sexta-feira, dezembro 05, 2025

O BRASIL NA ENCRUZILHADA: A URGENTE E DELICADA RECONSTRUÇÃO NACIONAL (PARTE 5)


ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA BENEFICIARÁ 65% DAS(OS) PROFESSORAS(ES), MAS NOSSAS LUTAS PRECISAM CONTINUAR!

A sanção presidencial da lei que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, com vigência a partir de 2026, representa uma vitória significativa para a classe trabalhadora brasileira e, em particular, para o magistério.

Estima-se que a medida isentará nada menos que 65% dos professores da educação básica do país, cumprindo uma promessa histórica de campanha e injetando fôlego financeiro na categoria.

As novas regras do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) não apenas corrigem uma tabela defasada — que ficou praticamente congelada por anos, corroendo o poder de compra de milhões de trabalhadores —, mas também injetam um montante significativo na economia. O cálculo do governo aponta para um aporte de cerca de R$ 26 bilhões no mercado, resultado direto do dinheiro que deixa de ser retido e passa a circular no consumo das famílias.

Essa economia anual para os beneficiados é garantida por meio de um desconto simplificado e automático que zera a alíquota efetiva para essa faixa, proporcionando um alívio financeiro para a maioria dos docentes.

O presidente Lula acertou ao caracterizar o valor economizado com a isenção do IR como “praticamente um 14º salário” para os beneficiados. E para a maior parte dos docentes, que se encaixam na faixa de isenção, essa economia pode representar, de fato, um acréscimo anual de mais de R$ 4.350,00 (para quem ganha R$ 5 mil), um recurso essencial para quitar dívidas, investir na carreira, ou garantir a segurança financeira familiar.

No entanto essa isenção, embora seja um avanço inquestionável e mereça ser aplaudida, também lança luz sobre um problema estrutural e grave: a crônica defasagem salarial do magistério em comparação com outras carreiras que exigem o mesmo nível de formação superior. Essa é a outra face da moeda.

Estudos e levantamentos de entidades sindicais mostram que a remuneração de professores de nível superior no Brasil pode ser 30% a 35% inferior à de outros profissionais com a mesma escolaridade. No setor privado, em particular, a situação se agrava.

Em Pernambuco, os salários dos professores da rede particular frequentemente estão aquém do Piso Nacional do Magistério, que é o valor mínimo estabelecido para a rede pública.

A média salarial em muitas escolas particulares, especialmente na educação infantil, pode ser bem mais baixa, com vencimentos iniciais que demonstram a urgência de uma reestruturação de carreira e remuneração.

O resultado desse quadro é a crescente desvalorização da profissão, implicando em uma sistêmica desconstrução do fazer docente.

É fato, o agradecimento e o reconhecimento do presidente Lula pela sensibilidade e compromisso em reverter a injustiça da tabela do IRPF, beneficiando diretamente inúmeras professoras e professores, um ato de justiça tributária que reforça o poder de compra e melhora a qualidade de vida de milhares de famílias de educadores.

Contudo, a valorização da educação e das(os) professoras(es) não pode parar aqui. A isenção é um fôlego financeiro, mas a nossa principal bandeira continua sendo a luta por salários dignos, que efetivamente reconheçam a importância da nossa profissão, sobretudo para o crescimento intelectual e desenvolvimento da nação.

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sexta-feira, agosto 08, 2025

BRASIL NA ENCRUZILHADA: A URGENTE E DELICADA RECONSTRUÇÃO NACIONAL (PARTE 4)

 

NO BRASIL, BOLSONARO É PRESO, DESEMPREGO CAI E TRUMP PROMETE RETA

Com um horizonte político complexo, o Brasil chega a um momento que analisá-lo apenas sob a lógica da bipolarização entre a esquerda lulista e a direita bolsonarista não nos levará a conclusões sólidas, mas, nos engessará numa dicotomia espetacularizada e massificadora, que infelizmente esconde ardilosamente fatos que devem ser enxergados e compreendidos, sobretudo por se relacionarem, direta ou indiretamente com a ordem geopolítica e econômica.

Lembremos que nos últimos dias, o povo brasileiro foi às ruas levando consigo duas pautas antagônicas. A do campo democrático, popular e progressista, temos a defesa expressa da soberania nacional, devido aos ataques e imposições apresentadas pelo governo estadunidense. Já no campo conservador, alinhado à extrema direita, nota-se, a defesa do tarifaço norte-americano, que se aliou-se ao pedido pela anistia dos golpistas que tentaram usurpar a república brasileira em janeiro de 2023, como então pautas predominantes desses grupos.

E logo após todos esses atos, no início da semana, foi anunciada a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por uma determinação do ministro Alexandre de Moraes. Uma decisão que de pronto, foi criticada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, dando assim, mais fôlego aos partidários do ex-presidente.

Por outro lado, também foi notado que alguns resultados econômicos e sociais ganharam relevo no país, demonstrando os rumos que o Brasil está seguindo. A exemplo dos números trazidos pelo IBGE, revelando a menor taxa de desocupação já registrada, desde 2012, onde chegamos ao índice de 5,8% de desempregados, bem como a  importante saída do país, após longos três anos, do Mapa da Fome, da Organização das Nações Unidas, e ainda no mês de julho, um novo recorde nas exportações, pois, de acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vendemos, no primeiro semestre de 2025, mais de U$ 300 bilhões, com um crescimento de mercados estratégicos e ampliação das operações, sobretudo na Argentina, EUA e União Européia.

Números que agradam a economia e aproximam investimentos internacionais, sobretudo da China, que já anunciou que pretendem investir no Brasil, o montante de R$27 bilhões em áreas estratégicas, como tecnologia, inovação e energia.

Mas em que esses índices se relacionam com a direita, o clã Bolsonaro e o governo estadunidense? Tudo! Pois são por conta desses avanços apontados, junto ao protagonismo que o país tem consolidado, sobretudo no âmbito dos BRICs, bem como o processo de início da regulamentação das plataformas digitais e das Big Techs que, diga-se de passagem, é percebido como um ataque ao império digital dos Estados Unidos, que fazem com que apareçam figuras e grupos políticos serviçais aos interesses yankes, cujo o objetivo é barrar de todas as maneiras a consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento e soberania.

De Sérgio Moro à Bolsonaro, todos esses, queira você ou não, são nítidos instrumentos de serventia aos interesses do capital financeiro, materializados, sobretudo, na política estadunidense. E essa espetacularização bipolar que temos, não passa de uma das formas e/ou narrativas pensadas, como uma maneira de traduzir (ou esconder) uma disputa, que nem começa, tampouco termina em terras tupiniquins.

Assim, perdoem-me os “patriotas bolsonaristas” e seus derivados, mas, nesse complexo tabuleiro político, o que mais está em jogo, não é a prisão ou não do ex-presidente, e sim os rumos atuais da geopolítica e as transformações em curso na divisão internacional do trabalho, searas essas que o desenvolvimento e a soberania nacional estão diretamente inseridos.

Porém, cabe a nós, saber o que queremos ou não enxergar.

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