O primeiro grande sintoma desse divórcio com a realidade da população nacional emerge dos recentes escândalos que ligam o senador aos bastidores do Banco Master. Mensagens e áudios revelados pelas investigações expuseram Flávio cobrando cifras milionárias — estimadas em R$ 134 milhões — do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre seu pai.
A promessa subsequente de apoio irrestrito ao empresário, que agora enfrenta graves problemas com a justiça, evidencia um padrão espantoso de promiscuidade entre o poder público e o topo da pirâmide financeira. Enquanto o brasileiro lida com juros abusivos, o pré-candidato usa de sua influência política para blindar e paparicar o grande capital.
Não bastasse a submissão aos banqueiros domésticos, as "peripécias" do parlamentar cruzaram as fronteiras da soberania nacional. Sua recente viagem a Washington para se reunir com o ex-presidente Donald Trump resultou em um verdadeiro "gol contra" para a economia do país.
Logo após a romaria da comitiva bolsonarista em solo norte-americano, os EUA concluíram uma investigação comercial que propõe taxas alfandegárias de até 25% sobre os produtos brasileiros. O pretexto estadunidense encontrou eco na própria atuação da extrema-direita: uma ofensiva descarada contra o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que virou patrimônio da inclusão financeira no Brasil.
A perseguição internacional ao Pix joga luz sobre o verdadeiro compromisso de Flávio Bolsonaro. O relatório norte-americano acusa a ferramenta brasileira de gerar concorrência desleal contra as gigantes operadoras de crédito dos EUA. Ao invés de defender com unhas e dentes a tecnologia nacional que livrou milhões de trabalhadores e pequenos comerciantes de taxas bancárias extorsivas, o clã Bolsonaro preferiu atuar como linha de frente das corporações estrangeiras. Defender o fim ou a limitação do Pix para inflar os lucros de bandeiras internacionais de cartão de crédito é o ápice do entreguismo econômico e da traição ao bolso do trabalhador.
Contudo, o ataque definitivo contra o povo se materializa na esfera legislativa com o apoio escancarado à Proposta de Emenda à Constituição PEC 12/2026. Apelidada justamente de "PEC da Escravidão" pelos movimentos sociais, a medida representa a destruição final do que restou da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Sob o manto hipócrita da "liberdade de contratação" e flertando com retrocessos civilizatórios como as escalas abusivas, a proposta visa aniquilar o poder de barganha coletiva da classe trabalhadora, retirando o chão de direitos históricos conquistados a duras penas.
O perigo mais profundo dessa emenda reside no trecho que determina, de forma explícita, que deve "prevalecer o disposto em contrato individual de trabalho sobre os instrumentos de negociação coletiva". Trata-se do esvaziamento completo dos sindicatos e da anulação de garantias coletivas, empurrando o trabalhador hipossuficiente para uma falsa "negociação" individual contra o poder econômico do patrão.
Ao validar essa barbárie jurídica, Flávio Bolsonaro carimba seu projeto de país: um Brasil submisso a Wall Street, amigável a banqueiros sob investigação e impiedoso com a dignidade da classe trabalhadora.
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