domingo, novembro 25, 2012
Debate no Sindicato dos Professores de Pernambuco.
Elogiando as Utopias & Cortejando o Absurdo - Carlos Marighella.
"O guerrilheiro urbano tem que ser uma pessoa preparada para compensar o fato de que não tem suficientes armas, munições e equipe".
"É necessário que todo guerrilheiro urbano mantenha em mente que só poderá sobreviver se estiver disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão. E se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas, os latifundiários e os imperialistas".
############################################################################################################
Marcadores:
Elogiando as Utopias e Cortejando o Absurdo.
Historiador? Só com Diploma.
Poucos notaram, mas o Senado aprovou um projeto de lei estapafúrdio na última quarta-feira. Eis o essencial: "O exercício da profissão de historiador, em todo o território nacional, é privativo dos portadores de diploma de curso superior em história, expedido por instituição regular de ensino".
Em resumo, se vier a ser aprovada pela Câmara e depois sancionada pela presidente da República, a nova lei impedirá que pessoas sem diploma de história possam dar aulas dessa disciplina.
A proposta é de um maniqueísmo atroz. Ignora que médicos, sociólogos, economistas, engenheiros, juristas, jornalistas ou cidadãos sem diploma possam acumular conhecimentos históricos sobre suas áreas de atuação. Terão todos de guardar para si o que aprenderem.
Há sempre a esperança de alguém levantar a mão e interromper essa marcha da insensatez na Câmara. Mas mesmo que seja abortado, o episódio não perderá a sua gravidade. Trata-se de um alerta sobre a obsolescência e a falta de lógica do processo legislativo brasileiro.
A ideia nasceu em 2009. Era um projeto do senador Paulo Paim, do PT gaúcho. Em três meses, o senador Cristovam Buarque, do PDT de Brasília, deu um parecer favorável. Ouviu um chiste de José Sarney: "Você quer me impedir de escrever sobre a história do Maranhão".
Cristovam parece arrependido do seu protagonismo. Indica ter deixado tudo para assessores, sem supervisioná-los como deveria. Erros acontecem. Só que o senador defensor da educação não quis reconhecer o equívoco na quarta-feira. Preferiu se ausentar do plenário.
O Senado tem 81 integrantes. Só dois votaram contra o diploma obrigatório para historiadores: Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Pedro Taques (PDT-MT). É muito pouco para impedir que o país se transforme, de lambança em lambança, numa pátria das corporações.
Por Fernando Rodrigues.
Fonte: Folha de São Paulo.
############################################################################################################
Marcadores:
Textos Selecionados.
quarta-feira, novembro 21, 2012
O Que Há de Novo: Sobre a "Nova Classe Média".
Os balanços das eleições municipais de 2012 ressaltaram, à exaustão, as ideias de renovação, tempos novos, novidade. O que há de novo, na verdade, é que a boa e velha classe trabalhadora, acrescida de novos contingentes que somam dezenas de milhões, volta a ser chamada como espinha dorsal de um projeto de desenvolvimento nacional. Para os sindicatos e partidos que reivindicam sua representação resta revelarem-se à altura da missão.
Um espectro ronda o Brasil: a “nova classe média”.
Para lhe fazer companhia, os balanços das eleições municipais de 2012 ressaltaram, à exaustão, as ideias de renovação, tempos novos, novidade. Fica, no entanto, uma pergunta no ar: quanto disso é fato, quanto é ferramenta de marketing, quanto é recurso retórico que produz boas manchetes e parcas matérias?
Fato número um: a integração de dezenas de milhões de brasileiros à faixa intermédia de renda significa isso mesmo. Estão “no meio”, por artes da aritmética, mas “classe média” não são (nos sentidos sociológico, econômico ou político que, tradicionalmente, se atribuem à categoria).
Trata-se de uma imponente ampliação quantitativa da classe dos trabalhadores assalariados, ao lado de uma visível expansão paralela de atividades de pequeno comércio e prestação de serviços autônomos.
Segundo fato, este sim, novo: pela primeira vez na história nacional a expansão quantitativa do trabalho assalariado urbano se fez acompanhar, simultaneamente, por alguma redução na desigualdade social; por crescente formalização das relações de emprego; por manutenção e, até, expansão de direitos; e, também, por forte ganho real na renda do trabalho.
Fato número três: a origem dessa movimentação econômica e social está na ação deliberada do governo federal e tem no Estado Nacional seu protagonista e elemento dinâmico. A combinação dos programas de combate à miséria com a política de decidida valorização do salário mínimo é a melhor tradução sintética dessa orientação, ainda que muitas outras iniciativas e programas convirjam positivamente.
Seus múltiplos efeitos levam à constituição de um autêntico mercado interno de massas que, ao lado da expansão das atividades exportadoras de produtos agrícolas e minerais, gera condições de dinamismo na economia capitalista brasileira. Guardadas as devidíssimas proporções, é um quadro já experimentado pelo país nos períodos Vargas e Juscelino; um seminovo, digamos.
Quarto fato: até pelo quanto é recente o fenômeno, a integração de grandes massas ao assalariamento (e sua chegada ao consumo um pouco além da subsistência) ainda não é acompanhada por alterações substantivas nos planos das ideias, dos valores e, até mesmo, dos comportamentos sociais.
Recorrendo ao velho cânone, pode-se dizer que, menos que classe “em si” ou “para si”, vivemos um período de classe “pré-si”, de multidão ainda por conformar-se como grupo de interesses históricos explícitos e organizáveis.
Os fatos acima delineados configuram, em linhas muito gerais, o novo cenário nacional. Entre os brasileiros se formou uma forte maioria, para quem este é um cenário de seu agrado. Um desafio se impõe de imediato: como impedir retrocessos, como assegurar sua continuidade e como buscar seu aprofundamento qualitativo?
A “fidelização dos recém-chegados” tem que ser o ponto de partida. O passo inicial e decisivo é o contínuo atendimento de seus interesses mais imediatos, notadamente os de ordem material. Esta é a âncora antirretrocesso e, ao mesmo tempo, o alicerce do programa político adequado à nova etapa que se abre. Ganham, portanto, relevância estratégica temas como a qualidade e presteza dos serviços públicos – notadamente saúde, educação, transporte de massas, moradia e segurança pública – como complemento obrigatório de uma política sempre expansiva em termos de postos de trabalho e valor real de salários.
As condições materiais necessárias para o desenvolvimento de tal modelo são as de uma contínua expansão da produção (notadamente a industrial) e da produtividade. Isso exige um combate sem tréguas ao rentismo, à financeirização, à proposta arcaica de uma rota principalmente “primário-exportadora” e da acumulação preponderante pela via dos mercados de capitais.
Um pacto pelo desenvolvimento, policlassista, orientado pelo crescimento continuado do mercado interno e pela penetração exportadora – principalmente nos mercados latinoamericanos, asiáticos e africanos - deve ser formalizado e explicitado. O enfrentamento dos principais gargalos de infraestrutura, de logística e tributários merece atenção especial.
Estabelecidas essas premissas “físicas”, há que se enfrentar uma renhida disputa pelos corações e mentes. André Singer, em artigo recente, criou uma imagem poderosa: “Do ponto de vista político, parece um erro pensar que se trata de nova classe média, Configura-se mais como um novel proletariado, que deve ter a cara do capitalismo lulista. Mas como esta ainda não ficou clara, tampouco é nítido o perfil de seus membros. Serão jovens assalariados que caminham para os sindicatos ou microempreendedores interessados em diminuir os impostos?”.
Até por razões de natureza prática – não há como se pensar uma economia “jeffersoniana” de milhões e milhões de pequenos proprietários no quadro do capitalismo moderno – a opção é, sem dúvida, a da socialização organizada da “nova multidão” pela via sindical.
O consultor sindical João Guilherme Vargas Netto é preciso em sua descrição do quadro: “Com o emprego em alta e cada vez mais formalizado o movimento sindical vê-se às voltas com os novos desafios colocados para ele pelos trabalhadores recém-contratados, em sua maioria jovens.
A formalização do vínculo não implica a adesão ao sindicato e muito menos sindicalização; infelizmente o que temos visto, por ora, nos sindicatos são as grandes filas de jovens empregados entregando as cartas de oposição aos descontos sindicais.
Duas razões afastam ou, pelo menos, não aproximam os jovens dos sindicatos: a formação ou deformação ideológica sob o bombardeio do neoliberalismo que valoriza o egoísmo e é avesso à socialização sindical; e a própria conquista do primeiro emprego, em cuja fruição o jovem se aliena, desprezando as condições político-sindicais que o têm garantido. Ele acredita em si e na empresa e despreza, porque não conhece, a história das conquistas sociais.
[...] O movimento sindical precisa, com urgência, adicionar às suas preocupações mais esta: chamar para si os jovens trabalhadores falando a sua linguagem e educando-os, oferecer-lhes o sindicato como porta de entrada de sua socialização e instrumento eficaz na conquista de suas reivindicações, no atendimento de suas expectativas e na compreensão de seus interesses e comportamentos.”.
Isto, no entanto, não ocorre espontaneamente, ou por osmose ou por decantação. Ou bem o movimento sindical dos trabalhadores apercebe-se do desafio e assume sua tarefa intransferível e, também, arregimenta apoios partidários e governamentais, ou bem a oportunidade se esvai e se perde força vital para o processo.
Ressalvados todos os riscos e falhas de quaisquer metáforas, reducionistas por natureza, pode-se dizer que o “Novo Brasil” está postado em uma encruzilhada. A via à direita é regida pelas ideias do “americanismo”, do primado do individualismo, de “empreendedorismo” e do livre-mercado. À esquerda se abre a rota “europeia”, da construção do Estado do Bem-Estar, conduzida pelas ideias-força de coletivo, da solidariedade de classe e da firme presença estatal.
O que há de novo, na verdade, é que a boa e velha classe trabalhadora, acrescida de novos contingentes que somam dezenas de milhões, volta a ser chamada como espinha dorsal de um projeto de desenvolvimento nacional dinâmico e fortemente includente. Para os sindicatos e partidos políticos que reivindicam sua representação resta revelarem-se à altura da missão.
Por Artur Araújo - Consultor especializado em gestão pública e empresarial.
Fonte: Carta Maior.
############################################################################################################
Marcadores:
Textos Selecionados.
domingo, novembro 18, 2012
Edgar Vasques: Rango.
Marcadores:
Edgar Vasques - Rango.
As Aventuras da Família Brasil - Luis Fernando Veríssimo.
Marcadores:
As Aventuras da Família Brasil.
quarta-feira, novembro 14, 2012
Pressões Resultam em Adoecimento Físico e Mental.
A organização do trabalho atual, em nome de uma maior produtividade, exige que os trabalhadores tenham atribuições flexíveis e consigam trabalhar em várias frentes concomitantes, devendo ter individualmente um empenho considerado satisfatório. O desempenho de cada um é medido através do cumprimento de metas impostas pelas empresas, muitas vezes consideradas abusivas pelo esforço e dedicação que requerem dos empregados.
Para especialistas, as dificuldades de se atingir o padrão estabelecido por este tipo de organização laboral contribuem para o adoecimento físico e mental dos trabalhadores. “As metas pressionam na direção de um ritmo acelerado de trabalho, colocando o sujeito sempre no lugar de quem está devendo, de quem pode ser rebaixado”, explica a psicóloga Renata Paparelli.
Foi o que aconteceu com Regina* durante os 24 anos em que trabalhou como caixa em um banco. “Além de dar conta do meu serviço, tinha que cumprir as metas de vendas de produtos que eram impostas. Mas eu não era boa vendedora, eu era caixa”, conta a bancária, que afirma ter sofrido diversos tipos de pressão em relação ao cumprimento das metas. “Para pressionar, eles colocam sua vaga de emprego em dúvida, fazem reuniões antes do expediente com a desculpa de dar dicas, quando, na verdade, só querem fazer pressão sobre você”, relata.
Reorganização:
Para Plínio Pavão, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), o problema da organização do trabalho é que ela não é feita a partir da percepção do trabalhador sobre a atividade a ser realizada. “Não se pode pensar a execução do trabalho sem levar em conta a opinião de quem vai executá-lo”, defende o sindicalista, para o qual, “os métodos de pressão por cumprimento de metas são absolutamente cruéis e influenciam diretamente a vida pessoal dos trabalhadores”. Além disso, o pesquisador do Centro de Tecnologia e Informação Renato Archer (CTI-MCTI), Marco Antônio Silveira, alerta para o fato de que o estado mental e emocional dos trabalhadores impacta diretamente em sua capacidade de aprendizagem e de trabalho em equipe. “Portanto, afeta diretamente a sua capacidade de implantar melhorias e inovações, condições fundamentais para a inserção competitiva das empresas nos dinâmicos mercados atuais”, analisa.
Invisibilidade:
A concessão de auxílios-doença por causa de transtornos mentais e comportamentais em 2011 foi 20% maior do que em 2010, conforme dados da Previdência Social. No entanto, segundo especialistas, as notificações deste tipo de adoecimento ainda estão aquém do número real de casos. “é bastante difícil estabelecer a relação entre o transtorno mental (efeito) e as condições de trabalho (causa)”, analisa Silveira. O pesquisador do CTIMCTI afirma também que o adoecimento mental de trabalhadores ainda é um assunto tabu dentro das empresas, cercado de preconceitos, medos e desconhecimento. “Ao perguntar se na empresa há problemas de transtornos mentais, a resposta padrão é não. No desenvolvimento da conversa, contudo, fica claro que o problema obviamente existe”, relata.
Dessa forma, grande parte dos casos de adoecimento mental não são tidos como acidente de trabalho e a maioria dos empregados acaba se afastando sem essa caracterização. Consequentemente, estes trabalhadores são privados do benefício previdenciário devido.
Mesmo nos casos em que há a notificação ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Pavão relata que os trabalhadores têm o tratamento médico adequado negligenciado. No momento do afastamento, os pacientes já recebem um prognóstico do tratamento, com o tempo para o retorno ao trabalho estabelecido. No entanto, Pavão salienta que quando se trata de problema mental não dá para se fazer um prognóstico. “É uma situação dramática para o trabalhador, que adoece por causa da atividade profissional, tem uma grande dificuldade de caracterizar o caso como doença do trabalho, recebe um benefício de 120 dias no máximo e sabe que depois desse período vai ter que voltar nas mesmas condições”, pondera.
Por: Michelle Amaral.
Fonte: Brasil de Fato.
############################################################################################################
Mais Exploração, Mais Doenças Mentais.
Relações degradantes no ambiente profissional têm resultado no aumento dos casos de trabalhadores com transtornos mentais.
Desânimo, apreensão e angústia. Esses eram os sentimentos que tomavam conta de João* diariamente quando saía de casa para ir ao trabalho. “Cada dia que ia trabalhar era uma tortura, me sentia muito mal quando entrava na empresa”, conta o supervisor de uma central de telemarketing em São Paulo. O que, para ele, parecia apenas uma insatisfação com a função exercida e as pressões do trabalho, acabou se intensificando e, ao procurar ajuda médica, foi diagnosticado como depressão.
O caso de João não é isolado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será a segunda causa da incapacidade para o trabalho até 2020. Atualmente, segundo dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), os transtornos mentais e de comportamento ocupam o terceiro lugar em número de benefícios concedidos. “Os transtornos mentais, como as depressões, têm sido uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil”, relata Myrian Matsuo, psicóloga e pesquisadora da Coordenação da Saúde no Trabalho da Fundacentro, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Em 2011, a Previdência Social concedeu mais de 15 mil aposentadorias por invalidez a trabalhadores vítimas de adoecimento mental. Já os auxílios-doença concedidos por causa de quadros depressivos chegaram a 82 mil em todo o país. “Fiquei alguns dias afastado, tomei remédios e fiz sessões de terapia, o que amenizou um pouco os sintomas da depressão”, conta João. Segundo ele, um fator determinante para sua melhora foi a mudança nas relações em seu ambiente de trabalho. “Minha chefe não nos via como ser humano e, sim, como número para atingir as metas a qualquer custo. Isso mudou quando ela foi substituída por alguém mais compreensível, mais humano”, descreve.
Péssimas condições de trabalho, jornada de trabalho prolongada, pressão por metas e produtividade, falta de tempo para a realização das tarefas laborais, ausência de pausas para descanso, pouca valorização do trabalhador, participação insatisfatória destes nas decisões das empresas e o medo do desemprego são fatores que contribuem para o aumento da incidência de distúrbios psíquicos entre os trabalhadores, segundo Myrian.
Assujeitamento:
A psicóloga explica que os transtornos mentais relacionados ao ambiente de trabalho atingem funcionários de todos os níveis de hierarquia de empresas públicas e privadas.
Isto porque, conforme analisa o pesquisador do Centro de Tecnologia e Informação Renato Archer, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (CTI-MCTI), Marco Antônio Silveira, a atividade profissional ocupa uma posição central na construção da identidade do indivíduo e o fato de as instituições serem importantes espaços de socialização, sobretudo nas grandes cidades. “Hoje passamos mais tempo nas empresas do que em casa. Portanto, a forma como o trabalho está organizado e, principalmente, a qualidade das relações humanas impactam fortemente os estados mentais e emocionais das pessoas”, pondera.
Outro aspecto que contribui para o adoecimento mental dos trabalhadores é a ideia de que o indivíduo deve doar-se completamente à atividade profissional. “As empresas e boa parte da mídia têm se empenhado para mostrar que cada vez mais há menos interesses conflitantes entre trabalhadores e empresas, o que dificulta o estabelecimento do limite subjetivo do trabalhador”, afirma a médica do trabalho e pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno. Essa condição faz com que as contradições existentes no trabalho sejam sentidas pelos trabalhadores como “uma traição” à empresa, gerando neles a culpa por não conseguirem doar mais de si mesmos e, consequentemente, surge o sofrimento psicológico e emocional. “Os ‘fracassos’ são individualizados e os próprios trabalhadores se culpam por não corresponder às expectativas. A individualização e a culpabilização pela impossibilidade de ‘dar conta’ [do trabalho] são aspectos altamente adoecedores”, descreve a médica do trabalho.
Dessa forma, conforme explica a psicóloga Renata Paparelli, os fatores que levam ao desgaste mental estão relacionados com o grau de assujeitamento ao qual o trabalhador é submetido no processo de trabalho. “Quanto menos controle houver sobre o trabalho, quanto menos possível for adaptá-lo às características de quem o realiza, mais penoso ele será, já que será mais difícil o respeito ao limite subjetivo de cada um”, relativiza.
Mudanças:
A psicóloga defende a necessidade de se colocar limites à exploração da força de trabalho, para que se impeça a precariedade no ambiente laboral e seja permitido ao trabalhador transformar a atividade profissional de modo a respeitar o seu limite pessoal. “Essa possibilidade implica, muitas vezes, em diminuição da produtividade. Daí a importância de estimular políticas que coloquem a saúde dos trabalhadores como fator de competitividade entre as empresas, de modo a transformar os contextos de trabalho adoecedores”, defende Renata.
De acordo com Myrian, “o empresariado deve repensar o modelo de gestão nas empresas, que visa apenas a produtividade e o lucro em detrimento da vida dos trabalhadores”. Para isto, Silveira afirma que é preciso que se transcenda a contradição inerente aos modelos econômico e empresarial vigentes que, há séculos, têm levado ao conflito capital- trabalho. “[Deve-se] migrar da visão engessada da ‘mais valia absoluta’, que enxerga o trabalhador como ‘mão de obra’, para a situação da ‘mais valia relativa’, onde a qualidade do trabalho e os conhecimentos do trabalhador são considerados”, defende.
Sintomas do adoecimento mental por trabalho:
Fadiga crônica, tristeza, irritabilidade, falta de motivação, insônia, isolamento, dificuldade de concentração, déficit de atenção, ansiedade e a sensação de que o fim de semana não é suficiente para descansar.
Caso os sintomas sejam verificados, procure ajuda médica. Uma opção são os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, equipamentos públicos especializados em atender pessoas com problemas de saúde relacionados ao trabalho.
Por: Michelle Amaral.
Fonte: Brasil de Fato.
############################################################################################################
14 de Novembro: 52 Anos da Greve da Paridade.
Em 1960, cerca de 400 mil ferroviários e portuários participaram de uma das maiores greves da história do país. Os trabalhadores exigiam a paridade com os salários pagos à categoria com a remuneração dos militares.
Segundo alguns relatos, na noite de véspera a eclosão do movimento, os sindicatos envolvidos na greve foram invadidos por policiais que prenderam aproximadamente 57 grevistas. Além da polícia política da época, o governo também mobilizou as forças armadas para sufocar o movimento. A greve da Paridade foi tão relevante para a luta da classe trabalhadora brasileira que outras categorias profissionais do Rio de Janeiro, acabaram fazendo greves de "solidariedade" em apoio a luta dos metroviários e portuários. No final, mesmo diante das prisões e dos episódios de violência policial, os trabalhadores saíram vitoriosos, conquistando os direitos pleiteados e uma maior organização das categorias envolvidas.
############################################################################################################
Classe Média Cresceu a Níveis Inéditos na América Latina.
A classe média na América Latina aumentou a níveis recordes entre 2003 e 2009, até chegar a constituir um inédito 30% da população, segundo um relatório do Banco Mundial (BM), divulgado nesta terça-feira (13).
Nesse período, a classe média aumentou em 50%, passando de 103 milhões de pessoas para 152 milhões, o que tem ajudado a reverter a realidade vigente por décadas de setores majoritariamente pobres na região.
Atualmente, pobres e classe média representam cada um 30% da população, enquanto que os ricos são 2% e o 38% restante são catalogados pelo BM como classe média baixa, um setor vulnerável com uma alta probabilidade de cair na pobreza.
Em 1995, 45% da população era pobre, 20% era classe média e 33% estava no setor vulnerável.
"A maior parte dos países da região deu grandes passos no sentido de reduzir a pobreza e essas nações estão encaminhadas para converterem-se em sociedades de classe media, o que representa uma mudança estrutural histórica", disse o presidente do BM, Jim Yong Kim, na apresentação do relatório.
A América Latina continua sendo uma das regiões mais desiguais do mundo, mas é uma das poucas ou a única onde a desigualdade está caindo", disse Augusto de la Torre, economista-chefe para América Latina do Banco.
O aumento da classe média - pessoas que ganham entre 10 e 50 dólares por dia - implica no crescimento de fatores econômicos importantes, como o aumento do crédito e nos gastos, segundo o Banco.
A evolução da classe média foi impulsionada pelo aumento da renda (o PIB per capita da região cresceu a uma taxa anual de 2,2% na década de 2000) e também por uma melhor distribuição da renda.
Os países que mais tem contribuído para o aumento da classe média têm sido o Brasil, que representa 40% do crescimento total, Colômbia e México.
Atualmente, a proporção da classe média é maior em Uruguai, Brasil, Chile, Argentina e Costa Rica, e é menor em El Salvador, Bolívia, Honduras, Equador e República Dominicana.
A região mostra uma considerável mobilidade econômica ascendente: "Ao menos 43% de todos os habitantes da América Latina mudaram de classe social entre meados dos anos noventa e final dos anos 2000", diz o relatório.
Contudo, tal mobilidade não é homogênea em todo o continente e tem sido muito maior em países como Brasil e Chile que na Guatemala ou no Paraguai, por exemplo, e seu nível continua sendo inferior ao de outras regiões do globo, disse o BM.
Um dos fatores primordiais para estimular a mobilidade social é o acesso à educação.
"Contudo, os antecedentes familiares constituem um fator determinante mais importante da aprendizagem dos alunos na América Latina que em outras regiões", disse o relatório, que enfatiza o fato de que na região os alunos de famílias mais ricas se concentram em melhores colégios, que excluem aos menos privilegiados.
O BM fez um "retrato" da pessoa típica da classe média: "é um trabalhador do setor de serviços, razoavelmente educado, empregado por uma empresa privada com um contrato formal".
O número de membros médio da família de classe média também diminui de tamanho, passando de 3,3 em 1992 para 2,9 em 2009. O estudo também evidencia o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho.
Fonte: AFP.
############################################################################################################
Marcadores:
Textos Selecionados.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)




---Motorista-em-onibusRoosewelt-Pinheiro-Abr.gif)
