sexta-feira, outubro 03, 2014

Cidadãos estão se afastando da política, dizem especialistas


Índice de falta dos brasileiros às urnas na última eleição interrompeu o crescimento de comparecimento eleitoral que vinha sendo apresentado pelo país desde 1998

Pedestres alheios à propaganda eleitoral: uma abstenção de até 20% não chega a ser sinal de problema,
dizem especialistas Foto: Arte de Roberto Suguino sobre foto de Edilson Rodrigues
Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, em 2010, a abstenção eleitoral cresceu pela primeira vez desde 1998. A taxa de 18,12% é inferior à média registrada nos últimos 16 anos (18,53%), mas quebrou a tendência de comparecimento eleitoral crescente que o Brasil vinha experimentando nas décadas anteriores.


Para especialistas, porém, esse número não é motivo de preocupação. Segundo Manoel Leonardo Santos, professor de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma abstenção de até 20% não chega a ser sinal de problemas em uma democracia.

— A política não interessa a todo mundo mesmo, não. Isso é natural. Mesmo em democracias altamente consolidadas a participação não é total — minimiza. Santos acredita que o país passa por um momento de afastamento dos cidadãos em relação à política, o que teria culminado nas manifestações de rua de junho de 2013.

— Tivemos um evento incomum, onde um forte sentimento antipolítica foi repercutido. As pessoas reagem a isso. Acho que esse é um problema residual. A partir do momento em que o debate vá se aprofundando, as pessoas se envolvem mais — acredita o professor.  

De acordo com Acir Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), essa tendência de distanciamento dos eleitores pôde ser registrada em diferentes países em tempos recentes. 
— O engajamento das pessoas tem aparentado declínio mesmo nas democracias mais consolidadas. É um padrão internacional, mas ainda não há explicação consolidada para isso — observa.

Santos e Almeida participaram do 1º Seminário de Estudos e Pesquisas no Poder Legislativo, promovido pelo Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).

Voto obrigatório
Os motivos que levam o eleitor a não votar são tão desconhecidos para estudiosos de ciência política quanto os que o impulsionam às urnas.

— As razões que movem o eleitor são uma esfinge. Por que as pessoas votam quando sabem que sua possibilidade de influenciar o resultado é ínfima? Votam por algum sentimento de pertença, ou porque acham importante a democracia, e uns votam só porque é obrigatório — avalia Santos. A obrigatoriedade do voto é, por razões óbvias, apontada como o principal motor da participação eleitoral no Brasil. Almeida, porém, não acredita que ela conte a ­história toda.

— Voto obrigatório significa comparecimento obrigatório. Se você vai pensar no seu voto, é outra história. É importante ter essa distinção em mente — salienta o pesquisador do Ipea.

Um fator de peso que ainda restringe a dimensão da participação eleitoral no Brasil, segundo Almeida, é o estabelecimento recente de eleições regulares e abertas no país.

— O que falta, no caso brasileiro, é tempo. Nossa experiência democrática ainda é recente, e a constituição de laços fortes [dos partidos] com o eleitor demanda tempo. Esperar que tenhamos o mesmo grau de politização de eleitores europeus, por exemplo, não faz muito sentido.

Fonte: Jornal do Senado

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Ficha Limpa será aplicada em eleição geral pela primeira vez


Sancionada em 2010, Ficha Limpa combate casos de improbidade administrativa e passou a considerar inelegíveis, por até oito anos, candidatos com condenação judicial

Recebido pelo Congresso em 2009, projeto de lei surgiu por iniciativa popular e teve
1,3 milhão de assinaturas de apoio Foto: Rodolfo Stuckert/CD
As eleições de domingo terão um marco histórico: a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010) será pela primeira vez aplicada em uma eleição geral, que é aquela realizada simultaneamente em todo o país para eleger presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.


Sancionada em 4 de junho de 2010, a lei é fruto de ampla mobilização popular e fortaleceu as punições aos cidadãos e candidatos que violaram a lisura e a ética das eleições ou que tenham contra si condenações na esfera eleitoral, administrativa ou criminal.

A Lei da Ficha Limpa contém 14 hipóteses para considerar um candidato inelegível por até oito anos de afastamento das urnas. A proposta, fruto de iniciativa popular liderada pelo Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), foi aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado após receber o apoio, por meio de assinaturas, de 1,3 milhão de brasileiros.

Cofundador do movimento e integrante da Comissão Brasileira Justiça e Paz, o ativista Francisco Whitaker lembrou, em entrevista ao Jornal do ­Senado, que a tramitação da Lei da Ficha Limpa foi complicada e levou nove meses para ser aprovada nas duas Casas do Congresso. Para ele, a demora aconteceu porque o projeto teria consequências na vida de muitos deputados.

— Quando nós chegamos com a Ficha Limpa no Congresso, deputados diziam: “É mais fácil uma vaca voar do que esse projeto ser aprovado”. E vimos que a vaca voou. Ela acabou passando e está fazendo seu caminho não só no Congresso, mas no próprio Executivo, em que a norma está sendo cada vez mais adotada, e nos mais diversos setores da vida brasileira.

Sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei da Ficha Limpa endureceu a Lei Complementar 64/1990 (Lei de Inelegibilidade) e passou a considerar inelegíveis também aqueles que não tivessem condenação definitiva pelos crimes que enumera — bastariam ser condenados por um colegiado de juízes. O novo texto aumentou o prazo de inelegibilidade dos candidatos condenados para oito anos, contados a partir do fim do cumprimento da pena. A Lei de Inelegibilidade previa que os políticos cassados ou condenados definitivamente por determinados crimes ficariam inelegíveis por prazos que iam de 3 a 5 anos.

Assim, passaram a ser inelegíveis os políticos cassados ou que renunciaram para não enfrentar cassação. O mesmo vale para condenados por crime contra a economia popular; a fé pública; a administração e o patrimônio público; o patrimônio privado; o sistema financeiro; o mercado de capitais e os da lei de falência; e crimes contra o meio ambiente e a saúde pública.

A Lei da Ficha Limpa começou a vigorar no dia 7 de junho de 2010, data da publicação no Diário Oficial da União, mas só passou a ser aplicada nas eleições municipais de 2012. Com a aprovação, houve grande discussão sobre quando a lei deveria passar a valer, em razão do artigo 16 da Constituição federal, que determina a vigência de um ano após a aprovação para normas que modificam o processo eleitoral. Porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, em agosto de 2010, que a lei seria aplicável às eleições gerais daquele ano, apesar de ter sido publicada menos de um ano antes da data do pleito.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a lei não poderia ser adotada já naquele momento porque isso desrespeitaria o artigo 16 da Constituição.

Ao examinar duas ações em fevereiro de 2012, o STF confirmou a validade da Lei da Ficha Limpa nos termos da Constituição, considerado-a apta para as eleições ­municipais daquele ano. (Com informações do TSE)

Fonte: Jornal do Senado
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terça-feira, setembro 30, 2014

Caminho até a urna tem regras que o eleitor precisa conhecer

No domingo, 5 de outubro, 142,8 milhões de brasileiros poderão votar para presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. No Senado, um terço das vagas (27, de um total de 81) está em disputa: cada estado e o Distrito Federal elegerão um senador, com mandato de 8 anos. Na Câmara, a eleição é para todas as 513 cadeiras. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima que a totalização dos votos da maior parte das urnas será finalizada poucas horas após o encerramento da votação, o que significa que alguns resultados poderão ser conhecidos ainda no domingo.

O segundo turno está marcado para 26 de outubro. A seguir, o que você precisa saber sobre o dia da votação.


Fonte: Jornal do Senado
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domingo, setembro 28, 2014

Carta para Marina Silva - Sobre a flexibilização da CLT e o mundo do trabalho


Senhora Marina, como sabemos, sua plataforma eleitoral advoga em favor da flexibilização da Consolidação das Leis Trabalhistas. Fato esse que motiva a nós - trabalhadores, militantes e sindicalistas - conceber tal proposta como leviana, uma vez que temos consciência das inúmeras contradições existentes no mundo laboral, e por isso, entendemos que não é esse o caminho correto para avançarmos e assim chegarmos a realidade que então entendemos como Trabalho Decente.

Entretanto, não me admiro com essa sua visão patronal, pois nas páginas de seu programa político - logo nas primeiras sessões que tratam sobre Democracia e Participação -  a senhora condena os movimentos sociais organizados. Lembre-se que os sindicatos e as centrais sindicais estão inclusos nesse rol.

Ao contrário do que você pensa, precisamos avançar nas relações de trabalho, não retroceder, reafirmar as conquistas e acumular mais forças para acabar com a mais valia e a impunidade que paira sobre a classe patronal. Isso somente se consolida através da unidade da classe trabalhadora e pela esquerda socialista. Mas vendo seu atrelamento com as diversas classes econômicas, concluo que seu projeto - intitulado de Unidos Pelo Brasil - nitidamente tem lado e motivos de sobra para oprimir os trabalhadores brasileiros.

Diga-se de passagem que quando li uma matéria publicada no site do Tribunal Superior do Trabalho (link anexado ao texto), cujo título é: "Empresa é condenada por obrigar trabalhador a andar em brasas em treinamento motivacional" constatei o quanto um ambiente de trabalho pode se tornar desumano se depender unica e exclusivamente da vontade dos patrões.

Nessa conjuntura, candidata, ao contrário do que você possa pensar, historicamente os direitos sociais e os avanços no mundo do trabalho foram conquistados pela luta e pela mobilização popular, nada foi dado gratuitamente. E dentro dessa quadra, os movimentos sociais organizados - que você julga impotente diante da exclusão social e da exploração econômica - foram protagonistas nesses processos, uma vez que infelizmente temos poucos congressistas e gestores alinhados com as causas do povo brasileiro. Enfim, deixo aqui o link da matéria referida, para vê se pelo menos você reflete sobre o que é realmente o mundo do trabalho e como ele pode piorar com a flexibilização da CLT.

Saudações Revolucionárias!
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Carta Capital: Como é eleito um deputado?

Saiba como seu voto é calculado e quem você pode ajudar a eleger indiretamente nestas eleições

Por Piero Locatelli.

No Brasil, a escolha dos representantes para o poder Executivo, cargos como os de presidente da República e governador, é feita pelo sistema majoritário, baseado em uma conta simples: quem tiver mais votos ganha. Nas eleições para deputado federal, estadual e distrital, no entanto, o sistema é o proporcional, uma forma de escolha que possibilita a eleição de um candidato com poucos votos, enquanto um nome bem votado pode ficar fora do parlamento. Abaixo, entenda como funcionam as eleições proporcionais e saiba onde pode parar o seu voto:

Em quem o eleitor vota?
Cada eleitor vota em um candidato a deputado federal e outro a deputado estadual (ou distrital, se morar no Distrito Federal). Os deputados eleitos não são necessariamente os que têm mais votos, já que a definição passa pelo cálculo de dois números: o quociente partidário e o eleitoral.

Como se calcula quem ganha as eleições?
Primeiro, o total de votos válidos dos eleitores é dividido pelo número de vagas. Este é o chamado quociente eleitoral – ou seja, quanto cada partido ou coligação precisaria de votos para eleger um deputado. Por exemplo: em um estado com dois milhões de votos válidos e vinte vagas para a Assembleia Legislativa, o quociente eleitoral será de 100 mil.

Depois, os votos de cada partido ou coligação são divididos pelo quociente eleitoral. Se, no mesmo estado hipotético acima, um partido tiver 400 mil votos, ele irá eleger quatro deputados. Por fim, os quatro deputados mais bem votados do partido ou coligação serão eleitos.

Este sistema causa distorções?
Sim, pois candidatos com muitos votos podem não ser eleitos. Outros, com poucos votos, podem ganhar uma vaga.

Na última eleição, a hoje presidenciável Luciana Genro (PSOL) recebeu 129,5 mil votos para deputado federal pelo Rio Grande do Sul, sendo a oitava mais votada no estado. Genro não conseguiu um lugar entre os 31 deputados do estado, no entanto, e se tornou a candidata mais bem votada do País a não obter uma vaga. Isso ocorreu porque o PSOL não conseguiu atingir o quociente eleitoral do estado, e ficou sem vagas.

Também em 2010, Jean Wyllys (colunista de CartaCapital) foi beneficiado pelo mesmo sistema que prejudicou sua colega de partido. Com 13 mil votos, Wyllys se tornou o deputado federal eleito com a menor proporção de votos do País. O psolista ganhou uma vaga na Câmara graças à votação do seu colega Chico Alencar (PSOL-RJ), que teve 240 mil apoiadores. Com os votos de Alencar, Wyllys e outros, o PSOL-RJ teve direito a duas vagas na Câmara. Como Wyllys foi o segundo mais votado do partido, teve direito a essa vaga.

O que é um puxador de votos?
É um deputado que ajuda a eleger outros do seu partido com uma grande votação. Tiririca (PR-SP), por exemplo, recebeu 1,3 milhão de votos na última eleição, um valor bem acima do necessário para ser eleito. Com isso, conseguiu levar à Câmara mais três candidatos de sua coligação.

O efeito dos puxadores, porém, costuma ser hipervalorizado. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) mostra que apenas 35 dos 513 deputados federais foram eleitos somente com seus próprios votos. Isso significa que conta mais o conjunto de votos nos candidatos do partido do que o efeito de grandes puxadores de votos.

O que é o voto em legenda?
É o voto dado a um partido, e não a um candidato. O eleitor pode escolher votar numa legenda e, desta forma, ajudá-la sem escolher um candidato em específico. Este voto conta para o partido, ou coligação, chegar ao quociente eleitoral.

O que é um suplente?
Se um deputado sai do seu cargo, o primeiro candidato mais votado da coligação assume a vaga. Geralmente a saída do cargo ocorre quando um parlamentar assume ministérios, secretarias ou o Executivo. Apenas em 2013, devido à posse de prefeitos e secretários, 17 deputados suplentes assumiram os mandatos na Câmara no início do ano.

É possível saber quem meu voto está ajudando?
Sim. Deve-se levar em conta os candidatos do partido ou da coligação em que se está votando. Em 2014, por exemplo, o eleitor de São Paulo que votar em um candidato do PT pode ajudar a eleger nomes do PCdoB, porque os dois partidos fizeram uma coligação no estado. Da mesma forma, o eleitor paulista que votar em um candidato do PSDB pode ajudar a eleger nomes do DEM e do PPS, coligados com os tucanos.

Em Minas Gerais, a situação é diferente. O eleitor que votar em um candidato a deputado federal do PT estará ajudando a eleger nomes de toda a coligação: PMDB, PCdoB, PROS e PRB. O eleitor de Minas que apostar em um deputado federal tucano, por sua vez, pode ajudar a eleger candidatos de outros 13 partidos, todos da coligação encabeçada pelos tucanos: PP, DEM, PSD, PTB, PPS, PV, PDT, PR, PMN, PSC, PSL, PTC e SD.

Todas as coligações proporcionais por estado podem ser verificadas no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Quantos votos um partido precisa para eleger um deputado?
Depende. Este número varia conforme o número de eleitores do estado, o número de vagas, abstenção dos eleitores e votos que foram anulados. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições o maior quociente eleitoral foi em São Paulo. Para eleger um deputado federal, o partido ou coligação teve de alcançar 314.909 votos. Para conseguir um deputado estadual, precisou de 230.585 votos.

Os menores quocientes em 2010 foram os de Roraima, onde os partidos tiveram de somar 27.837 votos para eleger um deputado federal e 9.370 para eleger um estadual.

Um senador é eleito da mesma forma?
Não. Um senador é eleito por voto direto. Caso ele saia do cargo, quem assume é um suplente que foi eleito junto com ele. Os suplentes de cada candidato também podem ser checados no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Quais as alternativas para isso?
O sistema proporcional vigente hoje é alvo de diversas críticas, mas há grande variedade de propostas de reformas eleitorais e políticas para mudar este quadro.

A CNBB, a OAB e outras entidades propõe que o eleitor vote primeiro em um partido e, posteriormente, escolha um candidato daquela legenda. As diversas propostas de reforma política apresentadas pelo PT na última década também pedem a chamada votação em lista.

O PSDB, por sua vez, defende uma mudança na divisão geográfica dos eleitores para o chamado ‘voto distrital’. Na proposta tucana, os estados seriam divididos em diversas partes, e cada ‘distrito’ escolheria somente um candidato. Parte do partido defende o sistema misto, onde alguns dos candidatos seriam escolhidos por distritos e outros continuariam no modelo atual.

Fonte: Carta Capital.

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segunda-feira, setembro 22, 2014

30 Anos da UJS: A Juventude do Tamanho do Brasil


O desafio da contemporaneidade está posto e as nossas razões históricas nos permitem a dar continuidade a essa quadra de transformações e desenvolvimento. #UJS30ANOS
Por Wallace Melo Barbosa

Em meio a um momento de grande efervescência política, a gloriosa União da Juventude Socialista completa 30 anos de fundação. Eis um momento simbólico e repleto de significados para a sociedade e democracia brasileira.

Há três décadas, os sonhos revolucionários da UJS encantam gerações de jovens em todas as regiões do país. Dotada de ousadia, a organização vem demonstrando em todo esse tempo o quanto seus anseios conseguem ter o poder de quebrar as rotinas institucionais da burocracia estatal. Ao longo de todos esses anos, a entidade organizou e participou de inúmeras manifestações populares, tomou as ruas e ocupou as praças, escolas, universidades e até mesmo prédios oficiais. Tudo isso com um único objetivo, transformar o mundo. A sociedade é a pauta principal da UJS e suas forças emergem a partir da indignação frente as contradições sociais do mundo capitalista. E diante desse perfil revolucionário, não erramos ao afirmar o papel de relevância que a União da Juventude Socialista detém para a consolidação dos avanços sociais e democráticos no Brasil.

Diante disso, torna-se oportuno citar as palavras de Antonio Houaiss, onde em um de seus textos o autor escreveu: “Ou me identifico com o destino do meu povo, com ele sofrendo a mesma luta, até sairmos todos vencedores, luta em que muitos sofrimentos e dor haveremos juntos de sofrer; ou me dissocio do destino do meu povo, juntando-me (como aliado, preposto, lacaio, servidor, títere, fantoche ou joguete) aos que exploram esse povo”. Ao meu ver, essas palavras facilmente podem ser utilizadas para caracterizar o significado da militância e da luta da União da Juventude Socialista nesses seus 30 anos de existência.

Nesse contexto, não podemos falar sobre as grandes conquistas democráticas, nem tampouco sobre as construções de políticas públicas voltadas aos jovens, sem citar a contribuição da UJS. Sua história se confunde com as lutas do povo brasileiro e seu protagonismo e participação na esfera pública - mobilizando, politizando e formando quadros políticos – fazem com que sua bandeira torne-se referência em qualquer lugar do país, seja nas escolas, universidades, associações de bairros, sindicatos, partido político ou instituições publicas.

Sabemos que as conquistas sociais só foram garantidas a partir de muitas lutas e mobilizações, nada foi dado ao povo de forma gratuita, e dentro dessa circunstância, a UJS se consolidou como um instrumento importante servindo muitas vezes para pressionar o Estado, para que assim o poder público passasse a atender os anseios da juventude, Muitos dos recentes avanços sociais tem o DNA da entidade, como por exemplo: o voto para jovens de 16 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a PEC da Juventude, o Estatuto da Juventude, o Plano Nacional de Educação e muitos outros. Tudo isso significa que a necessidade de fazer com que a sociedade ofereça novas respostas às demandas das juventudes, sempre foi o objetivo central da organização.

E diante dessas breves reflexões, não há contradição em avaliar que foram ininterruptos 30 anos de luta e mobilização, fazendo com que a gloriosa União da Juventude Socialista se consolidasse, frente aos jovens, como um dos seus maiores tribunos e patrimônio político. São pelas futuras manhãs de sol e socialismo que, em qualquer local do país, a UJS vai atuar, pois o seu tempo é o da política e assim como a juventude, a entidade tem pressa para transformar o Brasil no país de suas utopias.

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terça-feira, agosto 19, 2014

Exercícios de Sociologia: As Comunidades (1)


01. Ao elaborarmos um estudo sociológico sobre algumas comunidades, notamos que essas, são marcadas por uma proximidade física entre as pessoas que residem em tais espaços. Pois bem, das alternativas abaixo qual a que não se adéqua a definição sociológica das comunidades:
a) Nitidez territorial.
b) Grandeza territorial.
c) Homogeneidade.
d) Relações pessoais.
e) Dimensões territoriais pequenas.

02. (UPE) Segundo o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies, há uma profunda diferença entre o conceito de Comunidades com o conceito de Sociedade. Essa diferença se configura devido ao fato de:
a) As comunidades não desenvolvem um sentimento de coletividade, ao contrario das sociedades.
b) Uma sociedade é composta por várias comunidades que determinam o seu funcionamento.
c) Uma comunidade é unida de acordo com a existência de um sentimento de afetividade coletiva, enquanto a sociedade é uma união de acordos racionais de convivência.
d) As sociedades são marcadas por uma homogeneidade de atores sociais, enquanto as comunidades são marcadas por uma heterogeneidade.
e) Todas as alternativas estão corretas.

03. (UPE) Comunidades geralmente são grupos formados por familiares, amigos e vizinhos que possuem um elevado grau de proximidade uns com os outros. Nas comunidades, as normas de convivência e de conduta de seus membros estão interligadas à tradição, religião, ao consenso e respeito mútuo. Por outro, nas sociedades, é totalmente diferente; esse contato não existe, prevalecendo os acordos racionais de interesses. Não há o estabelecimento de relações pessoais e, na maioria das vezes, não há tamanha preocupação com o outro indivíduo, fato que marca a comunidade. Por isso, é fundamental haver um aparato de leis e normas para regularem a conduta dos indivíduos que vivem em sociedade. Nesse sentido, é CORRETO afirmar que o responsável em desempenhar o papel do regulador dessas relações é:
A) o Estado.
B) a Igreja católica apostólica romana.
C) o Ministério da Justiça.
D) o Ministério Público.
E) o Juizado de pequenas causas.

04. "Para começar, a comunidade é um lugar “cálido”, um lugar confortável e aconchegante. É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado. Lá fora, na rua, toda sorte de perigo está à espreita; temos que estar alertas quando saímos, prestar atenção com quem falamos e a quem nos fala, estar de prontidão a cada minuto". (BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual.)
Observando os fragmentos do texto de Bauman marque a alternativa correta:
a) A ideia de comunidade se relaciona a vida das grandes metrópoles, com uma vida complexa e sem grandes proximidades;
b) De acordo com a ideia de Bauman, as comunidades são espaços mais calmos, diferente das complexidades da sociedade;
c) No contexto em questão, temos aqui uma idealização da comunidade como sinônimo de uma grande metrópole;
d) Não há relações no texto entre as comunidades e as sociedades.

05. De acordo com as ideias sociológicas sobre a comunidade marque a alternativa correta no que tange suas características:
a) Complexidade nas relações pessoais;
b) Distanciamento dos sujeitos;
c) Sentimento de identidade e pertencimento;
d) Heterogeneidade de agentes;
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Admirável República dos Tiriricas: Os Fatos Mais Interessantes da Política Tupiniquim.

A Imagem vale mais que as ideias

Não é minha intensão cair na velha hipocrisia do "politicamente correto", nem tampouco sistematizar qualquer tipo de defesa moral ou em relação a plataforma eleitoral defendida pela ex-senadora Marina Silva. Tenho razões políticas para não fazer isso, entretanto, como militante de esquerda, socialista, humanista e defensor da democracia, dos direitos civis e principalmente da livre propagação de ideias - pressuposto importante para o estabelecimento de um Estado democrático e de direitos - não posso deixar de me indignar quando certas práticas difamatórias tornam-se a principal estratégia do jogo eleitoral em detrimento das disputas ideológicas que permeiam os projetos de nação colocados a disposição do povo.

Não legitimo esse tipo de "agir político" principalmente pelo fato de acreditar que as divergências devem ser colocadas no âmbito das ideias, da grande política, não deve ser permeada por baixo, seja pela demonização da imagem, seja por argumentos falaciosos. Nos últimos dias, por exemplo, um caso como esses me causou uma certa inquietude. Durante o espetáculo montado diante das cerimônias de sepultamento do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto após um acidente de avião, duas fotos passaram a ser propagadas rapidamente em diversos sites e redes sociais (virtuais). Em uma víamos a ex-senadora Marina Silva -  então candidata a vice-presidência na chapa liderada por Eduardo Campos e hoje candidata a presidenta pela mesma chapa - apoiada sobre o caixão que estava os restos mortais do socialista, com um aparentemente semblante de felicidade, mesmo ela estando em circunstância lutuosa. A outra imagem era a do ex-presidente Lula, estando no mesmo local e circunstância, mas com um semblante abatido, de tristeza e desalento. Na foto, Lula carregava em seus braços o filho mais novo de Eduardo.


Sabemos que essas imagens, ao tornarem-se públicas através da propagação pelos mais variados meios, abrem a possibilidade para uma diversidade de interpretações. Muitos passaram a utilizá-las no intuito de constituir em torno da ex-senadora uma visão de oportunismo, malevolência ou até mesmo de malícia. Uma espécie de julgamento moral sobre a pessoa que nos próximos dias será candidata a chefia do Executivo federal. 

No entanto, é oportuno lembrar que práticas semelhantes a essas foram muito utilizadas pela facínora ditadura militar, apoiada pela grande mídia, a fim de demonizar as organizações, militantes, partidos e parlamentares que divergiam e resistiam aos governos dos generais. Cabe rememorar a frustrada tentativa de atentado patrocinada pela linha-dura do exército com objetivo de desarticular a redemocratização, gerar pânico e desordem, criminalizar os grupos opositores à ditadura e mais uma vez efetivar a repressão. O atentado seria executado pelo então sargento Guilherme Pereira do Rosário, junto ao capitão Wilson Dias Machado, ambos iriam instalar bombas nos geradores de um evento público que estava ocorrendo no pavilhão do Riocentro em 30 de abril de 1981, o objetivo era que houvessem as explosões no momento em que acontecia um show em comemoração ao dia do trabalhador. Desastrosamente uma das bombas explodiu antes do tempo, no carro em que estavam os militares, causando a morte do sargento e ferindo o capitão. Contudo, mesmo diante do acidente, os militares ainda tentaram culpar as organizações de esquerda, partindo da interpretação que tinham sido vítimas de um atentado. Segundo essa versão, alguns militantes de esquerda - dissidentes ao regime -  teriam jogado uma granada contra o veículo que estavam os militares. Felizmente a hipótese não foi comprovada e serviu muito mais para demonstrar que de fato o autoritarismo vigente estava em plena decadência.

Outro fato curioso se estabeleceu após a prisão de vários estudantes em 1968, quando acontecia o XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em um sítio localizado na pequena cidade de Ibiúna em São Paulo. O congresso reuniu aproximadamente mil estudantes de todo o país, tudo era feito na clandestinidade. Mesmo assim, os militares conseguiram chegar ao local e prender os congressistas. Na ocasião, algumas reportagens exibiam fotos em que as forças policiais mostravam uma grande quantidade de pílulas anticoncepcionais apreendidas no congresso. Essas matérias, serviriam para construir junto à opinião pública uma imagem pejorativa do congresso uma vez que - como dizia o escritor Zuenir Ventura - "as moças tinham ido ao encontro preparadas para algo mais do que discutir as questões estudantis. O apelo contra a moral era uma das estratégias utilizada pelos militares para atacar a esquerda, e visto nossos valores conservadores, a estratégia causava um impacto satisfatório aos interesses dos donos do poder.

A partir desses fatos, é possível fazer uma análise a luz da história, percebendo o quanto esse aspecto moralizador está presente nas entrelinhas das imagens, haja vista os discursos e as estratégias midiáticas. Essas práticas que estão a serviço da desconstrução do subjetivo e do ataque a idoneidade e dignidade das pessoas tem grande relevância e impacto para a opinião pública. E na medida em que o debate político é relegado a segundo plano, a imagem e o julgamento moral, infelizmente, passa a se tornar o elemento mais central no debate público. Dessa maneira, chego concluir que esse tipo de circunstância é nocivo a nossa democracia. Desaprovo essas práticas por razões justas e por achar que antes de qualquer elemento moralizador, o confronto de ideias sempre será o elemento mais significativo para qualquer organização social. Nesse contexto, do ponto de vista humanitário, sou solidário a todas as vítimas dessa pequena política.

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,testemunha-do-riocentro-desmente-militares-na-cv,11601
Feitas essas considerações, deixo para esse segundo momento algumas reportagens que mostram o quanto esse elemento moralizador sobre a imagem ainda está presente e tem grande relevância em nosso cotidiano. Nessa sessão optei como elementos centrais, as pessoas da presidenta Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva.
Lida as matérias da Folha de São Paulo e do Jornal Nacional e agora analisando essas imagens, seria possível acreditar que todo o fato foi gerado por uma simples bolinha de papel jogado contra o presidenciável? Observem as expressões nos rostos das pessoas que estão junto a José Serra e tirem suas conclusões.



Também não é secundário rememorar das inúmeras montagens propagadas, principalmente através de alguns sites, em que a atual presidenta Dilma Rousseff aparecia fazendo gestos tidos como obscenos. O caso mais recente foi na Copa do Mundo 2014.

Observem as imagens:

Imagem manipulada

Imagem original
Dilma Rousseff por sinal, desde a sua primeira eleição (2010) foi bastante hostilizada pela grande mídia. Relembro dessa montagem em que construía a imagem da presidenta como uma terrorista na década de 1960, principalmente pelo detalhe do fuzil que supostamente estava ao seu lado. Várias pessoas, inclusive blogueiros se mobilizaram para desconstruir essa farsa.



Em um desses blogs havia uma série de explicações que desconstruíam a ideia passada através da imagem, observem as explicações abaixo:
Postagem no blog Luta da Verdade:
1° Detalhe: A foto toda da pessoa está desfocada, o fuzil entretanto está bem nítido;
2° Detalhe: na época da Ditadura, Dilma era muito magra; na foto ela está bem gorda e seios volumosos;
3° Detalhe: essa cabeleira é da década de 80, estilo "pantera" em voga nessa época; portanto não é da época da Ditadura;
4° Detalhe: na década de 80, Dilma foi assessora do PDT, Secretária da Fazenda de Alceu Collares do PDT, foi Presidente da Fundação de Economia e Estatística; foi Secretária de Energia, Minas e Comunicações do PDT, e Secretária de Minas e Energia do Gov. PT no RS. Em nenhum desses Governos no RS, ela necessitou pegar em armas como da foto acima.
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domingo, agosto 10, 2014

O brasileiro tem alma de feriado, por Nelson Rodrigues


Amigo, o brasileiro tem alma de feriado. Imagino a irritação dos idiotas da objetividade. Dirão eles: “isso não existe, nunca existiu”. O leitor, mesmo sem ser um idiota da objetividade, pode querer uma explicação. Vamos a ela.

Há uns dois ou três anos, houve uma sequência de feriados. A coisa começou numa sexta-feira, continuou no sábado, no domingo e terminou na segunda-feira. Ora, tal saraivada de feriados é a grande utopia do nosso irmão, o brasileiro. Nunca a alma encantadora das esquinas e dos botecos teve tal alegria de viver. Nas ruas, como diz o poeta, os homens eram humanos e divinos e as mulheres, frescas como rosas. Segundo, porém, a minha vizinha gorda e patusca, “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”. Na terça-feira, recomeçou a aprovação dos chamados dias úteis. A volta ao batente é, para o brasileiro, uma dessas melancolias, só comparáveis às de Jó.

Mas eu próprio pensava: “tivemos quatro feriados”. Às dez da manhã, estou na calçada. Coisa interessante. De repente, baixou em mim remorso ou vergonha de, por quatro longos e dilatados dias, ter esquecido o Brasil. Mas como ia dizendo: tomei o táxi e toquei para a cidade. E já esperava ver a praia transformada num deserto. Sim, num deserto de umbigos. Pois bem. Quando o táxi dobrou para a praia, sofri na carne e na alma o maior espanto da vida.

A praia estava inundada de brasileiros. Nunca vi tantos umbigos vadios. Depois de quatro feriados, o banho de mar tinha mais gente do que nunca. Fiz, de mim para mim, a pergunta alarmada: “se o brasileiro não sai da praia, quem faz o Brasil?”. Antes de dobrar na Princesa Isabel, eu descobri esta verdade inapelável e eterna: — O BRASILEIRO TEM ALMA DE FERIADO. Ou por outra: — de domingo. Nós somos dominicais por excelência.

Nelson Rodrigues
O Globo, 5/2/1975

Fonte: Blog de Flavio Campana
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sábado, agosto 09, 2014

Jornal A Vanguarda Classista


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