quinta-feira, abril 05, 2012
Novo Telecurso - História - Aula 22. (A Colonização Espanhola e Inglesa na América).
Resumo Sobre Processos Sociais.
Todos os dias você chega na escola e encontra os colegas, os professores, o diretor, funcionários. Você sabe como comportar-se com cada um. O jeito de você saudar um colega é diferente do de saudar o diretor ou um funcionário da limpeza. Com os professores você também adota uma maneira adequada de se relacionar, enfim, as relações que os indivíduos mantém ao longo do convívio social se diferem, devido a existência de certos padrões, normas e convenções.
Assim, as relações sociais se relacionam com dois importantes conceitos sociológicos:
1. Papel Social:
As reras de condutas ou normas de uma sociedade são mantidas porque em diversos graus os membros do grupo acreditam na legitimidade das mesmas e sancionam sua observância. A unidade básica desses sistemas é o "papel social", que compreende um conjunto de expectativas associadas em torno de uma função (TELES p.50).
2. Status Social:
A função, pois, refere-se a posição (status) que uma determinada pessoa ocupa no sistema social. As expectativas estarão associadas a essa posição. O comportamento pertinente a essas expectativas tem o nome de "comportamento de papel". Para ficar mais claro, podemos dizer que "status" é a posição, a colocação da pessoa dentro de um sistema, e o papel é a dinâmica do status (TELES p.50).
Os Status Sociais podem ser:
a) Atribuídos: Posições ocupadas independentemente da vontade dos indivíduos.
b) Adquiridos: Posições ocupadas em razão de uma opção individual.
c) Especifico: É a denominação para cada uma das posições que o indivíduo ocupa simultâneamente. O número de status específicos ocupados pelos indivíduos tende a aumentar com a complexidade social.
d) Principal: É aquele que, dentre os status específicos ocupados pelo indivíduo, lhe dá mais prestígio, poder e riqueza, em dado momento de sua existência.
e) Geral: Seria a localização do indivíduo na hierarquia social, resultante da combinação das prerrogativas que os status específicos lhe conferem.
OS PROCESSOS SOCIAIS:
Ao aspecto dinâmico da interação humana denominamos "processos sociais". Para melhor compreensão é bom lembrar que o processo é o nome que se dá à contínua mudança de um objeto qualquer em direção definida, pois todos os processos surgem de interação de forças naturais. Diante disso, os processos sociais atuam de maneira semelhante, uma vez que, os "obejtos sociais" surgem, integram-se e desaparecem pela interação de "forças sociais", passíveis de estudo e compreensão.
Diante disso, classificamos os procssos sociais em: coesivos, associativos ou positivos, os que contribuem para aproximar os agentes, de um lado, e, de outro e disjuntivos, dissociativos ou negativos, os que contribuem para afastar os agentes sociais.
O processo fundamental entre os seres humanos è a comunicação. Suas consequências são:
I. A formação da cultura.
II. A formação de grupos sociais.
II. O desenvolvimento de pessoas.
Os processos sociais são:
1) Cooperação: É o processo que mostra o alto grau de socialização, é a ação coletiva, integrada, com vistas a um fim comum qualquer. Pode ser direta ou indireta.
2)Acomodação: É o ajustamento a uma situação do conflito através de uma mudança externa, sem modificação de valores interiores.
3) Assimilação: É a modificação no interior do indivíduo, devido a determinada mudança externa.
4) Aculturação: Corresponde ao contato de culturas diferentes que se influenciam mutuamente, levando a um amálgama, uma internalização de ambas as culturas.
5) Competição: É a luta "quase completamente inconsciente", por bens ou status. Quando a competição se torna plenamente consciente e surge o intuito de destruir ou frustrar um adversário, o processo torna-se um conflito.
6) Conflito: Tende a ocorrer quando os indivíduos buscam um objetivo que só pode ser alcançado por um ou poucos dentre eles, ou, ainda, quando indivíduos têm interesses incompatíveis entre si. Ao contrário do que ocorre na competição, o comportamento das pessoas tende a ser agressivo.
REFERÊNCIAS:
SANTOS, Pérsio. Introdução à Sociologia. 5ªed. São Paulo: Àtica, 1991.
GUIZZO, João.Introdução à Sociologia.São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. 3ªed. São Paulo: Atlas, 1995.
TELES, Maria Luiza. Sociologia Para Jovens.7ªed. Rio de Janeiro: Vozes, 1993.
SANTOS, Pérsio. Introdução à Sociologia. 5ªed. São Paulo: Àtica, 1991.
GUIZZO, João.Introdução à Sociologia.São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. 3ªed. São Paulo: Atlas, 1995.
TELES, Maria Luiza. Sociologia Para Jovens.7ªed. Rio de Janeiro: Vozes, 1993.
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Resumos e Exercícios.
segunda-feira, abril 02, 2012
Boaventura Sousa Santos Fala Sobre as Ameaças do Sistema Capitalista.
Em uma excelente matéria escrita por Antonio Martins sobre a visão política do sociólogo português, Boaventura Sousa Santos para a revista Fórum, o capitalismo só poderá ser superado por meio do fortalecimento da democracia, valorização e desmercantilização do trabalho e principalmente pelo empoderamento político e intelectual das camadas populares.
Em sua participação no Fórum Social Temático, ocorrido em Porto Alegre, Boaventura apontou que a luta contra o capitalismo passa pela necessidade de superar a crise do sistema democrático e combater as desigualdades sociais e econômicas. Em sua palestra, o sociólogo aponta que o sistema capitalista se fortalece em virtude do questões relacionadas a desorganização e endividamento dos Estados. Situação essa que afeta diretamente a classe trabalhadora, quando a essa classe é sempre imposta a conta de toda crise financeira.
E diante dessa avaliação, é relevante avaliar que um dos fatores primordiais para essa realidade se enquadra na desconstrução do sistema democrático. Acarretando no enfraquecimento e na burocratização dos mecanismos de controle social, como também, nos cortes de direitos sociais. Segundo o sociólogo, a democracia, em vários países, teve sua essência reduzida ao simples ato de votar.
E de acordo com a debilidade do sistema democrático, a repressão contra os movimentos sociais ganha mais força para silenciar a luta política contra a especulação financeira proveniente dos grupos empresariais, além de enfraquecer a luta pela reforma agrária e desestabilizar as organizações que representam a classe trabalhadora, e minorias políticas que discordam desse quadro de desigualdade e exploração.
Além das camadas populares, o meio ambiente também sofre com os rumos da civilização capitalista. O agronegócio e latifúndio ainda são obstáculos para o construção de uma autêntica democrática. O consumismo irracional causam, tanto a natureza, quanto para toda sociedade danos irreparáveis. E diante dessa visão, Boaventura avalia que é chegada a hora de buscar fontes de energias limpas e renováveis, além de construir uma nova ética ambiental e de novas formas de consumo responsável.
Por fim, Boaventura também ressalta que a mercantilização do conhecimento reduz os centros universitários a uma lógica de mercado, despolitizando e afetando o pensamento crítico das novas gerações. Enfim, são esses e outros fatores que são definidos como elementos que devem ser questionados e superados para a construção de um novo projeto de civilização.
Veja na íntegra a matéria da revista Fórum no link:
http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9402/Boaventura%20e%20as%20amea%C3%A7as%20do%20capitalismo
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domingo, abril 01, 2012
Brasil Completa 30 Anos de Uso da Energia Nuclear com Avanços Tecnológicos e Críticas
O Brasil chega aos 30 anos de uso da energia nuclear com recorde de produção de 15,644 milhões de megawatts-hora (MWh), registrado no ano passado, e a possibilidade de, com a conclusão de Angra 3, em 2016, ter 60% do consumo de energia elétrica do estado do Rio de Janeiro abastecidos pela fonte nuclear. Hoje, as duas usinas nucleares em funcionamento no país, Angra 1 e Angra 2, geram o equivalente a 30% do que é consumido no estado.
Na avaliação do presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, o uso da fonte nuclear para geração de energia trouxe ao país maturidade tecnológica na área, abrindo o campo de trabalho e colaborando para a formação de engenheiros nucleares de padrão internacional. “A principal vantagem que tivemos foi o aprendizado”, avaliou.
Para Othon Pinheiro, hoje, não se pode prescindir da fonte nuclear de energia que, na sua opinião, não pode ser descartada da matriz energética nacional. “É muito importante na geração de eletricidade, porque nós temos, hoje, no Brasil, 80% da população vivendo nas cidades. A sustentabilidade das cidades passa pela energia elétrica, da forma mais econômica e racional possível”.
Ele, inclusive, refuta o posicionamento de ambientalistas, que fazem oposição ao uso da energia nuclear, defendendo que, “se tratada de forma adequada, é uma fonte de energia limpa e não deve ser descartada da matriz energética nacional”.
Othon Pinheiro lembrou da característica estratégica da energia nuclear, por ser opção em caso de problemas na oferta de energia elétrica devido a questões climáticas, já que a matriz energética é majoritariamente hidrelétrica. “Precisamos da [fonte de energia] eólica, da solar. Seria bom se elas trabalhassem sozinhas. Mas a gente precisa das térmicas, para acionar em caso de problema da natureza. Energia é como ação [da Bolsa de Valores]. Por melhor que seja, a gente tem que comprar uma cesta de papéis para garantia do investimento”. Para o presidente da Eletronuclear, o país não pode descartar nenhuma fonte de energia renovável.
Ele defende a geração de energia nuclear por considerá-la de baixo impacto ambiental e por questões de custo. Pinheiro ressalta que, dentre as térmicas, como as que produzem energia a partir do carvão, óleo combustível ou gás, a usina nuclear é a que tem menos custo. Além disso, ele lembra que o Brasil tem uma grande reserva de urânio, sendo “falta de imaginação” não aproveitar esse potencial.
Angra 1, a primeira usina nuclear a entrar em funcionamento no país, foi interligada ao sistema elétrico nacional no dia 1º de abril de 1982. E, mesmo contestando a real necessidade do Brasil lançar mão dessa fonte de energia tão controversa, o físico Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras, acredita que a geração de energia nuclear constitui um fato histórico. “A gente não pode se arrepender da história. Ela é como é”, disse Pinguelli à Agência Brasil.
Diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Pinguelli, no entanto, enfatiza que geração de energia a partir da fonte nuclear não pode ser vista como imprescindível para o país. Para ele, a energia produzida pelas usinas Angra 1 e 2 poderia ser compensada por outras fontes de energia renováveis. “Por hidrelétricas mesmo. Até agora, não haveria problema”.
Ele relembra o acordo nuclear bilateral, firmado entre o Brasil e a Alemanha, em 1975, que previa a construção de oito reatores, definindo que nem tudo correu bem em relação à energia nuclear no Brasil. “Acho que o acordo com a Alemanha foi malsucedido do ponto de vista brasileiro”. Os custos elevados e as seguidas crises econômicas fizeram, no entanto, com que apenas duas usinas fossem construídas no país até agora.
Pinguelli, por outro lado, concorda com Othon Pinheiro sobre o ganho tecnológico que a geração nuclear propiciou ao Brasil, embora a um custo muito elevado. “Criou-se uma competência na engenharia nuclear. Os dois reatores que o Brasil tem funcionando têm boa performance técnica”. O físico destacou, ainda, como avanço tecnológico o aprendizado relativo ao enriquecimento do urânio. “Acho que esse é o ponto, tecnologicamente, mais elevado, promovido pela Marinha de Guerra”.
Por: Alana Gandra
Edição: Lana Cristina
Fonte: Agência Brasil
Coluna: Manuel Correia de Andrade.
UFPE – A Fundação
Publicado em 10.12.2006
A Universidade Federal de Pernambuco não saiu do nada, como uma ocorrência inesperada, ela foi resultado de uma longa gestação e da existência, na cidade do Recife, de uma intensa vida cultural e de uma massa critica de alto nível, nos vários setores do conhecimento humano. Assim, nas ciências humanas e filosofia, a Faculdade de Direito gerara grupos de estudiosos que debatiam problemas filosóficos ligados às várias correntes ideológicas européias, desde o século 19. Nela se debatiam não só linhas ideológicas eclesiásticas, herdadas da cultura portuguesa, como também o pensamento positivista e o evolucionista, combatendo-se os princípios eclesiásticos e até anunciando a morte da metafísica. Ali pontificaram juristas como Paula Batista, Adolfo Cirne, Clóvis Bevilácqua e Goldim Filho. Foi cenário de pregações inquietas e inovadoras de Tobias Barreto, de Sílvio Romero, de Fausto Cardoso, de Phaelante da Câmara, de Martins Júnior e de Artur Orlando.
O seu reconhecimento como grande centro de estudos e de pesquisas, de reflexões filosóficas e literárias, seria continuado, na primeira metade do século 20, por figuras como Hercílio de Sousa, Andrade Bezerra, Luiz Delgado, J. J. de Almeida, Aníbal Bruno, Goldim Neto, Mário de Souza e tantos outros, que se associaram a Joaquim Amazonas na construção da universidade.
Com o afluxo da Faculdade de Medicina, recebeu a universidade uma grande equipe de professores-pesquisadores das várias áreas das ciências biológicas, sobretudo do setor de fisiologia e nutrição, com figuras exponenciais como Nelson Chaves e Naíde Teodósio. Nessa área, já dera grande contribuição, na Faculdade de Medicina, o médico e geógrafo Josué de Castro, que revolucionou os estudos sobre a fome e a alimentação no Brasil, regionalizando o problema e indicando quando o flagelo da fome era provocado por fatores de ordem física e quando da imposição de uma ordem social injusta e expoliativa. Merecem destaque, ainda, Bezerra Coutinho, biólogo e parasitologista, os Marques, Arnaldo, clínico, e Romero, cirurgião, que continuavam a tradição herdada de outros Marques, os irmãos Arnóbio e João, e do grande cirurgião Barros Lima, do sanitarista Octavio de Freitas e dos antigos médicos do período colonial, Rosa, Mourão e Pimenta.
É conveniente lembrar que a Faculdade de Medicina, que estava ligada às de Odontologia e Farmácia, ligava-se, também em Pernambuco, a tradições como a da homeopatia do Dr. Sabino Pinho, e a pesquisas de forte influência química, como as dirigidas no Instituto de Antibióticos – áreas de química –, por Oswaldo Lima, que internacionalizou suas pesquisas no México e no Instituto de Micologia, que realizou, já no seu período da UFPE, grandes pesquisas na Amazônia Maranhense. Estudos de Química e de Bioquímica seriam aprofundados e continuados por trabalhos dos professores Ricardo Ferreira, Marcionilo Lins e tantos outros.
A Escola de Engenharia traria para a UFPE grandes nomes das ciências físicas e matemáticas, como o físico Luis Freyre, um dos fundadores do CNPq, do matemático Newton Maia, do astrônomo João Holmes, do matemático Luiz Siqueira e de muitos outros que transformaram a Escola de Engenharia em uma verdadeira casa de formação de físicos e matemáticos. Assim, podemos afirmar que aquela escola, por anos sediada à Rua do Hospício, e famosa pela seriedade dos seus cursos de engenharia, específicos, hoje fornecidos pela universidade, como de outros cursos, hoje de grande importância, como o de física, de matemática, de química, etc.
No campo das letras e das ciências humanas, inicialmente ligados à Faculdade de Direito e a instituições culturais, como o Instituto Arqueológico e à Academia de Letras, a universidade herdou as tradições de historiadores, como Pereira da Costa, Alfredo de Carvalho, do major Codeceira, de Artur Orlando e de Mário Melo, como de uma literatura regionalista de autores como Mário Sette, Vitoriano Palhares, Joaquim Pessoa Guerra, etc.
Ligados a essa linha estariam também entre os fundadores da universidade antropólogos como Estevão Pinto, com estudos sobre indígenas, Waldemar Valente, com estudos sobre a influência africana na formação nordestina, Olívio Montenegro, misto de historiador e crítico literário, Amaro Quintas, estudioso das revoluções de 1817 e 1848/9, Mário Lacerda de Melo, estudioso da geografia agrária pernambucana, Gilberto Osório de Andrade, misto de publicista e geomorfólogo, Sá Barreto, latinista emérito e tantos outros.
Passado o período da fundação e instalação, quando a universidade incorporou novos cursos e houve a substituição paulatina de professores, admitimos que este período tenha se encerado em 1960, e um novo período tenha sido iniciado com a gestão de um novo reitor, o professor João Alfredo. Iríamos viver, então, período de fortes mudanças estruturais e de forte agitação cultural e política.
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Coluna: Manuel Correia de Andrade.
sábado, março 31, 2012
31 de Março: 48 Anos do Golpe Militar de 1964.
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segunda-feira, março 26, 2012
ANPUH - Comissão da Verdade: Entre a Memória e a História.
Recentemente foi aprovada pelo Congresso Nacional a formação da Comissão da Verdade que terá como função apurar as violações aos direitos humanos ocorridas em nosso país entre 1946 e 1988. A ela não cabe punir ou julgar culpados, mas lançar luz sobre uma série de crimes perpetrados por agentes governamentais, em especial no período da ditadura civil-militar iniciada com o golpe de 1964, esclarecendo suas circunstâncias, motivações, agentes, entre outros aspectos. Alguns, sobretudo aqueles setores identificados com os governos autoritários, a acusam de “revanchista”, por querer reacender conflitos que deveriam, em sua visão, ter sido esquecidos com a Lei da Anistia de 1979. Outros, em especial os militantes de direitos humanos e os familiares de mortos e desaparecidos políticos, denunciam seu caráter limitado e seus precários recursos (incluindo um número reduzido de membros e um tempo curto para as investigações). De qualquer forma, trata-se de uma iniciativa fundamental para que se possa encarar de frente uma série de situações traumáticas próprias desse passado recente que insiste em não passar, e que macula até hoje a nossa democracia.
A Comissão da Verdade assemelha-se a outras iniciativas ocorridas em países que passaram por traumas coletivos, em geral provocados por governos ditatoriais e autoritários, os quais pareciam impedir-lhes de seguir em frente com seus projetos de organização democrática. Isso aconteceu, através de modalidades e com resultados variados, na Alemanha após o nazismo, nos países do Leste europeu na sequência da débâcle do bloco comunista, na África do Sul depois do apartheid e em países do Cone Sul com o fim das ditaduras de Segurança Nacional. Em todos esses casos, muito se falou do dever de memória, ou seja, do dever de lembrar o horror para não repeti-lo, o que, em alguns casos, implicou também reparações materiais e simbólicas às vítimas, aos seus familiares ou mesmo a grupos sociais inteiros (como judeus e negros) que haviam sido submetidos a terríveis violências por parte do aparato estatal.
Porém, é preciso reconhecer que, se, por um lado, as reivindicações de cunho memorial são justificadas e importantes, elas não são suficientes. A memória é sempre ligada aos afetos, a identidades específicas, a sentimentos muitas vezes autocentrados do tipo: “você não passou por isso, então não pode entender e julgar o que ocorreu”. Por isso, é tão importante que as lembranças sejam compreendidas à luz da História, forma de conhecimento do passado ligada à razão, ao intelecto, ao distanciamento, à tentativa de pensar o que ocorreu de maneira global e articulada. Obviamente, o historiador nunca é neutro e imparcial, ele também é sujeito de seu tempo. Porém, ao longo de sua formação, desenvolve habilidades como a pesquisa em arquivos, a crítica documental, a interpretação de testemunhos e a coleta e análise de fontes orais que lhe permitem formular questões menos emocionais e mais balizadas por referências conceituais e metodológicas próprias de um conhecimento científico que tem por objetivo compreender, a partir da análise de fontes históricas, as tramas do passado (ainda que recente). Por esse motivo, a ANPUH – Associação Nacional de História, entidade que congrega aproximadamente quatro mil profissionais de História atuantes no ensino, na pesquisa e nas instituições voltadas à preservação do patrimônio, julga fundamental a participação de historiadores profissionais na Comissão da Verdade.
Os estudos históricos desenvolvidos no Brasil na atualidade são de altíssima qualidade e nossos historiadores são reconhecidos nas mais renomadas instituições de pesquisa do mundo. Muitos se dedicam ao campo que se convencionou chamar de “história do tempo presente”, que antes era visto, em razão de sua proximidade cronológica, como inadequado ao historiador. Tal concepção se alterou profundamente e hoje se sabe que a distância temporal não é garantia de distanciamento intelectual (afinal, histórias muito antigas ainda podem fomentar conflitos sangrentos, como acontece no Oriente Médio). Da mesma forma, os historiadores podem se voltar a processos bastante recentes, valendo-se de um distanciamento analítico possibilitado por procedimentos rigorosos de pesquisa. Por isso, certamente, diversos são os profissionais capacitados para compor a referida Comissão. Eles têm o dever e a capacidade de pensar os temas tratados em tão importante fórum não apenas pelas lentes afetivas da memória, mas também pela perspectiva racional da História. Por isso, sua presença é imprescindível nos trabalhos da Comissão da Verdade e nos debates por ela suscitados que, com certeza, mobilizarão a sociedade brasileira no próximo ano.
Diretoria da ANPUH – Associação Nacional de História.
Gestão 2011-2013.
FONTE: ANPUH.
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Edgar Vasques: Rango.
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Edgar Vasques - Rango.
domingo, março 25, 2012
Admirável República dos Tiriricas: Os Fatos Mais Interessantes da Política Tupiniquim.
Um dos fatos mais curiosos ocorridos em nossa Admirável República dos Tiriricas, está relacionado a constante preocupação que seus gestores públicos detém em relação a boa aparência dos representantes políticos que atuam na esfera legislativa. Além das ajudas conhecidas como "Auxílio-Paletó", onde o governo destina grandes quantias do erário público para que deputados e senadores possam renovar seus guarda-roupas e se apresentarem dignamente em seus locais de trabalho, também há uma preocupação com a estética dos sapatos dessas pessoas públicas. Em virtude disso, os parlamentares também contam com o serviço diário de engraxataria, para que seus calçados brilhem de forma semelhante aos serviços prestados pelo governo em favor dos menos favorecidos. É válido ressaltar que essa última medida governamental é fruto de um investimento superior a quantia de três milhões, a cada ano, refletindo o grau de preocupação do governo com a classe política.
E justamente por isso que o povo da Admirável República dos Tiriricas saúda com muita alegria essas medidas tomadas pelos seus representantes, que mesmo aumentando a carga tributária, busca favorecer diretamente o cotidiano sofrido de seus parlamentares que trabalham de forma honrosa e incansável para a construção de uma sociedade mais ética, justa e igualitária.
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Admirável República dos Tiriricas.
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