quinta-feira, setembro 08, 2011

CURIOSIDADES: Vinícius de Moraes o Embaixador do Brasil.

Além da sua magnitude artística, tanto na música, quanto na poesia, o carioca Vinícius de Moraes também trabalhou por muito tempo no Ministério das Relações Exteriores, sendo Vice-Consul do Brasil em Los-Angeles, Roma e Paris. No entanto, devido o seu comportamento boêmio, em 1968, por meio do Ato Institucional nº5, o governo militar afastou o poeta  de suas funções, após 26 anos de trabalho alegando que o comportamento de Vinícius de Moraes não condizia com o perfil ideal de um funcionário público.

Contudo, em 2010, após 30 anos da morte de Vinicius, o presidente Lula, junto com a Câmara dos Deputados, aprovaram uma homenagem póstuma ao poeta, atribuindo ao mesmo, o cargo de embaixador, que corresponde ao mais alto cargo da carreira diplomática. Segundo o presidente, a homenagem é uma forma de sanar mais uma dívida histórica que o Estado brasileiro detém com muitos heróis do povo e da cultura brasileira.
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8 de Setembro de 1522 - Fernão de Magalhães Retorna da Primeira Volta ao Mundo.

Em 1522, três anos depois de partir com cinco embarcações rumo à primeira viagem de circunavegação do mundo, a expedição do navegador portugês, Fernão de Magalhães retorna ao porto de onde saiu, na Espanha. A viagem iniciou com  260 tripulantes distribuídos em cinco embarcações, contudo, apenas 18 voltaram, em um único barco, o Victória. Eles traziam especiarias do Oriente que, ao serem vendidas, cobriram os custos da aventura e ainda deram lucro.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Uma Outra Visão Sobre a Independência Brasileira.


A maioria dos estudantes, pesquisadores e professores de história costumam contribuir com o debate a respeito do processo de independência brasileira com um olhar mais crítico e cuidadoso, principalmente quando chegamos na interpretação da expressão "independência". Esse comportamento está interligado às análises sobre as formas de condução que a foi consolidada sobre a emancipação política do Brasil, durante as primeiras décadas do século XIX.  Essas análises nos revela, muitos subsídios para que possamos reduzir o 07 de setembro, como apenas um teatro político em torno da famosa frase, "independência ou morte", proferida pelo "herói" da independência ás margens do rio ipiranga.

De acordo com uma visão positivista, o processo de proclamação da independência política brasileira foi apenas uma negociação entre as elites brasileira e lusitana, junto as coroas portuguesa e inglesa, que fincavam uma dominação, respectivamente, mercantilista e liberal, nas terras tupiniquins. De fato, não podemos negar a validade dessa análise, uma vez que, as mudanças ocorridas na transição do regime colonial para  a monarquia no Brasil não foram tão profundas, resumindo-se apenas à nomeclaturas e simbologias. O status quo permeneceu, ou seja, a propriedade latifundiária e o trabalho escravo continuaram como as bases econômicas da sociedade brasileira.

Entretanto, permito-me ousar um pouco mais e desconstruir parcialmente essa idéia positivada sobre a "independência" e atribuir algumas reflexões para a interpretação dessa tão importante data do calendário brasileiro. Mesmo entendendo a importância da leitura econômica para a compreensão da esfera política, pretendo trabalhar essa "nova" visão de independência, por meio de alguns fatos políticos, pois será nessa circunstância que vamos conseguir desconstruir a idéia simplista e contraditória da independência.

Diante desse contexto, podemos enxergar que o processo de emancipação e de formação do Estado brasileiro foi fruto de uma grande acumulação de lutas políticas que se manifestaram em diversas regiões brasileiras, seja por questões locais ou de abrangência metropolitana. Assim, desde o processo de expulsão dos holandeses, durante o século XVII e a famosa Batalha dos Guararapes, as condições estavam postas para que já existisse um debate político sobre uma possível emancipação brasileira. Ora, o espírito nacionalista, como afirmam vários historiadores, teve na Insurreição Pernambucana, um momento relevante, pois foi o momento em que contamos com o primeiro exército organizado, com a participação dos negros, dos índios e dos brancos nas fileiras militares.

Pois bem, se conseguimos livrar o Brasil do domínio flamengo, mesmo com todo o apoio ibérico, já que a nação portuguesa era a principal interessada em reconquistar seu domínio sobre o território tomado pela Companhia das Índias Ocidentais, tinhamos chances reais de uma emancipação anterior à 1822. Mas sem se prender a reflexões profundas, podemos aceitar a hipótese que a Insurreição Pernambucana foi um momento de relevância ímpar para o acúmulo de forças e experiência política dentro da colonia.

Mais adiante, vamos nos deparar com outros conflitos regionais, como a Guerra dos Mascates, a Sabinada, a Inconfidência Baiana, A revolta de Vila Rica, a Conjuração Mineira, a Revolução de 1817 que junto a outros momentos históricos, representaram uma maior acumulação política, haja vista que, tais movimentos tiveram o caráter de mobilização, mesmo com uma população, notoriamente formada por escravos e analfabetos, esses fatos históricos tiveram relevância social, pois os mesmos, saíram dos escritórios políticos e tomaram as ruas, mostrando a existência de camadas sociais descontentes com a situação social da colônia.

Dessa forma, essa permutação de donos, como passa a historiografia, quando mostra a imagem de uma emancipação parcial, onde deixamos de nos curvar ao domínio português e passamos a viver sob a tutela britânica é uma forma de reduzir as lutas de vários setores sociais de várias regiões brasileiras que se colocavam contra ao pacto colonial imposto ao Brasil. Enfim, precisamos enxergar a independência brasileira, não como um resumido acordo político, mas como um momento de grande relevância, pois a luta por uma nação livre, ja estava na pauta de alguns grupos políticos e no discurso de outros intelectuais que viviam em nossas terras, assim, ao contrário do que se propaga, nossa independência não foi criada pela conveniência da família real portuguesa, mas por conjunturas sociais, políticas e econômicas anteriores ao heróico grito de independência proferido por D. Pedro.

Download: O Que é História - Vavy Pacheco Borges

BORGES, Vavy Pacheco. O Que é História.
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A Resistência e Cidadania Ativa do Grito dos Excluídos.

Levar às ruas as principais reivindicações dos movimentos sociais, além de criticar o atual modelo econômico e todo seu processo de exploração e exclusão social sempre foram os objetivos do Grito dos Excluídos, que se configura como uma das mais importantes manifestações popular, democrática e republicana do país. "Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças".

Diante disso, a promoção de uma reflexão cidadã na ótica dos sujeitos excluídos pelo sistema capitalista, em plena semana da pátria, por meio de reuniões e debates, entre os vários segmentos dos movimentos sociais demonstra o quanto o caminho ainda é longo, para construirmos uma pátria soberana e uma sociedade mais dígna e igualitária. E é diante de tal intuito, que muitos aproveitam o feriado da Independência, não para ir às praias ou aos clubes e sim para tomar as ruas e protestar de uma forma pacífica contra as contradições sociais inerentes ao neoliberalismo.

O Grito dos Excluidos foi idealizado em 1995, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), junto com ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC). É uma manifestação que se renova todos anos, cristalizando os debates propostos pelos vários movimentos brasileiros e chega a sua 17ª edição ainda mais solidificado no calendário político nacional, como um dos principais exemplo de cidadania ativa. Assim, nada melhor que o dia da Pátria (07 de setembro) para problematizar e refletir sobre o tipo de soberania que queremos para a sociedade brasileira. 

É válido ressaltar que a organização nacional do Grito dos Excluídos é um exemplo vivo para os demais movimentos sociais do mundo. E é nessa conjuntura, que em 1999 a experiência de tal manifestação foi a principal influência para o surgimento do Grito Continental Por Trabajo, Justicia y Vida, promovido em vários países da América Latina.

Eis um patrimônio político da luta do povo brasileiro. Estamos diante de um movimento que não é somente "para" os excluídos, e sim, é "dos" excluídos que de forma racional e organizada consegue promover um relevante momento de convergência, entre os vários setores da sociedade brasileira, solidificando ainda mais a crítica sobre as várias questões políticas que paíram sobre a nossa realidade. Dentre as diversas críticas e debates promovidos ao longo das 17 edições, podemos destacar os plebiscitos contra a implementação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), como também, a posição contrária à privatização da Vale do Rio Doce, ocorrida em 1997, pelo governo de FHC. Além dos protestos contra os vários escândalos de corrupção, desrespeito aos direitos humanos e degradação ambiental ocorridos durante os últimos anos.

Sabemos que no Brasil, como de resto em todo continente latino-americano, não raro o conceito de liberdade foi reduzido à idéia de libertação: libertação da opressão, da ditadura militar, da pobreza e assim por diante. Nos meios eclesiais, por exemplo, com freqüência faz-se alusão à experiência narrada pelo Livro do Êxodo, quando os escravos se libertaram das garras do Faraó. Ora, esse é apenas um lado da moeda, isto é, a liberdade de. O outro lado é a liberdade para. Depois da saída do Egito, é preciso unir forças para continuar caminhando até a Terra Prometida. E aqui o conceito de liberdade se torna bem mais exigente. 

Enfim, mesmo indo na contramão dos interesses elitistas enraizados nas estruturas institucionais e políticas do Brasil, o Grito dos Excluídos tem o objetivo de fortalecer a idéia de que uma nova sociedade pode ser construída, e para isso, é preciso romper com a ordem vigente por meio de uma ousada luta de classes, para que assim, possamos garantir ao povo brasileiro, maior dignidade, respeito, justiça e liberdade.

domingo, setembro 04, 2011

Download: O Que é Cultura - José Luiz dos Santos.


SANTOS, José Luiz. O Que é Cultura. 
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quinta-feira, setembro 01, 2011

Coluna: Manuel Correia de Andrade.

História e Literatura
Publicado em 11.06.2006

Mário Márcio de Almeida Santos, inegavelmente, é um escritor pernambucano que vem nos brindando, nos últimos tempos, com livros de excelente nível e de grande interesse. O seu último trabalho, O livro dos meus livros, lançado recentemente, é um testemunho que confirma a nossa afirmativa, nele o autor faz uma espécie de retrospectiva literária e filosófica, reunindo pensamentos e opiniões expressas nos livros anteriores, ora sociológicos, ora históricos, ora literários. Alguns de seus verbetes são primorosos, como o sobre amor, acaso, arrependimento, cangaço, casamento, cegueira, convulsão social, dialética, elite social, felicidade, frio, historiador, história, estalinismo, etc., dentre os muitos que o livro contém. 

Ele dá uma grande ênfase ao verbete Garanhuns, cidade onde viveu na juventude e que visita sempre, escrevendo ali alguns dos seus livros, nas temporadas de férias. Garanhuns foi teatro de um acontecimento que o levou a escrever um livro celebre, A anatomia de uma tragédia, a hecatombe de Garanhuns, no qual, com uma paciência impressionante, debruçou-se sobre os papéis ligados à investigação dos fatos, aprofundou pesquisas em órgãos de imprensa e em entrevistas, que levaram o historiados Potiguar Matos a compará-lo com o grande Michelet.

Durante certo período, como professor de história da UFPE, Mário Márcio dedicou muito tempo ao estudo da Revolução Russa e produziu um livro denso, O Stalinismo, no qual trata em profundidade a grande luta travada entre Stalin e Trotsky, para sucederem a Lênin e transformar o antigo império russo em União Soviética. Com muita calma e isenção, analisou os métodos utilizados pelo líder georgiano, para eliminar os seus possíveis contestadores, sobretudo no processo contra Bukharin. Esse livro, ainda de grande atualidade, foi usado como tese para o concurso de livre-docente e, conseqüentemente, do doutorado na nossa universidade.

Na área histórica, ele ainda produziu duas grandes obras, uma sobre Nascimento Feitosa e a Revolução de 1848, e outra sobre o grande jornalista Antonio Borges da Fonseca, em livro que intitulou de Um homem contra um império. Vê-se, assim, que em certo período, este autor esteve muito preocupado com os acontecimentos de 1848, que provocaram a chamada Revolução Praieira. Mas a sua grande vocação não é a história nem a ciência política, embora tenha escrito, na área, textos marcantes, é sim, como salienta Alvacir Raposo, a literatura, o romance, embora o romancista, segundo o grande poeta, tardasse a chegar.

Desse modo, podemos salientar as incursões, pela literatura, do nosso historiador, produzindo textos de teatro, de ficção literária, como em Dário de um hipocondríaco, de O aprendiz de alquimia, Quarentena, e Sob o signo de Albadará, além de textos de poesia e sobre poetas. Na verdade, quem conhece Mário Márcio há vários anos e com ele convive conclui que o literato já estava presente em seus estudos históricos e o historiador continua presente em seus trabalhos literários.

A sua obra demonstra, em seu conjunto, que sua formação de historiador, de cientista social, se fez tanto através da leitura de livros específicos, como através da leitura da boa literatura. Convém lembrar que Marx já dizia, no século 19, que se aprendia melhor a formação da sociedade burguesa da França, lendo-se Balzac do que lendo os historiadores profissionais. Isso porque, em nossa opinião, a história é um ramo do conhecimento científico, mas não deixa de ser literatura. Leiam-se as obras de Euclides da Cunha e de Gilberto Freyre e se verá como uma e outra se completam, ou melhor, se interpretam.

Manuel Correia de Andrade, historiador e geógrafo, é da APL.
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