quinta-feira, janeiro 05, 2012

O Mundo do Dinheiro e Seus Heróis - Emir Sader.


Até um certo momento os ricos ou escondiam sua riqueza ou tratavam de passar despercebidos, como se não ficasse bem exibir riqueza em sociedades pobres e desiguais. Ou até também para escapar da Receita.

De repente, o mundo neoliberal - esse em que tudo vale pelo preço que tem, em que tudo tem preço, em que tudo se vende, tudo se compra – passou a exibir a riqueza como atestado de competência. Nos EUA se deixou de falar de pobres, para falar de “fracassados”. Numa sociedade que se jacta de dar oportunidade para todos, numa “sociedade livre, aberta”, quem nao deu certo economicamente, é por incompetência ou por preguiça.

Ser rico é ter dado certo, é demonstrar capacidade para resolver problemas, ter criatividade, se dar bem na vida, etc., etc. Até um certo momento as biografias que se publicavam eram de grandes personagens da historia universal – governantes, lideres populares, gênios musicais, detentores de grandes saberes. A partir do neoliberalismo as biografias de maior sucesso passaram as ser as dos milhardários, que supostamente ensinam o caminho das pedras para os até ali menos afortunados.

Todos dizem que nasceram pobres, subiram na vida graças à tenacidade, à criatividade, ao trabalho duro, ao espirito de sacrifício. Tiveram tropeços, mas nao desistiram, leram algum guru de auto-ajuda que os fez aumentarem sua auto estima, acreditarem mais em si mesmos, recomeçarem do zero, até chegarem ao sucesso indiscutível.

Seus livros se transformam em best-sellers, vendem rapidamente – até que vários deles caem em desgraça, porque flagrados em algum escândalo -, eles viajam o mundo dando entrevistas e vendendo seu saber que, se fosse seguido por seus leitores, produziria um mundo de ricos e de pessoas realizadas e felizes como eles.

Quem vai publicar um livro de um “fracassado”? Só mesmo se fosse para que as pessoas soubessem quais os caminhos errados, aqueles que nao deveriam seguir, se querem ser ricos, bonitos e felizes. O mundo do trabalho, da fábrica, do sindicato, dos movimentos de bairro, das comunidades – mundo marginal e marginalizado.

Programas de televisão exaltam os ricos, os bem sucedidos, as mulheres que exibem sua elegância, sua falta de pudor de gastar milhões na Daslu e nas viagens a Nova York e a Paris. Ninguém quer ver gente feia, pobre, desamparada, que só frequenta os noticiários policiais e de calamidades naturais. As telenovelas tem como cenários os luxuosos apartamentos da zona sul do Rio e dos jardins de Sáo Paulo, com belas mulheres e homens que não trabalham, no máximo administram empresas de sucesso. Os pobres giram em torno deles – empregadas domésticas, entregadores de pizza, donos de botecos -, sempre como coadjuvantes do mundo dos ricos, que propõem o tipo de vida que as pessoas deveriam ter, se quiserem ser ricos, bonitos, felizes.

Esse mundo fictício esconde os verdadeiros mecanismos que geram a riqueza e a pobreza, os meios sociais – os bancos por um lado, as fábricas por outro – em que se geram a riqueza e a fortuna, a especulação e a expropriação do trabalho alheio. Em que estão os vilões e os heróis das nossas sociedades.

Fonte: Blog do Emir (Agencia Carta Maior).
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Exercício de História - Guerra Fria.

01. Uma das ironias deste estranho século XX é que o resultado mais duradouro da Revolução de Outubro de 1917, cujo objetivo era a derrubada global do capitalismo, foi salvar seu antagonista, tanto na guerra quanto na paz... (Eric J. Hobsbawm, "A Era dos Extremos", 1995).

De acordo com a argumentação do autor, a União Soviética salvou o capitalismo graças à:
a) vitória militar na 2ª Guerra Mundial e ao planejamento econômico para substituir a economia de mercado.
b) neutralidade na 1ª Guerra Mundial e à utilização da economia de mercado para fomentar a industrialização.
c) aliança com a Alemanha nazista, em 1939, e ao colapso dos planos qüinqüenais para desenvolver a economia.
d) derrota na guerra fria, entre 1945-1962, e ao fracasso na tentativa de fomentar a industrialização da Europa oriental.
e) retirada dos mísseis de Cuba, em 1962, e ao sucesso na ajuda à implementação da economia socialista na China.

02. Diante da hostilidade crescente à revolução socialista, especialmente dos Estados Unidos, o governo soviético adotou algumas medidas. Que medidas são essas?

I — Centralização do poder nas mãos de Josef Stalin, realizada através do terror político e da repressão.
II — Organização de um bloco socialista coordenado pela União Soviética.
III — Investimentos maciços de recursos na criação de um arsenal nuclear equivalente ao norte-americano.
IV — Reformulação e ampliação da agência de serviço secreto que passou a chamar-se KGB (1954).

Estão corretas:

a) apenas I e II.
b) apenas I e III.
c) apenas II e IV.
d) apenas III e IV.
e) I, II, III e IV.

03. Finda a Segunda Guerra Mundial, os EUA e a URSS emergiram como superpotências antagônicas. Entre as questões e conflitos internacionais relevantes que ocorreram durante o governo de Harry S. Truman (1945-1953), destacam-se:

a) Liga das Nações, política da boa vizinhança, crise dos mísseis, Primavera de Praga.
b) Conferência de Yalta, guerra do Vietnã, revolução argelina, Aliança para o Progresso.
c) New Deal, intervenção na Guatemala, revolução cubana, armistício com a Coréia.
d) cerco de Berlim pela URSS, revolução chinesa, guerra da Coréia, plano Marshall.
e) Conferência de Potsdam, revolução mexicana, armistício no Vietnã, doutrina Monroe.

04. Marque a opção que apresenta um acontecimento relacionado com as origens da Guerra Fria:
a) Construção do Muro de Berlim (1961).
b) Intervenção militar norte-americana no Conflito do Vietnã (1962).
c) Criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN (1949).
d) Eclosão da crise dos mísseis em Cuba (1962).
e) Invasão da Baía dos Porcos (1961).

05. Usa-se o nome Guerra Fria para designar
a) a tensão militar existente entre Inglaterra e Alemanha, no final do século XIX, motivada pela disputa, entre os dois Estados Nacionais, pelo controle do comércio no Mar do Norte.
b) o problema diplomático surgido entre França e Portugal, no início do século XIX, que provocou a vinda da família real portuguesa para o Brasil e a posterior transformação da colônia em Reino Unido.
c) a invasão francesa na Rússia, no início do século XIX, com a decorrente derrota dos invasores e o fim do período napoleônico.
d) o conjunto de tensões entre Estados Unidos e União Soviética, resultante da disputa, entre ambas, por uma posição hegemônica no contexto internacional do pós Segunda Guerra Mundial.
e) a disputa entre Rússia e Japão, no período imediatamente anterior à Primeira Guerra Mundial, por territórios no extremo oriente da Ásia e pelo controle do comércio marítimo no Pacífico.

06.Não é característica da Guerra Fria:
a) confronto ideológico que pressupõe equilíbrio nuclear entre as potências.
b) polarização do mundo em dois blocos político-militares.
c) distensão política e alinhamento internacional entre E.U.A. e U.R.S.S.
d) desconfiança entre americanos e soviéticos e disputa de áreas de influência.
e) criação das alianças militares O.T.A.N. e Pacto de Varsóvia.

07. (Texto1) "...inspirado por razões humanitárias e pela vontade de defender uma certa concepção de vida ameaçada pelo comunismo, constitui também o meio mais eficaz de alargar e consolidar a influência norte-americana no mundo, um dos maiores instrumentos de sua expansão (...) tem por conseqüência imediata consolidar os dois blocos e aprofundar o abismo que separava o mundo comunista e o Ocidente..."

(Texto2) "...as partes estão de acordo em que um ataque armado contra uma ou mais delas na Europa ou na América do Norte deve ser considerado uma agressão contra todas; e, conseqüentemente, concordam que, se tal agressão ocorrer, cada uma delas (...) auxiliará a parte ou as partes assim agredidas (...)"

Os textos identificam, respectivamente,
a) a Doutrina Monroe e a Organização da Nações Unidas (ONU).
b) o Plano Marshall e a organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
c) o Pacto de Varsóvia e a Comunidade Econômica Européia (CEE).
d) o Pacto do Rio de Janeiro e o Conselho de Assistência Econômica Mútua (COMECON).
e) a Conferência do Cairo e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

08. O macarthismo na década de 1950 nos Estados Unidos foi um movimento que visava:
a)conceder igualdade de oportunidades às minorias negras norte-americanas.
b)afastar de cargos públicos e de posições importantes na economia e na sociedade elementos que pudessem ter simpatias pelo regime soviético.
c)levar à presidência da República o general Douglas McArthur, o comandante-em-chefe das forças aliadas no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.
d)impedir a integração racial nos Estados do Sul dos Estados Unidos durante a presidência do general Eisenhower.
e)conter o expansionismo soviético através de uma delimitação clara das zonas de influência norte-americana.

09. A “Guerra Fria” caracterizava uma política externa que se desenvolveu a partir:
a) da guerra entre mulçumanos e judeus no Oriente Médio.
b) da polarização do mundo em dois grandes blocos politíco--militares, após a II Guerra Mundial.
c) do medo compartilhado pelos aliados vitoriosos na II Guerra de que regimes totalitários e fascistas pudessem ressurgir na Europa dizimada.
d) da polarização do mundo em dois grandes blocos político-militares após a I Guerra Mundial.
e) da hegemonia norte-americana, logo após a assinatura do Tratado de Versalhes (1919).

10. O Plano Marshall consistiu num projeto de reconstrução da Europa apresentado pelo General George Marshall, em junho de 1947. Certamente a sua causa não é:
a) o interesse que os Estados Unidos tinham em fortalecer a ordem capitalista na Europa Ocidental e, assim, impedir a expansão do socialismo no Continente.
b) a necessidade que a Europa tinha de reunir recursos para enfrentar o seu principal credor, os EUA, que lhe forneceram de alimentos a materiais bélicos durante a II Guerra Mundial.
c) a necessidade de se reconstruirem as cidades e de se recuperarem a indústria e a agropecuária européias,
devastadas durante a II Grande Guerra.
d) o temor trazido pela criação do Mercado Comum Europeu (MCE).
e) o deslocamento do controle monopilista do capitalismo no século XX da Europa para os EUA e sua crescente influência sobre os países europeus, enfraquecidos pelo declínio de seu poderio econômico e pelo processo de descolonização.
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terça-feira, janeiro 03, 2012

Movimento Contra Carestia: A Reação dos Movimentos Sociais ao Milagre Econômico Brasileiro.

Quando o crescimento econômico não gera o crescimento social, não há desenvolvimento. É dessa forma que podemos caracterizar o famoso período de nossa história conhecido como o "milagre econômico" que foi capitaneado pelo ministro Delfim Neto (que ficou conhecido pela frase: "temos que esperar o bolo crescer para depois distribuir os pedaços") durante o regime militar.

Durante o governo do general Amilio Garrastazu Médici, que assumiu em 1969 o crescimento econômico brasileiro chegou a ser superior a 10% do Produto Interno Bruto, o país crescia de forma otimista. As famosas políticas nacionalistas de Vargas e o desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek que culminaram em um grande investimento industrial e também na abertura econômica ao capital estrangeiro foi perpetuada pelos militares no período de ditadura e gerou a seguinte situação: quanto mais o país crescia econômicamente, a concentração de renda ampliava e a vida do povo piorava, elevando os índices de disparidade social.

Foi um momento muito ambíguo, pois ao lado do crescimento econômico, da geração de empregos e da instalação de multinacionais, as famílias dos trabalhadores tinham que conviver com a inflação, o arrocho salarial e a alta no preço dos alimentos. De fato, foi uma política que objetivava apenas o crescimento rápido, sem a mínima preocupação social. Um milagre para os economistas e uma trajédia para o povo brasileiro.

A medida que o sindicalismo e os movimentos sociais eram silenciados pelos militares, o capital estrangeiro penetrava nas terras brasileiras a fim de explorar as nossas riquezas. A industrialização e o desenvolvimento que gerava milhões de novos empregos nas empresas nacionais, estatais e multinacionais resultaria nos anos seguintes em um notável aumento do abismo social e na divida externa.

José Dantas explica esse período da seguinte forma:  
Esse modelo econômico se baseou ma indústria de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos etc.) que, durante os efêmeros anos do milagre, experimentou elevado crescimento. Logo, a ilusão do milagre desvanesceu-se, ja que o mercado interno não incorporou os segmentos mais pobres da população como consumidores. (p271).
Diante desse cenário de crescimento econômico e exclusão social, os militares faziam da propaganda a sua principal ferramenta, principalmente porque, foi nesse período que as famílias oriundas da classe média passou a ter acesso aos aparelhos de TV. É válido ressaltar que foi nesse momento que a Rede Globo se expandiu para todo o país e passou a controlar o setor das comunicações, principalmente pelo fato da empresa ser uma fiel porta-voz das falsas propagandas governamentais, gerando no imaginário da população a falsa ideia de que o Brasil estava caminhando para o hall das grandes potências mundiais.

Outra descrição favorável sobre esse período se encontra na obra de Boris Fausto, onde o mesmo afirma que o  fator negativo do milagre econômico foi de natureza social, pois de um lado, essa política permitiu uma grande acumulação de capital em detrimento dos salários da maioria dos trabalhadores. Outro aspecto negativo do "milagre" que perdurou depois dele foi a desproporção entre o avanço econômico e o retardamento ou mesmo, abandono dos programas sociais pelo Estado (FAUSTO. B p.269). O país durante a década de 1970 era caracterizado por altos índices de industrialização, ao lado de péssimos indicadores nos setores de educação, saúde e moradia.

E diante ese quadro social nada otimista, a ação dos movimentos populares foi primordial para aumentar a resistência política à ditadura militar que representava nada mais que, um capitalismo puramente selvagem. A insatisfação popular aumentava, a medida que os salários ficavam desvalorizados e o preço dos produtos, principalmente dos alimentos cresciam. Os empréstimos contraídos pelo país só faziam aumentar a nossa dependência pelos produtos importados.

Os empresários jogavam todo os prejuízos nas costas da classe trabalhadora e consequentemente, em suas famílias. E foi nesse momento de grande contradição que o movimento popular protagonizou um papel muito importante dentro da esfera política do país. As associações de bairros reinvidicavam por melhorias sociais, como mais escolas, creches, transportes públicos, esgoto, água encanada e hospitais. Por sua vez, os sindicatos lutavam contra os arroxos salariais. Assim o trabalhador brasileiro sentia na pele a política econômica gerida pela ditadura, seja no seu posto de trabalho, quanto no bairro que residia.

Isso gerou uma unificação das bandeiras de lutas dos movimentos comunitários e dos sindicatos e uma das maiores consequências desse fato foi a criação do Movimento Contra a Carestia em São Paulo e que logo se espalhou por outros estados como, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. O MCC era composto por pessoas ligadas ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e a Igreja Católica (É válido ressaltar que a CNBB escolheu o tema: "custo de vida" para a campanha da fraternidade de 1979). Foi um momento marcado por muita politização e organização, pois os trabalhadores que faziam o movimento sindical foram apoiados pelas lideranças comunitárias, que se organizavam em associações de bairros e em clube de mães. E assim, os trabalhadores, as lideranças comunitárias e as donas de casa passaram a tomar as ruas, distribuir panfletos nas feiras e nas fábricas, organizando a massa, tanto no local de trabalho, quanto nas suas moradias.

O MCC não se resumia apenas a realização de abaixo-assinado, panfletagem, manifestações e na organização de debates, mas outra prática merece grande destaque era as compras coletivas, onde as pessoas se reuniam e íam para a feira comprar frutas, verduras e legumes em uma grande quantidade por um preço mais baixo. Sobre essa prática, o advogado e militante do MCC na Bahia, Carlos Silveira escreveu em um artigo:
As compras coletivas aconteciam aos sábados, organizamos um grupo de pessoas interessadas, principalmente mulheres dos Bairros da Lama Preta e Triangulo e alugávamos um ônibus para irmos à  Feira de São Joaquim, onde comprávamos os gêneros hortifrutigranjeiros em uma grande quantidade e repartíamos com todos os participantes. Assim conseguíamos um preço mais baixo e aproveitávamos para nos relacionarmos com aquelas pessoas do povo buscando ajudá-las a compreender que a situação política que vivíamos é que era a responsável pela carestia e que tínhamos de nos organizar e lutar para mudar aquela situação.
Estas compras coletivas tiveram grande importância não só pela incidência que tinha no fato de baixar o valor da nossa cesta básica, como pelo fator destas pessoas que iam se conscientizando e tornavam base política desta nova realidade que surgia em nossa cidade a partir daquela quadra da nossa historia.
Foi no MCC que as reivindicações  e atuação das mulheres ganharam mais força contra a ditadura, principalmente quanto o movimento promoveu um grande abaixo-assinado para ser entregue ao presidente da república, para que o mesmo congelasse os preços. A movimentação ocorreu em todos os estados que o MCC estava presente e promovia mais debate sobre o mito do milagre econômico do governo dos generais. Milhares de trabalhadores, donas de casa, e estudantes assinaram o documento e participavam das plenarias promovidas pelo movimento. Logicamente que o governo reagiu com toda truculência possível, prendendo e reprimindo várias lideranças que divulgavam as bandeiras do Movimento Contra a Carestia.

Após várias atividades, o MCC chega a capital federal com o abaixo-assinado nas mãos. A ditadura militar presenciou pela primeira vez a força dos movimentos sociais. Infelizmente o documento não foi entregue ao presidente, contudo, o Movimento Contra a Carestia representou a força do povo brasileiro para a reconstrução de uma democracia participativa no país.

Referências:
DANTAS, José. História do Brasil.
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil.
SILVEIRA, Carlos. 13 Anos de História do Movimento Popular de Camaçari de 1977/1989 (2). Disponível em: http://www.camacariagora.com.br/colunista.php?cod_colunista=37&cod_coluna=72
RIBAS, Cinthia. MCC - As Mães Contra a Ditadura. Artigo publicado na revista Visão Classista (Junho/2011).
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domingo, janeiro 01, 2012

Coluna: Manuel Correia de Andrade.

O General das Massas.
Publicado em 23.07.2006 e em 30.07.2006.

A próxima implantação de uma destilaria de petróleo em Suape colocou em evidência uma das mais importantes figuras da história Pernambucana, o famoso “general das massas”, José Ignácio de Abreu e Lima, homem notável por sua inquietação, pelo seu destemor diante os perigos, por seu amor à pátria e por sua dedicação à literatura. 

Nascido no Recife em 1794, filho do famoso padre Roma, revolucionário de 1817, fez seus estudos preparatórios em Olinda e depois seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de fazer curso na Real Escola Militar, em que se diplomou e voltou a sua terra como capitão de artilharia em 1816. Logo envolveu-se em distúrbios políticos e foi preso e remetido para Salvador, onde o governador da Bahia, o Conde dos Arcos, o encarcerou no Forte de São Pedro. No ano seguinte o seu pai foi enviado a Salvador como representante de revolução que fora vitoriosa em março do mesmo ano de 1817, devendo fazer contato com simpatizantes da república na Bahia e expandir o território revolucionário. 

Preso ao chegar a Salvador, foi conduzido para a fortaleza em que se achava o filho e submetido a julgamento sumário que o condenou a morte por arca-buzamento. O filho assistiu à morte trágica do pai e, se já era homem devotado às idéias liberais, tornou-se um ardoroso revolucionário e, conseguindo fugir da prisão, com apoio da maçonaria, conseguiu chegar aos Estados Unidos, então apontado como país campeão da liberdade. Ali, não conseguiu o apoio desejado, mas conseguiu viajar para a Venezuela, onde se alistou no exército de Simão Bolívar, que lutava pela independência dos países andinos. 

Participou de numerosas batalhas ao lado do libertador Bolívar. Chegaram a forma um país de certa expressão territorial e populacional, a Gran Colômbia, e a influenciar na independência do Peru e da Bolívia. Mas as diferenças entre os generais libertadores e as rivalidades regionais levaram o país à dissolução e Bolívar ao desânimo, dando margem ao esfacelamento da América Latina de língua espanhola. 

Divergências políticas e dizem que um caso amoroso levou Abreu e Lima, que fizera carreira militar brilhante – de capitão de artilharia a general – a desistir da “aventura” e a regressar ao Brasil, depois de passar pela Europa. Lá permaneceu de 1830 a 1832 e teve contato com o rei dom Pedro IV de Portugal, que fora o Imperador Pedro I do Brasil e, ao retornar ao País estabeleceu-se no Rio de Janeiro até 1840, quando retornou ao Recife, voltando de forma moderada à atividade política, liderando os seus irmãos João, Luís e Francisco Roma. Interessante é que, ao voltar ao Brasil, filiou-se ao partido Caramuru que defendia a volta de dom Pedro I ao trono. Apesar disso, deu apoio ao partido praieiro na revolta chefiada por Nunes Machado e Pedro Ivo, tendo em 1849 sido, após a derrota da praieira, condenado à prisão em Fernando de Noronha.

Vê-se assim que faltou ao “general das massas” uma certa coerência, de vez que, republicano na juventude, tornou-se simpatizante do absolutismo monárquico – restaurador e inimigo da regência – na maturidade para defender os princípios de uma monarquia parlamentarista e federalista com a revolta praieira.

Ao lado de sua ação militar, Abreu e Lima foi também um escritor fluente e versátil, de vez que produziu muitos textos em áreas diversas do saber. Entre os seus livros podem ser destacados Bosquejo Histórico e Literário do Brasil, de 1844, uma resposta ao cônego Januário da Cunha Barbosa e, em 1855, O socialismo, possivelmente o primeiro publicado e divulgado no Brasil, em favor de uma sociedade igualitária. Idéias que foram comuns ao escritor e filósofo Antonio Pedro de Figueiredo, que nas páginas de sua revista, O progresso, fez sérias críticas nos meados do século 19 à sociedade oligárquica dos senhores de engenho da Mata. Sociedade que foi qualificada por Tobias Barreto como “assucocracia”. Convém lembrar que, apesar de escrito em 1855, em O socialismo de Abreu e Lima não se observa nenhuma influência de Karl Marx, que lançara, com Frederico Engels, sete anos antes, o famoso Manifesto Comunista. Assim o socialismo de Abreu e Lima não poderia ser classificado como científico. 

Outro grande movimento intelectual de que Abreu e Lima participou foi de ordem religiosa, quando divulgou os livros As Bíblias falsificadas e O Deus dos judeus e o Deus dos cristãos, em 1867, quando manteve forte polêmica com o Monsenhor Pinto de Campos, político eminente, sacerdote de grande cultura, com livros sobre as relações entre o Estado e a Igreja, bibliografias e relatos de viagem. Além disso, Pinto de Campos, homem muito erudito, foi o tradutor para o português da Divina comédia. A polêmica entre os dois políticos e eruditos teve a maior repercussão e, como se tratavam de dois homens ilustres e aguerridos, desceu a fortes ataques de ordem pessoal.

Finalmente Abreu e Lima também foi um precursor do movimento ambiental, tão em voga nos dias de hoje, de vez que de sua permanência como prisioneiro em Fernando de Noronha, após a revolta praieira, resultou um artigo sobre o famoso arquipélago no qual faz grandes observações de ordem ecológica, que foi publicado na revista do Instituto Arqueológico, em uma fase áurea.

O debate acalorado entre Abreu e Lima e Pinto de Campos foi de tal ordem que, ao falecer, o general das massas teve a interdição do seu sepultamento no cemitério de Santo Amaro, (então sobre controle eclesiástico) pelo bispo dom Francisco Cardoso Aires, que possuía posições muito conservadoras. Diante da situação vexatória em que ficou a família, o general foi sepultado em Santo Amaro, no cemitério dos ingleses, que era reservado à comunidade britânica estabelecida no Recife. Seus restos mortais lá se encontram até hoje, à margem da Avenida Cruz Cabugá.
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01 de Janeiro de 2012: 100 Anos de João Amazonas.


O primeiro dia de 2012 tem um grande significado simbólico para os membros do histórico Partido Comunista do Brasil. Uma vez que, a data representa o centenário de um dos seus maiores dirigentes, João Amazonas, que dedicou a maior parte de sua vida organizando o partido e participando ativamente das principais lutas populares do século passado.

Marxista, revolucionário e guerrilheiro, João Amazonas foi responsável pela reestruturação do PCdoB em várias décadas, contribuindo para o fortalecimenro do partido e sempre refletindo em torno da teoria e da prática revolucionária, a fim de adequar as ideias socialistas aos seus respectivos contextos históricos. Segundo Renato Rabelo, atual presidente do PCdoB, um dos principais ensinamentos que João Amazonas deixou para o partido foi a ideia de que não existe um modelo único de caminho e de construção socialista. Apesar de haver uma teoria geral, ela deve levar em conta as particularidades nacionais, históricas, políticas, econômicas, sociais e culturais em conjunção com os pensamentos político e científico avançados da época e de cada país.

Em uma de suas frases, João Amazonas afirma que ser comunista é servir a causa do povo.  E foi segundo esse raciocínio que ele encontrou um verdadeiro significado para a sua vida, que era defender a causa popular e lutar contra a exploração proveniente da sociedade capitalista, além de construir, organizar e fortalecer o Partido Comunista do Brasil em todos os cantos do país.

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quinta-feira, dezembro 29, 2011

Um Feliz 2012!


Achei muito oportuno publicar essa imagem para ilustrar a minha mensagem de feliz ano novo a todos os amigos, colegas e leitores do blog. Que o próximo ano se apresente carregado de desafios e boas oportunidades. Um grande abraço e saudações revolucionárias!
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terça-feira, dezembro 27, 2011

Para Hobsbawm, Protagonismo da Classe Média Marca Revoltas de 2011


A classe média foi a grande protagonista e força motriz das revoltas populares e ocupações que marcaram o ano de 2011. Esta é a opinião de Eric Hobsbawm, um dos mais importantes historiadores em atividade.

Em entrevista à BBC, o historiador marxista nascido no Egito, mas radicado na Grã-Bretanha, afirma ainda que a classe operária e a esquerda tradicional - da qual ele ainda é um dos principais expoentes - estiveram à margem das grandes mobilizações populares que ocorreram ao longo deste ano.

''As mais eficazes mobilizações populares são aquelas que começam a partir da nova classe média modernizada e, particularmente, a partir de um enorme corpo estudantil. Elas são mais eficazes em países em que, demograficamente, jovens homens e mulheres constituem uma parcela da população maior do que a que constituem na Europa'', diz, em referência especial à Primavera Árabe, um movimento que despertou seu fascínio.

''Foi uma alegria imensa descobrir que, mais uma vez, é possível que pessoas possam ir às ruas e protestar, derrubar governos'', afirma Hobsbawm, cujo título do mais recente livro, Como Mudar o Mundo, reflete sua contínua paixão pela política e pelos ideais de transformação social que defendeu ao longo de toda a vida e que segue abraçando aos 94 anos de idade.

As ausências da esquerda tradicional e da classe operária nesses movimentos, segundo ele, se devem a fatores históricos inevitáveis.

''A esquerda tradicional foi moldada para uma sociedade que não existe mais ou que está saindo do mercado. Ela acreditava fortemente no trabalho operário em massa como o sendo o veículo do futuro. Mas nós fomos desindustrializados, portanto, isso não é mais possível'', diz Hobsbawm.

Hobsbawm comenta que as diversas ocupações realizadas em diferentes cidades do mundo ao longo de 2011 não são movimentos de massa no sentido clássico.

''As ocupações na maior parte dos casos não foram protestos de massa, não foram os 99% (como os líderes dos movimentos de ocupação se autodenominam), mas foram os famosos 'exércitos postiços', formados por estudantes e integrantes da contracultura. Por vezes, eles encontraram ecos na opinião pública. Em se tratando das ocupações anti-Wall Street e anticapitalistas foi claramente esse o caso.''

À sombra das revoluções:

Hobsbawm passou sua vida à sombra - ou ao brilho - das revoluções. Ele nasceu apenas meses após a revolução de 1917 e foi comunista por quase toda a sua vida adulta, bem como um autor e pensador influente e inovador.

Ele tem sido um historiador de revoluções e, por vezes, um entusiasta de mudanças revolucionárias. O historiador enxerga semelhanças entre 2011 e 1848, o chamado ''ano das revoluções'', na Europa, quando ocorreram uma série de insurreições na França, Alemanha, Itália e Áustria e quando foi publicado um livro crucial na formação de Hobsbawm, O Manifesto Comunista, de Marx e Engels.

Hobsbawm afirma que as insurreições que sacudiram o mundo árabe e que promoveram a derrubada dos regimes da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, ''me lembram 1848, uma outra revolução que foi tida como sendo auto-impulsionada, que começou em um país (a França) e depois se espalhou pelo continente em um curto espaço de tempo''.
Para aqueles que um dia saudaram a insurreição egípcia, mas que se preocupam com os rumos tomados pela revolução no país, Hobsbawm oferece algumas palavras de consolo. ''Dois anos depois de 1848, pareceu que alguma coisa havia falhado. No longo prazo, não falhou. Foi feito um número considerável de avanços progressistas. Por isso, foi um fracasso momentâneo, mas sucesso parcial de longo prazo - mas não mais em forma de revolução''.

Mas, com a possível exceção da Tunísia, o historiador não vê perspectivas de que os países árabes adotem democracias liberais ao estilo das europeias.'' Estamos em meio a uma revolução, mas não se trata da mesma revolução. O que as une é um sentimento comum de descontentamento e a existência de forças comuns mobilizáveis - uma classe média modernizadora, particularmente, uma classe média jovem e estudantil e, é claro, a tecnologia, que hoje em dia torna muito mais fácil organizar protestos.''

Fonte:BBC Brasil.

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Admirável República dos Tiriricas: Os Fatos Mais Interessantes da Política Tupiniquim.


Mesmo diante de tantos discursos e números otimismas, no que diz respeito aos desempenhos sociais, econômicos e políticos do país, não podemos negar que as velhas práticas de desrespeito ao dinheiro público ainda não estão sendo abolidas, pelo contrário, elas estão se perpetuando ainda mais. Se por um lado, as exportações brasileiras ultrapassaram o montante de 250 bilhões e o salário mínimo teve um aumento expressivo, 2011 também foi um ano difícil para conter os nossos "larápios institucionais" que historicamente parasitam a estrutura burocrática brasileira.

Façamos um balanço crítico do ano de 2011 e vamos avaliar algumas práticas que ainda insistem em existir, gerando um sentimento coletivo de desprezo pelos assuntos de interesse político. Lembrem-se que o próximo ano vamos ter eleições municipais e nossos representantes estarão demasiadamente ocupados, pois os mesmos precisam amarrar as alianças e os acordos para as disputas eleitorais e não vão ter tanto tempo para escutar as demandas do povo, exceto quando estiverem nos comícios, exbanjando toda simpatia do "bom politico tupiniquim".

Então, vamos  lembrar alguns fatos que ocorreram no decorrer do ano, para abrilhantar ainda mais o nosso bom e velho debate político de mesa de bar, Uma vez que, se existe um lugar onde esse papo flui de uma forma positiva é  quando estamos tomando cerveja com os ilustres companheiros e camaradas. Pois bem, para iniciar a nossa análise vamos avaliar a atual gestão federal que durante os últimos12 meses, teve sete ministros afastados e a maioria deles por suspeita de corrupção? Também podemos elencar o questionamento sobre as férias de 14 dias da querida presidenta que custará aos cofres públicos aproximadamente 650 mil Reais.

Depois dessas indagações, peça outra cerveja e prossiga com mais questionamentos: lembre-se dos salários faraônicos dos parlamentares, municipais, estaduais e federais, além das famosas verbas de gabinete e dos auxílios que garantem dinheiro para a aquisição de paletós, aluguel de residências, compra de passagens aéreas etc. É bom lembrar que a bandidagem política paira sobre o legislativo.

E por fim, cite o presentinho que os juízes e desembargadores pernambucanos receberão, no que diz respeito ao auxílio alimentação de R$ 630,00, retroativos a agosto de 2006. Afinal de contas, o judiciário não pode ficar fora desse picadeiro.

Portanto, evocar apenas os avanços e os momentos otimistas fechando os olhos para o que ainda permanece errado é avaliar a situação de forma despolitizada. É preciso fazer valer o nosso papel de cidadão e ficar atento ao que se passa na esfera pública, pois é dessa forma que a democracia avança. É com participação popular e o controle social que podem fazer com que a sociedade mude para melhor. Mais até lá, tomemos mais uma cerveja, e vamos falar de futebol.
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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Mídia e Democracia - Dez Fatos que a "Grande" Imprensa Esconde da Sociedade .


As entidades que reúnem as grandes empresas de comunicação no Brasil usam e abusam da palavra "censura" para demonizar o debate sobre a regulação da mídia. No entanto, são os seus veículos que praticam diariamente a censura escondendo da população as práticas de regulação adotadas há anos em países apontados como modelos de democracia. Conheça dez dessas regras que não são mencionadas pelos veículos da chamada "grande" imprensa brasileira.

O debate sobre regulação do setor de comunicação social no Brasil, ou regulação da mídia, como preferem alguns, está povoado por fantasmas, gosta de dizer o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins. O fantasma da censura é o frequentador mais habitual, assombrando os setores da sociedade que defendem a regulamentação do setor, conforme foi estabelecido pela Constituição de 1988.

Regulamentar para quê? – indagam os que enxergam na proposta uma tentativa disfarçada de censura. A mera pergunta já é reveladora da natureza do problema. Como assim, para quê? Por que a comunicação deveria ser um território livre de regras e normas, como acontece com as demais atividades humanas? Por que a palavra “regulação” causa tanta reação entre os empresários brasileiros do setor?

O que pouca gente sabe, em boa parte por responsabilidade dos próprios meios de comunicação que não costumam divulgar esse tema, é que a existência de regras e normas no setor da comunicação é uma prática comum naqueles países apontados por esses empresários como modelos de democracia a serem seguidos.

O seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias, realizado em Brasília, em novembro de 2010, reuniu representantes das agências reguladoras desses países que relataram diversos casos que, no Brasil, seriam certamente objeto de uma veemente nota da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) denunciando a tentativa de implantar a censura e o totalitarismo no Brasil.

Ao esconder a existências dessas regras e o modo funcionamento da mídia em outros países, essas entidades empresariais é que estão praticando censura e manifestando a visão autoritária que tem sobre o tema. O acesso à informação de qualidade é um direito. Aqui estão dez regras adotadas em outros países que os barões da mídia brasileira escondem da população:

1. A lei inglesa prevê um padrão ético nas transmissões de rádio e TV, que é controlado a partir de uma mescla da atuação da autorregulação dos meios de comunicação ao lado da ação do órgão regulador, o Officee of communications (Ofcom). A Ofcom não monitora o trabalho dos profissionais de mídia, porém, atua se houver queixas contra determinada cobertura ou programa de entretenimento. A agência colhe a íntegra da transmissão e verifica se houve algum problema com relação ao enfoque ou se um dos lados da notícia não recebeu tratamento igual. Após a análise do material, a Ofcom pode punir a emissora com a obrigação de transmitir um direito de resposta, fazer um pedido formal de desculpas no ar ou multa.

2. O representante da Ofcom contou o seguinte exemplo de atuação da agência: o caso de um programa de auditório com sorteios de prêmios para quem telefonasse à emissora. Uma investigação descobriu que o premiado já estava escolhido e muitos ligavam sem chance alguma de vencer. Além disso, as ligações eram cobradas de forma abusiva. A emissora foi investigada, multada e esse tipo de programação foi reduzida de forma geral em todas as outras TVs.

3. Na Espanha, de 1978 até 2010, foram aprovadas várias leis para regular o setor audiovisual, de acordo com as necessidades que surgiam. Entre elas, a titularidade (pública ou privada); área de cobertura (se em todo o Estado espanhol ou nas comunidades autônomas, no âmbito local ou municipa); em função dos meios, das infraestruturas (cabo, o satélite, e as ondas hertzianas); ou pela tecnologia (analógica ou digital).

4. Zelar para o pluralismo das expressões. Esta é uma das mais importantes funções do Conselho Superior para o Audiovisual (CSA) na França. O órgão é especializado no acompanhamento do conteúdo das emissões televisivas e radiofônicas, mesmo as que se utilizam de plataformas digitais. Uma das missões suplementares e mais importantes do CSA é zelar para que haja sempre uma pluralidade de discursos presentes no audiovisual francês. Para isso, o conselho conta com uma equipe de cerca de 300 pessoas, com diversos perfis, para acompanhar, analisar e propor ações, quando constatada alguma irregularidade.

5. A equipe do CSA acompanha cada um dos canais de televisão e rádio para ver se existe um equilíbrio de posições entre diferentes partidos políticos. Um dos princípios dessa ação é observar se há igualdade de oportunidades de exposição de posições tanto por parte do grupo político majoritário quanto por parte da oposição.

6. A CSA é responsável também pelo cumprimento das leis que tornam obrigatórias a difusão de, pelo menos, 40% de filmes de origem francesa e 50% de origem européia; zelar pela proteção da infância e quantidade máxima de inserção de publicidade e distribuição de concessões para emissoras de rádio e TV.

7. A regulação das comunicações em Portugal conta com duas agências: a Entidade reguladora para Comunicação Social (ERC) – cuida da qualidade do conteúdo – e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que distribui o espectro de rádio entre as emissoras de radiodifussão e as empresas de telecomunicações. “A Anacom defende os interesses das pessoas como consumidoras e como cidadãos.

8. Uma das funções da ERC é fazer regulamentos e diretivas, por meio de consultas públicas com a sociedade e o setor. Medidas impositivas, como obrigar que 25% das canções nas rádios sejam portuguesas, só podem ser tomadas por lei. Outra função é servir de ouvidoria da imprensa, a partir da queixa gratuita apresentada por meio de um formulário no site da entidade. As reclamações podem ser feitas por pessoas ou por meio de representações coletivas.

9. A União Européia tem, desde março passado, novas regras para regulamentar o conteúdo audiovisual transmitido também pelos chamados sistemas não lineares, como a Internet e os aparelhos de telecomunicação móvel (aqueles em que o usuário demanda e escolhe o que quer assistir). Segundo as novas regras, esses produtos também estão sujeitos a limites quantitativos e qualitativos para os conteúdos veiculados. Antes, apenas meios lineares, como a televisão tradicional e o rádio, tinham sua utilização definida por lei.

10. Uma das regras mais importantes adotadas recentemente pela União Europeia é a que coloca um limite de 12 minutos ou 20% de publicidade para cada hora de transmissão. Além disso, as publicidades da indústria do tabaco e farmacêutica foram totalmente banidas. A da indústria do álcool são extremamente restritas e existe, ainda, a previsão de direitos de resposta e regras de acessibilidade.

Todas essas informações estão disponíveis ao público na página do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias. Note-se que a relação não menciona nenhuma das regras adotadas recentemente na Argentina, que vem sendo demonizadas nos editoriais da imprensa brasileira. A omissão é proposital. As regras adotadas acima são tão ou mais "duras" que as argentinas, mas sobre elas reina o silêncio, pois vêm de países apontados como "exemplos a serem seguidos" Dificilmente, você ouvirá falar dessas regras em algum dos veículos da chamada grande imprensa brasileira. É ela, na verdade, quem pratica censura em larga escala hoje no Brasil.

por Marco Aurélio Weissheimer
Do Portal Carta Maior.
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domingo, dezembro 25, 2011

Reforma Política: Um Debate Necessário Para o Brasil Avançar.


No campo da política não há espaço para formulas prontas quando estamos diante de problemas relacionados a natureza do Estado. Essas problemáticas, normalmente são frutos da própria dinâmica social e tendem a se tornar elementos essenciais para tranformarmos a realidade, além de adequar a funcionabilidade estatal ao seu contexto histórico. É nesse processo dialético que passam a surgir os novos desafios e novas demandas políticas que por sua vez, podem ou não determinar o início de uma transformação social.

E diante de tal contexto, é fundamental avaliar um pouco sobre o nosso papel como sujeito histórico, tendo em vista a responsabilidade de identificarmos esses novos desafios que podem condicionar uma transformação política para que nossa ação, enquanto cidadãos seja cada vez mais qualificada e fundamentada no atual momento que estamos inseridos. Não adianta pararmos no tempo e pensar que presente é apenas o bastante para lidarmos com as atuais demandas sociais, pelo contrário, precisamos utilizar de todas as lições que obtivemos no passado para daí, compreender a contemporaneidade e assim oferecer respostas concretas para as necessidades políticas atuais.

Enfim, é no acúmulo de força e no diálogo com outras opiniões que vamos obter a experiência necessária para compreendermos a nossa realidade. A maior prova disso, consiste no avanço que os partidos e entidades civis de ideologia progressista e de esquerda vem obtendo ao longo da última década, principalmente após a vitória eleitoral do presidente Lula em 2002. Foi um processo que não surgiu do dia para a noite, pelo contrário, foi uma construção histórica e obtida ao longo de um árduo processo de acúmulo de experiências, estudos e alianças políticas. Processo esse que vai sendo construído a medida em que as contradições vão se manifestando com mais intensidade e precisando assim de respostas mais fundamentadas às reais necessidades.

Vivênciamos uma década repleta de mudanças, principalmente no que diz respeito ao fortalecimento do diálogo e da participação popular dentro das instâncias deliberativas do poder político. Foi o momento em que os movimentos sociais, os partidos políticos de esquerda e as organizações civis passaram a ser os principais representantes do povo brasileiro, pois esses, foram capazes de entender toda a complexidade das relações políticas e ao mesmo tempo, criaram as condições necessárias para um período de intensas transformações sociais. Como sabemos, a ascensão desses setores políticos foi responsável pelo desenvolvimento das políticas públicas, das ações afirmativas e dos mecanismos de controle social.

Contudo, todos esses avanços também possibilitou um amadurecimento político que por sua vez, veio acompanhado por novas demandas, necessitando ainda mais a ampliação das ações políticas para que haja maior participação popular a fim de que esses novos desafios sejam incorporados à agenda publica. Ainda temos um longo caminho para debatermos sobre questões fundamentais para o desenvolvimento social do Brasil, e a reforma política é uma dessas questões. Felizmente, criamos condições reais para debatermos sobre essa temática, dentro e fora das instâncias burocráticas e conservadoras do Estado. Para ficar mais claro esse raciocínio, vamos pensar da seguinte maneira: se no passado, a juventude exigia mais escolas e universidades, hoje, temos que exigir uma revolução no modelo educacional do país; se os trabalhadores clamavam pela criação de novos postos de trabalhos, hoje, temos que lutar pela valorização e pelo trabalho decente e se a outrora, lutávamos por um projeto político voltado para as classes populares, hoje, temos condições de exigir uma reforma no modelo de organização política do país, para que possamos transformar o Brasil em uma democracia ampla, participativa e popular. Os novos desafios do século XXI estão lançados e o momento é bastante propício para avançarmos junto com os movimentos sociais.

Enfim, não podemos negar que chegamos a um momento de grande maturidade, e justamente por isso, temos total condições de identificar os próximos passos para avançar no processo de reformulação da democracia brasileira. Para isso, é fundamental romper com obstáculos institucionais que foram cristalizados nas raízes do Estado brasileiro, pois esses dificultam a possibilidade de se executar maiores transformações na atual conjuntura política. Além disso, também é necessário desconstruir a lógica que está inserida no atual modelo de democracia representativa do país. Democracia essa que em muitos caso, não favorece de forma eficaz a participação popular nas instâncias governamentais e que é facilmente manipulada por fatores externos, como a grande mídia e o capital privado. Nessa conjuntura, temos que fortalecer cada vez mais a ideia de uma democracia livre do capital econômico.

Estamos diante de uma nova contradição e os partidos políticos, junto aos movimentos sociais precisam tomar propriedade desse debate, para que a democracia brasileira não seja, mais um instrumento das oligarquias e dos empresários que historicamente utilizam da gestão pública para manter os seus interesses de mercado. É difícil avançar, tendo que conviver com um modelo de democracia vacilante e submissa ao poder economico. É difícil chegarmos a novos patamares se ainda predomina uma cultura política conservadora e paternalista. Entretanto, só vamos encontrar a solução para esses novos desafios através da mobilização popular.

As organizações sindicais, os movimentos comunitários, as mulheres, a juventude e os movimentos de negros e negras precisam formular opiniões sobre o fortalecimento dos partidos políticos e do financiamento público de campanha para que possamos acabar com certas práticas eleitorais que somente favorecem uma elite e que faz da gestão pública um instrumento para a manutenção dos interesses particulares. Para a democracia avançar é preciso que os partidos políticos se fortaleçam e que seus programas sejam respeitados e não reduzidos apenas a legendas eleitorais.

E é diante disso que os movimentos sociais precisam responder aos novos estímulos e orientar os rumos do debate sobre a reforma política brasileira, com o intuito de escrever um novo projeto nacional de desenvolvimento para país. Os movimentos não podem estagnar no tempo e no espaço, nem ficar presos as bandeiras do passado, é preciso renovar a luta e avançar na política. Em outras palavras, vamos democratizar a democracia e fazer com que haja de fato, um modelo de representação democrática que contemple os trabalhadores, as mulheres, os jovens, os negros, os indígenas e outras minorias. É dessa democracia que o país precisa.

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