Carvalho e Aroldo de Azevedo.

Nos anos 60, durante a ditadura militar, ocorreu a penetração, na geografia brasileira, da chamada corrente quantitativista ou teorética, sobretudo na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Unesp, câmpus de Rio Claro, procurando introduzir tecnologias suecas e saxônicas no nesta disciplina, eliminando a influência humanista. Procurava-se libertar a geografia da influência da história, substituindo-a pela matemática e pela estatística. A teorética fez grande proselitismo, conquistou adeptos, mas foi combatida por fortes grupos de geógrafos, liderados por Milton Santos, Orlando Valverde e Aziz Ab’Saber.

Com a perda de força do regime militar, houve uma reação contra a matematização da geografia e alguns autores passaram a desenvolver a chamada geografia crítica, com influência marxista. Ocasião em que se desenvolveram áreas afins, como a geopolítica e a geoeconomia, e se passou a ter uma preocupação com a expansão brasileira no exterior, América do Sul, África Meridional e, até certo ponto, Caribe.

Hoje, com a expansão dos cursos de pós-graduação em geografia, e com cursos afins do mesmo nível, na área do planejamento urbano e rural e de política ambiental, observa-se o surgimento de várias tendências, como a geografia da percepção, desenvolvida principalmente em Belo Horizonte, a moderna geografia agrária, preocupada com a ação dos movimentos populares na organização da produção agrícola, a geografia física ambiental, que cresce estimulada pelo processo de degradação do meio ambiente, a geografia física, ligada à utilização de novas tecnologias, como a o uso do geoprocessamento, muito divulgada a partir da UFRJ, a geopolítica, voltada tanto para os processos de territorialização como de reterritorialização, a geo-economia, voltada para a análise do processo mundial de globalização e também da expansão da influência brasileira no exterior, sobre territórios vizinhos, etc.